CAPA
 ÍNDICE

 EXCLUSIVO ONLINE

 REPORTAGENS
 MULTIMÍDIA
 FOTO DA SEMANA
 ENSAIOS FOTOGRÁFICOS
 ISTOÉ CONFERE
 ARTIGOS
 ESTAÇÃO DA LUZ
 BATE-PAPO ÍNTEGRAS
 EDITORIAS
 ARTES & ESPETÁCULOS
 BRASIL
 CIÊNCIA & TECNOLOGIA
 COMPORTAMENTO
 ECONOMIA & NEGÓCIOS
 EDUCAÇÃO
 ENTREVISTA
 INTERNACIONAL
 MEDICINA & BEM ESTAR
 POLÍTICA
 SEÇÕES
 A SEMANA
 CARTAS
 DATAS
 EDITORIAL
 EM CARTAZ
 FAX BRASÍLIA
 GENTE
 SÉCULO 21
 VIVA BEM

 BIBLIOTECA ISTOÉ

 EDIÇÕES ANTERIORES
 ESPECIAIS
 BUSCA

 Procure outras matérias



 ENTREVISTA

Em nome dos EUA - continuação

Kátia Mello

ISTOÉ – Até onde ia a ligação de Rockefeller com a CIA no Brasil?
Colby – É difícil dizer, porque a CIA ainda retém em seu poder a maior parte desses documentos. Nos papéis que conseguimos, descobrimos que os homens de Rockefeller no Brasil tinham entre 1964 e 1969 uma ligação direta com o Serviço Nacional de Informação (SNI).
Charlotte – Rockefeller estava sempre nos bastidores nos grandes momentos da política brasileira. Em 1945, no golpe que depôs Vargas, a pessoa-chave era Adolf Berle, o embaixador americano no Brasil e o protegido de Nelson Rockefeller. Depois veio o golpe de 1964 e lá estava ele agindo novamente.

ISTOÉ – O que fez Nelson Rockefeller opor-se a Vargas e depois a Jango?
Charlotte – Vargas e Jango foram os grandes obstáculos para Rockefeller realizar o que chamava de o “sonho brilhante”, o plano de desenvolvimento da Amazônia. Jango o incomodava muito porque denunciava os ricos na Amazônia, entre eles o coronel John Caldwell King, que mais tarde tornou-se o grande homem da CIA em toda a América Latina.
Colby – King também era o chefe da operação que mandava dinheiro dos EUA para o Brasil para financiar os projetos aos golpistas. A CIA também controlava as operações de financiamento para projetos no Nordeste. E a Corporação Internacional de Economia Básica (Ibec), comandada por Rockefeller no Brasil, também foi acusada de distribuir dinheiro antes do golpe contra Jango (um relatório da CIA menciona em até US$ 20 milhões). Inclusive foi a Ibec que escreveu as leis bancárias do Brasil para estabelecer linhas de crédito mais flexíveis a negociações para continuar com as operações na Amazônia, anunciada pelos generais brasileiros.

ISTOÉ – Qual era o plano de Rockefeller para a Amazônia?
Charlotte – Ele acreditava que o desenvolvimento da Amazônia daria um novo respiro econômico aos EUA, assim como foi a colonização do Oeste americano. Pensava que, pelo fato de não haver uma reforma agrária, era para a Amazônia que os agricultores brasileiros deveriam ir. Então, a idéia era fazer um maciço reassentamento da população brasileira na bacia amazônica.
Colby – Rockefeller fez ao presidente Vargas uma proposta de colonização da Amazônia realizada por refugiados europeus e Vargas a recusou. Mais tarde, queria assentar os camponeses nordestinos na região. Idéias que eram desaprovadas pelo presidente J.F. Kennedy.

ISTOÉ – Quais os impasses entre Rockefeller e Kennedy no Brasil?
Charlotte – Rockefeller tinha a ambição de desenvolver uma grande área no Brasil Central. Em 1972, ele era um dos maiores latifundiários no País, com 1,3 milhão de hectares no Centro-Oeste. Sua idéia era desenvolver sistemas de colonização nessa área e Kennedy se opunha.
Colby – Kennedy também estava convencido de que os problemas do Nordeste deveriam ser resolvidos no Nordeste, em vez de levar sua população para o interior da Amazônia.
Charlotte – Cheguei a ler memorandos de Rockefeller para seus assessores em 1963 que diziam que Kennedy não estava cooperando. E ele colocava Kennedy e João Goulart na lista das pessoas que eram obstáculos para seus objetivos. Kennedy morreu em novembro de 1963 e Goulart sofreu um golpe em março de 1964.

ISTOÉ – Isso é uma insinuação de que Rockefeller estaria envolvido no golpe contra Jango e no assassinato de Kennedy?
Charlotte – Tudo o que dizemos é que esses dois homens, com suas distintas posições, eram obstáculos para as ambições de Rockefeller em desenvolver a Amazônia. E não dá para simplesmente olhar a Amazônia num contexto isolado. Eles a viam como uma influência em toda a América Latina, da mesma maneira que o Oeste americano influenciou os Estados Unidos.
Colby – E certamente a Amazônia era um grande campo para os investimentos americanos. Não só com a extração de recursos, mas também no desenvolvimento do agrobusiness e, claro, na exploração de petróleo.
Charlotte – Depois do golpe de 1964 no Brasil, muitos dirigentes latino-americanos queriam desenvolver programas de exploração de petróleo na Amazônia para pagar a suas dívidas externas. As pressões para a extração de minerais nas terras indígenas continuam até hoje.

ISTOÉ – O que vocês pensam do Plano Colômbia (acordo entre os governos da Colômbia e EUA para combater o narcotráfico)?
Colby – Acreditamos que o Plano Colômbia tem o perigoso potencial de internacionalizar o conflito colombiano, espalhando-o para as fronteiras, com a desculpa de combater as drogas, mas, na verdade com a intenção de realizar uma possível intervenção americana. São sempre os mesmos argumentos de intervencionismo que já foram usados quando se falou sobre o perigo do comunismo no Vietnã, que também atingiu o Camboja e foi desculpa para as guerras secretas no Laos.

ISTOÉ – Qual o motivo real dessas intervenções?
Charlotte – Simplesmente a proteção dos interesses americanos. E isso faz parte da História. As corporações americanas sempre quiseram estabilidade para seus investimentos. E por isso apóiam os governantes que se alinham com o pensamento americano. Caso saiam da linha, pagam as consequências.
Colby – O mais importante é entender que esse esquema não está necessariamente vinculado ao presidente americano eleito pelo povo, mas à máquina governamental americana, ao pessoal do Departamento de Estado, às autoridades da Segurança Nacional. Advogados, lobistas, gente que entra e sai do governo por uma porta giratória.

ISTOÉ – A intervenção é sempre pela maneira indireta que Rockefeller aprendeu na conquistas das terras indígenas?
Colby – Esses homens do governo que são os mesmos há décadas agem de maneira corporativista e são os que definem as necessidades do mercado. Essa gente olha assim para o resto do mundo e, para eles, o desenvolvimento só pode acontecer de acordo com as normas de corporação. Eles querem o menor número de vítimas possível em suas operações e não pretendem usar as tropas americanas para atingir seus objetivos. Só e como última alternativa arriscam a proposta de enviar tropas americanas.

ISTOÉ – Nelson Rockefeller morreu em 1979, mas pode-se falar que seu legado sobreviveu a ele?
Colby
– Sim. A criação do Tratado Norte-Americano de Livre Comércio entre EUA, Canadá e México (Nafta) tem a ver com esse legado porque foi liderada por seu irmão David, presidente do Chase Manhattan Bank. As fundações patrocinadas pelos Rockefellers treinam as pessoas para pensar que o livre comércio é a única maneira de se evitar a terceira guerra mundial. A percepção deles é de que, se houver blocos comerciais, esses blocos poderão levar à terceira guerra mundial. Esta é a linha da Organização Mundial de Comércio. E esse conceito do Nafta originou-se com o Rockefeller.
 

<< anterior

 



EDIÇÃO Nº 1626


 
ENQUETE 1
 
Qual seu programa preferido?

• Programa do Ratinho

• Domingão do Faustão
• Hebe
• Domingo Legal
• Festa do Mallandro
• Programa Raul Gil
Mais Você
• Programa Sílvio Santos
• Altas Horas
• Fábio Júnior
Vote aqui

ENQUETE 2
Quem a polícia vai
prender primeiro?
• Fernandinho Beira-Mar
• O Juiz Nicolau
• Salvatore Cacciola
• Não vai prender ninguém
Vote aqui

FÓRUM 1

Os EUA estão certos
em deportar brasileiros adotados que
cometeram crimes?


FÓRUM 2

Você acha que a televisão brasileira é muito apelativa?


ASSINATURAS

EXPEDIENTE

PUBLICIDADE

FALE CONOSCO


ASSINE A
NEWSLETTER


 

| ISTOÉ ONLINE | DINHEIRO | ISTOÉ GENTE | PLANETA | ÁGUA NA BOCA | EDIÇÕES ANTERIORES | ESPECIAIS |
| ASSINE A NEWSLETTER | ASSINATURAS | EXPEDIENTE | FALE CONOSCO | PUBLICIDADE |
© Copyright 1996/2000 Editora Três