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| Foto: RICARDO STUCKERT |
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| KRISTHEL BYANCCO “As pessoas
que se vestem do que não são tornam-se falsas, medíocres” |
A Evita do Sertão
A neotucana Kristhel Byancco, atriz e
mulher de deputado, arrasa ao chegar a Brasília e quer se doar para
Fernando Henrique e Ruth Cardoso
ISABELA ABDALA
No troca-troca de partidos do Congresso, o PSDB do
presidente Fernando Henrique não quer ficar atrás. Depois de perder
tucanos de peso, a cúpula do partido comemorou em alto estilo a
filiação dos deputados paraibanos Inaldo Leitão e Ricardo Rique.
A festa, organizada pela mulher de Rique, a atriz Kristhel Byancco,
inaugurou uma nova fase do partido. A esfuziante Kristhel, que também
assinou a ficha do partido, caprichou no rapapé. Para receber seus
correligionários, a atriz – que fez uma ponta na novela global Barriga
de aluguel e ficou nua na peça Luz del Fuego –transformou
os jardins de sua mansão no Park Way, em Brasília. Colunas greco-romanas
feitas de fibra de vidro foram instaladas ao lado da piscina de
onde saía gelo-seco perfumado. Duas mulheres vestidas de verde e
amarelo faziam as vezes de estátuas e chegaram a confundir o líder
do partido na Câmara, Aécio Neves (MG). Só o convite para a festa
já causou o maior frisson no Congresso. Deputados de todos os partidos
disputavam a tapa uma cópia para ler o inspirado texto da atriz:
“Kristhel irá realmente celebrar este acontecimento como o renascer
de uma nova geração de líderes abençoada por talentos e determinação.”
Minutos antes de receber seus convidados, Kristhel deu a seguinte
entrevista para ISTOÉ.
ISTOÉ Por que esta festa toda para comemorar
a sua filiação e a do seu marido ao PSDB?
Kristhel Byancco Esse é um grande acontecimento
social e político. É o meu entrée em Brasília
e eu quero chegar com o pé direito, cheia de nuances, com
beleza e grandiosidade. Brasília é um lugar fantástico
e muito misterioso. Eu vou ser feliz aqui. Vocês não
têm dimensão do que é sair do PMDB e ir para
o PSDB na Paraíba. É uma revolução.
Eu quero iniciar o ano que vem com muitas vitórias. Por isso
que fiz esse pátio greco-romano, lá aconteciam as
grandes decisões.
ISTOÉ E por que o srs. saíram do
PMDB?
Kristhel Questões de falta de unidade, falta
de amor.
ISTOÉ Seu marido terá mais espaço
no PSDB?
Kristhel Esperamos que sim. Ele é muito amigo
de Tasso Jereissati (governador do Ceará). O Tasso
é nosso sócio em alguns shoppings (cadeia Iguatemi).
Nós estamos nos apresentando com grandiosidade porque nós
somos grandes, e para os grandes sempre tem lugar. Mas não
é grande por riqueza. Grande de coração, de
decisões e de idéias.
ISTOÉ O que a sra. pretende fazer em Brasília?
Kristhel Sou uma mulher extremamente iluminada. Tenho
o dom de cativar as pessoas, de ser transparente. Minha grande vitória
é essa. Conquistar a alma das pessoas, o olhar das pessoas.
Foi assim quando eu cheguei à Paraíba. Quando eu sabia
que tinha alguém comentando que eu era a atriz que tinha
feito uma peça nua, eu ia lá e conquistava o coração
e a mente daquela pessoa. Hoje eu sou uma pessoa amada, respeitada,
sou cidadã paraibana.
ISTOÉ Como a sra. conquistou o povo paraibano?
Kristhel Eu tinha terminado de fazer uma novela (Barriga
de aluguel), o meu personagem, a Deyse, era muito sensual, e eu
fui parar no palanque do Ricardo. Subia no caminhão para
fazer shows e para cantar. Fui me doando. Eu não tenho dificuldade
nenhuma de fazer contato com o povo. Acho que o que se paga, não
se conquista, o que se lança com amor, com transparência,
você conquista. Eu ia, ia, ia e quando vi que estava vencendo
o preconceito, isso foi me dando tanta força, foi transformando
o meu ser. Como é bom conquistar a alma das pessoas! Arnaldo
Niskier (atual presidente da Academia Brasileira de Letras) leu
o meu livro, o Vôo de uma estrela, e disse para mim: Kristhel,
você é uma pastora de almas. E eu fiquei tão
feliz por isso, porque o que eu mais queria era ser uma pastora
de almas.
ISTOÉ Sobre o que é seu livro?
Kristhel Poemas. Sobre vida, solidão, amor,
medo, religião, paixão, sobre tudo isso. Eu lancei
meu livro na Academia Brasileira de Letras e a Rachel de Queiroz
leu um poema meu, Luz de uma estrela. Para mim não tem nada
que pague aquele momento sagrado. Eu ali junto com os imortais e
ainda José Neumane Pinto, que é um grande poeta, um
grande jornalista, escreveu sobre o meu trabalho. Isso não
tem diamante que pague, ter isso guardado nas minhas lembranças,
no momento em que eu estava buscando que as pessoas dessem o valor
que eu tinha. Porque de repente a própria arte até
hoje é preconceituosa. Até hoje as pessoas sofrem
preconceito porque fazem um personagem que não está
dentro dos nossos padrões.
ISTOÉ Qual é a sua missão
no PSDB?
Kristhel Eu vou continuar fazendo o que eu faço,
independente de partido. É um momento em que as pessoas estão
saindo do PSDB. Momento em que o presidente está com 68%
de não-aprovação. Mas eu acredito no Fernando
Henrique. Ele não é o culpado de tudo isso. São
os partidos que são culpados de o Brasil não estar
melhor, por causa dos interesses de cada um. Eu tenho o maior orgulho
de ter ele e a dona Ruth como o casal que representa uma nação
tão cheia de nuances, tão cheia de vida. Esse sociólogo,
essa professora. Essa mulher é fantástica.
ISTOÉ A sra. conhece pessoalmente a primeira-dama?
Kristhel Não, mas eu sinto no olhar que ela
é maravilhosa. Eu gostaria de poder ajudar na parte social.
Se eu não tiver espaço para ajudar no PSDB, nas comunidades
solidárias, qualquer coisa dentro da filantropia que é
a arte que eu sei fazer, eu vou ficar muito triste e não
vou ficar em Brasília. Por mais que eu ame meu marido, não
posso me calar, não posso matar os meus sonhos, e ele sabe
disso. Por isso que estamos lutando para que eu possa fazer um bom
trabalho, para que possa conhecer a dona Ruth. Quero ser para ela
uma companheira, uma amiga que possa ajudar a desenvolver projetos
no Comunidade Solidária.
ISTOÉ A sra. quer ter uma função
no Comunidade Solidária?
Kristhel Pode ser. Quero poder contribuir com o que
eu tenho. Eu tenho o dom da doação, do amor, do carinho.
Gosto de tratar de crianças aidéticas, cancerosas,
gosto de descobrir talentos nas ruas. Estou desenvolvendo um trabalho
que chama Lixo é luxo. A gente troca cestas básicas
por alimentos não perecíveis e ensino as crianças
a fazer esculturas com o lixo reciclável. É bem lindo.
ISTOÉ Como é o projeto?
Kristhel Por exemplo, eu estou trazendo para cá,
na próxima Casa Cor, esses materiais reciclados. Dia 11,
nós vamos fazer um desfile e eu desenhei uma coleção
de roupas. Tenho muitos planos, muitos sonhos, luto por eles. Acho
que você tem de fazer tudo para conseguir atingir seus objetivos
com amor. A gente tem de ter amor ao próximo.
ISTOÉ A atuação social do
governo é fraca?
Kristhel Dona Ruth faz um belo trabalho. Por isso
que eu quero ficar ao lado dela. Acho-a uma senhora distinta, inteligente.
E eu quero só estar ao lado de pessoas inteligentes e sábias.
É só assim que eu vou crescer.
ISTOÉ E a sra. vai procurá-la?
Kristhel Vou procurá-la e dizer: Olha
aqui ó, eu sou uma soldado da sua luta. A vida para
mim não tem nenhum sentido se eu não fizer meu trabalho
social. Eu não tenho outros planos a não ser continuar
me doando. Porque quanto mais eu me dôo, mais eu me sinto
maravilhosa, mais eu me sinto poderosa. Quando você doa de
coração amor para as pessoas pobres, a gratidão
que elas têm com você é tão grande que
transforma você em poderosa, em amorosa, em bela. Eu não
nasci para ser socialite, sou uma menina simples, de família
simples.
ISTOÉ Como é conciliar a sua necessidade
de ajudar aos pobres e, ao mesmo tempo, viver cercada de tanto luxo?
Isso não gera nenhum conflito?
Kristhel Eu acho que só pode doar quem tem
de sobra. Eu gostaria que todas as pessoas, e é isso que
eu quero lutar com o empresariado, tirassem um pouco para dar aos
pobres. Não têm incentivos do ICMS, não têm
incentivos para a arte? Que também se façam programas
de assistencialismo.
ISTOÉ O que a sra. acha do projeto do senador
Antônio Carlos Magalhães para erradicar a pobreza?
Kristhel Eu não gostaria nem de falar sobre
isso. É preciso ter programas mais simples e mais objetivos.
Por exemplo, o potencial do Nordeste é a arte e o turismo.
Tem de pegar as comunidades carentes e desenvolver o artesanato
profissional para exportar. Aquela peça Cabra da peste já
foi premiada no mundo inteiro. Nós temos esses dons. E por
que não usar esses dons nas comunidades carentes, descobrindo
talentos? O Exército pode ajudar para transportar, para dar
um pouco mais de segurança ao nosso país.
ISTOÉ Como a sra. conheceu seu marido?
Kristhel Eu estava no Rio de Janeiro fazendo uma peça
muito polêmica, Luz Del Fuego. Um dia eu estava descendo
as escadas do hotel Méridien e ele, que já havia tomado
uns golinhos, falou que ia se casar comigo. Eu pensei: Que
loucura, o homem falando isso comigo. No dia seguinte era
outro homem. Eu estava à beira da piscina e ele apareceu
sem barba e começou aquela paquera. Aí logo pintou
aquela paixão e em dois meses eu estava casada com ele. Eu
nem o conhecia direito, mas eu tinha uma vontade muito grande de
casar, de ter filhos, de ter lar. E esse homem estava super a fim
de ter tudo isso comigo. Tanto fui apaixonada e me decepcionei,
e por que não? E me fascinava o desafio daquele homem que
tinha o sonho de ser político.
ISTOÉ Os srs. estão juntos há
quanto tempo?
Kristhel Oito anos. Me apaixonei por ele, e depois
virou amor, amizade, cumplicidade. Nós somos almas gêmeas.
Na época eu era contratada da Globo, trabalhava em televisão
e ele disse assim: Eu quero que você largue tudo. Eu
quero me casar com você. Vamos fazer uma turnê na Europa.
E fomos. Quando a gente voltou, resolvemos nos casar.
ISTOÉ Por que a peça era polêmica?
Kristhel Era a história da Dora Vivac-qua,
uma mulher de família riquíssima que fazia um show
com uma serpente. As pessoas começaram a estranhar: como
eu, uma pessoa tão bonita, pegava em cobra? E eu achava supernormal.
Que preconceito é esse com um animal que foi Deus quem fez.
Há quatro anos eu me converti à religião evangélica
e fui entender o encantamento e o porquê dessa repulsa tão
grande pelo animal cobra. O demônio entrou na serpente e fez
com que o homem pecasse.
ISTOÉ Em sua carreira artística
a sra. fez muitas cenas de nudismo?
Kristhel Não. A única cena que eu fiz
foi essa. Nunca vi uma peça para dar tanto retorno de mídia,
mas também para dar tanto sofrimento. A única coisa
maravilhosa dessa peça foi que eu conheci meu marido. Ele
se apaixonou pela Luz Del Fuego. Depois ele patrocinou a
peça.
ISTOÉ O poder a fascina?
Kristhel Até agora não senti nada. Nada
me deixa desequilibrada. Eu fico com medo do poder porque as pessoas
perdem a noção de valores. Nós estamos aqui
por causa desse povo que não sabe nem ler, que não
sabe nem o que escreveu naquele papel branco. Vamos fazer alguma
coisa por eles, sem pensar nos nossos brios, no nosso orgulho, no
poder.
ISTOÉ A sra. pretende se candidatar?
Kristhel Não. Ricardo já está
ali. Eu estou perto dele, estou perto do poder. Eu gosto mesmo é
de ser amiga das pessoas que podem me dar o direito de resolver
as coisas. Eu nasci com o dom de cuidar das pessoas. Meu avô,
o coronel José Regina, sempre nos ensinou a trabalhar com
a pobreza. Aos dez anos já costurava para os favelados. Adoro
cuidar de machucados de pessoas. Eu nasci para ser enfermeira. Enfermeira
da alma e enfermeira do físico mesmo.
ISTOÉ A sra. se acha diferente?
Kristhel Sou colorida. Cheia de efeitos especiais,
cheia de sonhos. As pessoas que se vestem do que não são
tornam-se falsas, medíocres. No primeiro mandato do Ricardo,
eu gastei um dinheirão mandando fazer uns tailleurs caretinhas.
Não aguentei um mês. Ele mesmo perguntou se eu estava
doente.
ISTOÉ A sra. acha que seu estilo pode chocar
Brasília?
Kristhel Quando você tem dignidade, não
choca. Quer uma mulher mais exótica do que a Marita Martins
(mãe do senador Luiz Estevão). Aquele cabelo maravilhoso,
aquelas rosas parecendo um repolho. Eu a acho o máximo.
ISTOÉ Mas o padrão das mulheres
de parlamentares é outro.
Kristhel Mas eu não quero ser padrão
de mulher de deputado. Eu quero ser a Kristel, a atriz. Meu marido
virou deputado por acaso. Eu não casei com o deputado, casei
com Ricardo, o meu Ricardo, o meu chuchu, o meu tico-tico. Foi por
eu ser assim que nós tivemos 70 mil votos na Paraíba.
Ele enfartado e eu na campanha. Me chamavam até de Evita
do Sertão. Meu povo me adora com as minhas jóias,
meus chapéus, meus sapatos, e é isso que importa.
ISTOÉ A sra. acha que pode ajudar a levantar
o astral do PSDB?
Kristhel Fiz essa festa para mostrar para o presidente
que não existem só pessoas que criticam. Existem pessoas
que acreditam e que querem dar a mão e seguir em frente.
Avança Brasil, vamos avançar o Brasil. O Brasil é
lindo e eu vou fazer tudo para conquistar o coração
da dona Ruth e do Fernando Henrique. Eu vou me doar para eles.
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