O que se sabe sobre a prisão de MC Ryan e Poze do Rodo por esquema de R$ 1,6 bi de lavagem de dinheiro
Funkeiros foram presos durante operação da Polícia Federal que mira grupo criminoso voltado à movimentação ilícita de dinheiro e criptoativo
Os cantores MC Ryan SP e Poze do Rodo foram presos, na manhã desta quarta-feira, 15, numa operação da Polícia Federal que investiga um esquema de mais de R$ 1,6 bilhão de lavagem de dinheiro e transações ilícitas.
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A Operação Narco Fluxo tem o objetivo de desarticular associação criminosa voltada à movimentação ilícita de dinheiro e criptoativos no Brasil e no exterior. Segundo a TV Globo, os valores teriam sido movimentados em menos de 24 meses.
Quem são os presos?
Ao todo, são cumpridos 45 mandados de busca e apreensão e 39 de prisão temporária, expedidos pela 5ª Vara Federal em Santos (SP), nas cidades da capital paulista, em Santos, Guarujá, Praia Grande, São Bernardo do Campo e Campinas, entre outros no estado; além de municípios do Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Maranhão, Santa Catarina, Paraná, Goiás e no Distrito Federal.
Entre os presos, está MC Ryan SP, que foi capturado em um apartamento na Riviera de São Lourenço, bairro de luxo localizado em Bertioga, no litoral de São Paulo, durante uma festa.
Natural de São Paulo, o cantor tem 25 anos e acumula mais de 15 milhões de seguidores no Instagram. O artista ganhou notoriedade nacional por sucessos como Revoada Sem Você, Favela e Vergonha Pra Mídia.
Amigo de Neymar JR., o funkeiro é envolvido em polêmicas como uma acusação de agressão à esposa, Giovanna Roque, em 2024, além da detenção por "dano, dirigir sem permissão ou habilitação e perigo para a vida ou saúde de outrem”, em 2025.
Já Poze do Rodo foi preso em sua casa, que fica em um condomínio de luxo no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro. Conhecido pelo hit Tô Voando Alto, ela também acumula investigações criminais.
Em 2019, ele foi acusado de envolvimento com o tráfico de drogas. Em novembro de 2024, ele e ex-esposa, Vivi Noronha, também foi alvo da Operação Rifa Limpa, da PCERJ, contra sorteios ilegais divulgados nas redes sociais. A força-tarefa realizada pela Delegacia de Defraudações investigava crimes de jogo de azar, associação criminosa e lavagem de capitais.
Em maio de 2025, Poze foi preso temporariamente por suspeita de apologia ao crime e por envolvimento com a facção criminosa Comando Vermelho (CV). O cantor de funk nega as acusações.
Como funciona o suposto esquema investigado pela PF
À imprensa, Marcelo Alberto Maceiras, Delegado Regional de Polícia Judiciária da PF em São Paulo, explicou a função dos influenciadores no esquema criminoso: “Dentro da engrenagem criminosa, se utilizam de pessoas com grande visibilidade para fazer a propaganda dessas empresas ilegais e para movimentar o dinheiro de forma a não chamar a atenção”
“Essas pessoas com muitos seguidores conseguem movimentar grandes quantias sem chamar a atenção dos sistemas de compliance das autoridades e dos bancos, então são muito úteis e facilmente recrutáveis por essas organizações dessa estrutura de lavagem”, diz Maceiras.
O delegado destaca que a operação da PF seguiu o ‘caminho’ do dinheiro lavado que, na ponta, se ressaltava no patrimônio das figuras públicas na forma de “grandes festas, veículos e imóveis luxuosos”.
O esquema de lavagem, segundo Maceiras, era facilitado com o uso de processadoras de pagamento, empresas com as quais os criminosos conseguiam movimentar grandes valores e, através delas, avançar às fases finais do esquema, como a descentralização dos recursos, uso de contas de passagens e laranjas, para dificultar o rastreio.
O delegado explicou, ainda, que parte do dinheiro lavado era oriundo do tráfico de drogas: “Fatalmente chegamos nas facções criminosas, sem entrar no mérito de ser PCC ou não, mas a investigação demonstra que parte do dinheiro captado e depois despejado nessa estrutura é oriunda do tráfico”.
O que foi apreendido?
Nos endereços, foram apreendidos 20 milhões em carros de luxo, relógios de marca, dinheiro em espécie, documentos e equipamentos eletrônicos.
Além dos mandados, a Justiça determinou o sequestro de bens e a imposição de restrições societárias para interromper as atividades ilícitas e preservar ativos para eventual ressarcimento.
O que diz a defesa dos cantores
O Terra entrou em contato com a defesa de MC Poze do Rodo, mas não teve retorno. À TV Globo, os advogados afirmaram que desconhecem o teor dos autos e também do mandado de prisão, mas que vão se manifestar assim que tiverem as informações. Ainda segundo o parecer, será pedida a liberdade do cantor e os devidos esclarecimentos ao Poder Judiciário.
A defesa de MC Ryan SP não foi localizada até o momento.


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