A série Senna tem feito sucesso na Netflix desde seu lançamento, mostrando que o público brasileiro continua se interessando por boas histórias ligadas à Fórmula 1. E não apenas documentários, mas também em produções ficcionais.
Neste domingo, 8, Lando Norris venceu o GP de Abu Dabi, o último da temporada 2024, e garantiu o título do mundial de construtores à McLaren, com 666 pontos. O inglês foi vice-campeão - o título já havia sido garantido por Max Verstappen, da Red Bull, na semana passada. ( para ler mais detalhes sobre o campeonato).
Confira a seguir uma lista de pilotos cujas histórias de vida ou carreira trazem diversos elementos que renderiam uma boa série.
Rubens Barrichello: altos e baixos
Para quem acompanhou a Fórmula 1 nos anos 1990 e 2000, soa natural que a trajetória de Rubens Barrichello desse margem a uma série ficcional. Passando pela amizade com Ayrton Senna, o impactante acidente no GP de Ímola em 1994, o crescimento em resultados e escuderias ao longo dos anos até ocupar um papel de destaque nos anos de ouro da Ferrari.
Rubinho por anos foi alvo de piadas por conta da sua disputa contra o alemão Michael Schumacher. O ápice se deu no GP da Áustria em 2002, quando a equipe deu ordens para que deixasse o companheiro ultrapassá-lo, o que fez próximo à linha de chegada, reduzindo a velocidade.
Ainda houve tempo para uma plena decadência, quando, correndo pela Honda, passou a temporada inteira de 2007 sem marcar um único ponto. Poucos esperavam uma retomada aos holofotes, quando surgiu a Brawn GP e o colocou novamente na briga pelo título - que ficou com Jenson Button.
Michael Schumacher: títulos, recordes e polêmicas
Correndo pela Benetton e pela Ferrari, o alemão quebrou inúmeros recordes e chegou a ser considerado o melhor piloto da história. Em 2004, por exemplo, venceu 12 corridas em 13, o que lhe permitiu conquistar o campeonato com antecedência.
Além dos títulos, da dupla com Rubens Barrichello que rendeu polêmicas e do período de domínio da Ferrari, ainda haveria espaço para abordar a relação com seu irmão, Ralf, que também correu na categoria durante anos. E também outras passagens curiosas, como os jogos de futebol que disputou pelo Echichens II, na terceira divisão da Suíça, em 2007.
Michael, porém, também tem passagens em que foi acusado de jogar sujo ao longo da carreira. Em 1994, no GP de Silverstone, por exemplo, descumpriu uma punição de passagem pelos boxes (stop and go) após ter ultrapassado Damon Hill durante a volta de apresentação. Como resultado, foi desclassificado da corrida e ficou de fora das duas seguintes.
Já em 1997 liderava o campeonato com um ponto de vantagem diante de Jacques Villeneuve antes da última corrida do ano, o GP da Europa. Na 48ª volta, quando o canadense iria ultrapassá-lo - o que lhe faria perder o título - jogou o carro na direção do rival. Villeneuve, porém, conseguiu voltar à corrida, enquanto Schumacher não. Posteriormente, a FIA designou que todos os pontos conquistados pelo alemão fossem anulados pela atitude considerada proposital e antidesportiva.
Schumacher se aposentou das pistas em 2006, mas voltou poucos anos depois, desta vez correndo pela McLaren, concorrente de sua antiga casa. Em 2013, sofreu um acidente enquanto andava de esqui e desde então informações sobre seu estado de saúde são mantidas com discrição pela família.
Família Fittipaldi e a Copersucar
WIlson Fittipaldi Jr. foi um dos responsáveis por criar a primeira, e até hoje única, equipe brasileira da Fórmula 1. Entre 1974 e 1979, ficou conhecida como Copersucar-Fittipaldi, posteriormente trocando de patrocínio para a Skol. Foram 104 corridas até 1982, quando encerrou suas atividades.
A escuderia priorizou pilotos brasileiros, incluindo o tricampeão Emerson Fittipaldi e Ingo Hoffmann, uma das lendas da Stock Car. Também passaram por lá Chico Serra e Alex Ribeiro, além do finlandês Keke Rosberg, no ano anterior ao que foi campeão mundial pela Williams.
A equipe chegou a somar alguns pódios, o mais marcante deles conquistado por Emerson, que ficou em segundo lugar em seu país, no GP de Jacarepaguá de 1978, após largar na sétima posição.
Toda a articulação, busca por apoios, construção do carro e formação de pilotos, assim como as conquistas e sua repercussão no Brasil, seriam uma ótima pedida para a série.
Lewis Hamilton e os percalços até o 1.º título
Uma história que ainda está sendo escrita, mas que já renderia uma série simplesmente por suas temporadas de estreia na Fórmula 1. Começou pela Mercedes McLaren em 2007, sendo pódio em suas nove primeiras corridas na categoria.
Faltando dois GPs, Hamilton precisava de três pontos para ser campeão. Alguns deslizes importantes e a disputa não muito amigável com seu companheiro de equipe, Fernando Alonso, fizeram com que a McLaren acabasse entregando um título praticamente garantido ao finlandês Kimi Raikkonen, da Ferrari, que venceu as corridas e tirou uma diferença de 17 pontos.
No ano seguinte, algo parecido. Hamilton chegou à última corrida do ano na liderança e precisava apenas de uma 5ª colocação para garantir o título independente de qualquer resultado. Numa disputa emocionante em um dia chuvoso, Felipe Massa venceu a corrida no Brasil e já comemorava o título, quando Hamilton conseguiu uma ultrapassagem nos últimos instantes sobre Timo Glock e teve sua redenção, como uma boa série precisa.
Jochen Rindt, o campeão póstumo
Correndo pela Lotus em 1970, o austríaco começou o campeonato sem pontuar nas duas primeiras corridas, mas se recuperou e venceu cinco das seis seguintes, ficando com 20 pontos de vantagem sobre o segundo colocado, Jack Brabham.
Em seguida, no GP da Áustria, fez a pole position 'em casa', mas não concluiu a corrida por um problema no motor. Foi então que veio o GP da Itália em que, num dos treinos, sofreu um acidente fatal.
Ainda restavam quatro corridas até o fim do campeonato. Mesmo morto, o piloto liderou a pontuação até a reta final. Foi oficializado como campeão no penúltimo GP do ano, o dos EUA, que terminou em vitória de Emerson Fittipaldi, quando não poderia mais ser ultrapassado por nenhum concorrente.
Yuji Ide: como ele chegou à elite do automobilismo?
Uma série para explicar ao público uma série de "comos" e "por quês?". O piloto japonês foi contratado pela Super Aguri em 2006 para ser companheiro de Takuma Sato numa equipe 100% japonesa.
Apesar da simplicidade do veículo, Ide chamou atenção e entrou para a história por sua falta de habilidade. Das quatro corridas, fez o pior tempo na classificação em todas, e terminou apenas uma - claro, na última posição.
No GP de San Marino, logo na volta inicial, se envolveu num acidente que fez Christijan Albers capotar seu carro perigosamente. Foi a gota d'água que fez com que a FIA caçasse sua licença e o banisse da categoria.