O telejornalismo, assim como o leitor de romance, gosta de um bom drama. Uma história trágica e comovente tem espaço garantido no noticiário da TV. Ainda mais quando protagonizada por um personagem midiático e, ao mesmo tempo, misterioso.
É o caso de Andreas von Richthofen, vítima viva do duplo parricídio ocorrido em outubro de 2002: o engenheiro Manfred e a psiquiatra Marísia foram mortos pelos irmãos Daniel e Cristian Cravinhos, com a ajuda da filha mais velha do casal, Suzane.
Órfão e com a única irmã sendo a assassina de seus pais, o adolescente Andreas se refugiou do mundo. Pouco se sabe de como viveu os anos seguintes ao terror que se abateu em sua família.
Mas, como num roteiro carregado de dramaticidade, ele ressurgiu diante das câmeras – literalmente – ao ser flagrado por equipamentos de segurança de uma rua de Santo Amaro, na zona sul de São Paulo, sendo detido pela polícia.
Sujo, em confusão mental e sob efeito de droga, o herdeiro dos Richthofen injetou mais perplexidade e tristeza numa trama que parece não acabar nunca.
Internado para reabilitação, o rapaz de 29 anos, doutor em Química pela USP, é o novo alvo dos jornalísticos da TV.
A disputa é por uma improvável entrevista exclusiva. Sempre avesso à exposição, Andreas não conversou com a imprensa nos últimos 15 anos. Por que falaria agora, em momento de extrema fragilidade?
Talvez uma inédita necessidade de purgação o faça contar seu lado da história a uma câmera de televisão. Para alguns, a tela serve como elemento terapêutico ou tentativa de redenção pública.
Suzane aproveitou o interesse da mídia para tentar reabilitar sua imagem. Concedeu duas bombásticas entrevistas exclusivas. Uma ao ‘Fantástico’ (Globo), em 2006, e outra a Gugu Liberato, na Record, em 2015.
Rotulado “pobre menino rico”, Andreas von Richthofen ganhará destaque nas principais atrações jornalísticas deste fim de semana. Audiência garantida.
Aos policiais que o abordaram no jardim de uma casa que havia invadido, ele desabafou: “Não queira saber como é minha vida”.
É justamente o que todos – jornalistas e telespectadores – mais desejam descobrir.