Icônica para os fãs de novela, Beleza Fatal (Max) se tornou um sucesso ao trazer uma trama enolvente e personagens marcantes. Porém, além de uma boa história, os capítulos também abordaram temas socialmente relevantes, como a violência financeira.
Em entrevista à Contigo!, a psicanalista Fabiana Guntovitch explica que a violência financeira pode acontecer em relações familiares, conjugais e, até mesmo, de trabalho. Em Beleza Fatal, por exemplo, Lola (Camila Pitanga) explora a prima, Cléo (Vanessa Giácomo), e tenta fazer o mesmo, e até escravizar, a sobrinha, Sofia (Camila Queiroz).
"Controle rígido do dinheiro, apropriação de bens, impedimento de acesso a recursos financeiros, seja por não dar acesso ou por invalidar moralmente a pessoa de forma que sua autonomia seja impossibilitada, dependência financeira imposta, exploração econômica travestida de 'ajuda', são exemplos", explica a especialista.
Guntovitch diz que algumas formas comuns da violência incluem impedir a vítima de trabalhar ou estudar, controlar o dinheiro, deixar de contribuir financeiramente em despesas conjuntas, usar o nome da vítima para fazer dívidas, esconder informações financeiras e acesso a contas bancárias. Tudo isso pode impactar diretamente a saúde mental, como ela elenca abaixo.
- Perda de autonomia e sensação de prisão. A pessoa não pode tomar decisões básicas sobre sua própria vida. Impossibilitada de sair da relação, ela cede a todos os caprichos e suporta todas as violências em nome de sua sobrevivência. Esse tipo de violência destrói a saúde mental da vítima;
- Gatilhos de humilhação, ansiedade constante, culpa e medo, especialmente quando a dependência é usada para silenciar ou submeter;
- A longo prazo, pode levar a um quadro depressivo importante, além de isolamento social e ao abandono de projetos pessoais;
- Desvalorização do sentido de identidade e auto eficácia, dificultando processos de emancipação emocional e financeira.
Para além do exemplo da novela, a psicanalista conta outra situação que pode acontecer. "Um familiar que obriga uma mulher a trabalhar sem remuneração sob a justificativa de que está 'ajudando a família', mas, na prática, a explora e controla sua vida. Essa forma de violência é especialmente perversa por se travestir de proteção e apoio, quando, na verdade, é controle e dominação."