O Banco Central Europeu (BCE) deverá reduzir novamente as taxas de juros nesta quinta-feira, 6, no que provavelmente será sua última decisão fácil por algum tempo, conforme guerras comerciais e o rearmamento provocam a maior reviravolta na política econômica do continente em décadas.
Com as perspectivas mudando em um ritmo mais rápido do que modelos econômicos conseguem acompanhar e com formuladores de política monetária cada vez mais divididos quanto à necessidade de mais apoio, o foco estará nos sinais que o BCE enviará sobre movimentos futuros.
Depois de reduzir rapidamente os custos dos empréstimos nos últimos nove meses, quando a inflação recuou e o crescimento econômico vacilou, o banco central da zona do euro sinalizou outra redução de 25 pontos-base na taxa de depósito nesta quinta-feira, 6, levando-a para 2,5%.
A perspectiva para além disso é mais complicada.
Os juros estão se aproximando lentamente de um nível que não restringe mais o crescimento econômico, o que normalmente poderia anunciar o fim do ciclo de flexibilização.
Mas estes não são tempos normais.
Uma guerra comercial com os Estados Unidos está se aproximando e o crescimento já está sendo afetado, conforme empresas retêm investimentos, temendo que um conflito prolongado prejudique a demanda.
Enquanto isso, a Alemanha e a Comissão Europeia anunciaram mudanças transformadoras nas regras fiscais para aumentar os gastos com defesa e infraestrutura, em parte para substituir o apoio dos EUA -- uma mudança tectônica que pode afetar o crescimento por anos.