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Economia

Mercado mantém projeção para juros e inflação e reduz previsão para PIB e dólar em 2025

Mediana do relatório Focus para a Selic no fim deste ano permaneceu em 15,0%; estimativa para o IPCA se estabilizou em 5,65%, após duas semanas de queda

31 mar 2025 - 09h28

BRASÍLIA - A mediana do relatório Focus para a Selic no fim de 2025 permaneceu em 15,0% pela 12ª semana seguida, sugerindo que os juros terão de subir mais 0,75 ponto porcentual. No último dia 19, o Comitê de Política Monetária (Copom) aumentou a taxa de 13,25% para 14,25% e sinalizou uma nova alta, de menor magnitude, em maio.

Considerando somente as 68 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a estimativa intermediária para a taxa básica de juros no fim de 2025 também permaneceu em 15,0%.

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Com isso, o mercado espera que a Selic suba ao maior nível desde maio de 2006, no primeiro governo Lula, quando o Copom cortou a taxa de 15,25% para 14,75%. Nessa época, os juros estavam em queda após terem atingido 19,75% em maio de 2005, um dos maiores patamares do século 21.

Banco Central espera que o IPCA some 5,1% em 2025 e 3,7% em 2026
Banco Central espera que o IPCA some 5,1% em 2025 e 3,7% em 2026
Foto: Dida Sampaio / Estadão / Estadão

A mediana para a Selic no fim de 2026 ficou estável em 12,50% pela nona semana consecutiva. Mas, considerando apenas as 65 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, subiu de 12,50% para 12,75%.

A estimativa intermediária para o fim de 2027 continuou em 10,50% pela sétima semana seguida. A mediana para a Selic no fim de 2028 se manteve em 10,0% pela 14ª semana consecutiva.

No último ciclo de comunicações, o Copom disse que, para além de maio, a magnitude total do ciclo será ditada pelo seu "firme compromisso de convergência da inflação" e dependerá da evolução do cenário. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou na última quinta-feira, 27, que o comitê quer reunir a maior quantidade de informações possível para ganhar confiança sobre o processo de convergência.

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"Querer garantir esse grau de liberdade (sem um guidance) significa que a gente quer continuar reunindo informações para ir analisando, reunindo essas informações a partir de um cenário de pós-elevação da taxa de juros do patamar que nós temos", disse Galípolo, durante entrevista coletiva para comentar o Relatório de Política Monetária (RPM), que substituiu o Relatório Trimestral de Inflação (RTI).

Inflação

A mediana para o IPCA de 2025 se estabilizou em 5,65%, após duas semanas de queda. Está 1,15 ponto porcentual acima do teto da meta, de 4,50%. Um mês antes, também estava em 5,65%. Considerando só as 57 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a mediana passou de 5,66% para 5,64%.

A projeção para o IPCA de 2026 se estabilizou em 4,50% — colada ao teto da meta —, após duas semanas seguidas de alta. Um mês antes, estava em 4,40%. Considerando somente as 55 expectativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, também permaneceu em 4,50%.

O Banco Central espera que o IPCA some 5,1% em 2025 e 3,7% em 2026, conforme a trajetória divulgada no RPM na última quinta-feira. A autarquia trabalha com o terceiro trimestre de 2026 como horizonte relevante da política monetária, mas o período deve mudar na próxima reunião do Copom, marcada para 6 e 7 de maio.

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O colegiado já aumentou a taxa Selic em 3,75 pontos porcentuais desde setembro, para 14,25%, incluindo uma rápida elevação de 3 pontos entre dezembro e março. Na ata da sua última reunião, do dia 19, o Copom indicou que deve elevar os juros novamente em maio, embora com uma alta inferior a 1 ponto porcentual.

A partir deste ano, a meta de inflação é contínua, com base no IPCA acumulada em 12 meses. O centro é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto porcentual para mais ou para menos. Se o IPCA ficar fora desse intervalo por seis meses consecutivos, considera-se que o Banco Central perdeu o alvo.

A mediana do Focus para a inflação de 2027 permaneceu em 4,0% pela sexta semana consecutiva. A projeção para o IPCA de 2028 se estabilizou em 3,78%. Um mês antes, era de 3,75%.

PIB

A mediana do Focus para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2025 caiu pela terceira semana consecutiva, de 1,98% para 1,97%. Um mês antes, estava em 2,01%. Considerando apenas as 35 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, permaneceu em 2,0%.

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Na última quinta-feira, 27, o Banco Central diminuiu a sua estimativa para o crescimento do PIB deste ano, de 2,1% para 1,9%. O diretor de Política Econômica, Diogo Guillen, explicou que a revisão é consistente com a perspectiva de moderação do crescimento, devido à política monetária mais contracionista. Mas notou haver uma incerteza maior sobre a taxa, devido às dúvidas sobre o cenário externo e sobre o ritmo de arrefecimento da atividade.

"A incerteza sobre essa projeção aumentou, tanto pelas questões externas que a gente já discutiu, quanto pelas internas, como é que vai se dar esse processo (de desaceleração)", disse Guilen, durante entrevista.

A estimativa intermediária do Focus para o crescimento da economia brasileira em 2026 se manteve em 1,60% pela segunda semana seguida. Um mês antes, era de 1,70%. Considerando só as 31 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, caiu de 1,64% para 1,60%.

A mediana para o crescimento do PIB de 2027 subiu de 1,99% para 2,0%. Um mês antes, era de 2,0%. A estimativa intermediária para 2028 ficou estável em 2,0% pela 55ª semana seguida.

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Dólar

A mediana para a cotação do dólar no fim de 2025 caiu pela terceira semana seguida, de R$ 5,95 para R$ 5,92. Um mês antes, estava em R$ 5,99. A estimativa intermediária para 2026 continuou em R$ 6,0 pela 11ª semana consecutiva.

A projeção para o fim de 2027 se manteve em R$ 5,90 pela quarta semana seguida. A estimativa intermediária para o fim de 2028 permaneceu em R$ 5,90, também pela quarta semana consecutiva.

A projeção anual de câmbio publicada no Focus é calculada com base na média para a taxa no mês de dezembro, e não mais no valor projetado para o último dia útil de cada ano, como era até 2020.

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