Às vezes precisamos lembrar o óbvio. Parece que a passagem do tempo tira de alguns a capacidade de relevar diferenças entre épocas sem menosprezar os feitos dos outros. Frases antes de antecipar: mesmo se ganhar a Copa do Mundo, Messi não será maior que Pelé.
Pelé fez mais de mil gols, tem três Copas do Mundo, uma infinidade de jogadas decisivas e títulos por seus times e por sua seleção. Tudo isso fez o futebol ser o que é, fez os emblemas que ele defendeu serem o que são e a seleção que ele defendeu ter o tamanho que tem.
O maior atleta do século XX foi decisivo para títulos desde o início da dele carreira, quando ainda era adolescente, até o fim dela. É aí, aprofundando na frieza dos números, que há quem queira fazer de Messi - ao meu ver, o segundo melhor da história - o maior de todos.
Então lembremos, sim, o óbvio: tempos diferentes de preparação, de divulgação, de mercantilização, de competitividade. Um lado vai beneficiar Pelé, outro vai beneficiar Messi. Isso não é problema.
O problema é entender o jogador do Paris Saint Germain como entidade que nem na Argentina ele é o maior. Nossos vizinhos reverenciam Messi atualmente e exaltam a grandiosidade do jogador. Só que é Maradona o herói maior e primeiro. Se eles têm, agora, dois deuses, primeiro eles têm que decidir quem é maior. Depois, aí sim, argumentem pelo topo da história.
Isso não faz de Messi pequeno. Se nos permitirmos debater o que antes seria absurdo até de se pensar, é porque o legado do capitão argentino já se fez enorme. A memória eternizada também.
Só que se o futebol é o que é hoje, o mundo deve ao que Pelé imortalizou.