Demitido da CBF no início de maio, quando era o diretor de TI (Tecnologia da Informação) da entidade, Fernando França tentou em vão a reintegração ao posto. A juíza Alessandra Magalhães, da 51ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro, negou seu pedido para voltar a fazer parte do quadro de funcionários da CBF.
França alega em sua defesa que atua na diretoria do Sindeclubes (Sindicato dos Empregados em Clubes, Federações e Confederações Esportivas e Atletas Profissionais do Estado do Rio e Janeiro), o que em tese poderia lhe garantir estabilidade temporária na CBF.
Mas a juíza considerou que o estatuto do Sindeclubes não estabelece com clareza os cargos que poderiam se beneficiar da estabilidade.
Com o apoio de clubes das Séries A e B e de federações estaduais, a CBF estuda pedir ao Ministério Público do Trabalho do Rio (MPT-RJ) uma investigação sobre o papel do Sindeclubes, incomodada com o fato de o sindicato abrigar vários profissionais com cargo alto na CBF, todos ligados ao ex-presidente da CBF, Marco Polo Del Nero.
França é um dos homens de confiança de Del Nero, ex-presidente da CBF banido pela Fifa do futebol por 20 anos por envolvimento em escândalos de corrupção. Antes de trabalhar na CBF, França foi gerente de TI da Federação Paulista de Futebol, quando comandada por Del Nero.
O ex-diretor de TI da CBF ainda não foi ouvido pela Justiça em outro processo que diz respeito a sua relação com a entidade. Ele está no centro de uma investigação sobre violação do e-mail pessoal do presidente Ednaldo Rodrigues e de grampos instalados no gabinete da presidência da CBF. Segundo o Terra apurou, a Justiça está com dificuldades de notificar França e já admite conduzi-lo de forma coercitiva aos tribunais.