Bolsonaro foi denunciado por dois crimes que ele mesmo sancionou enquanto presidente; entenda

Dois crimes atribuídos pela PGR ao ex-presidente foram sancionados por ele próprio; Jair Bolsonaro disse, em nota, que denúncia é 'inepta'

19 fev 2025 - 09h09
(atualizado às 09h23)

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) nesta terça-feira, 18, por cinco crimes contra a ordem institucional do País. Se condenado, Bolsonaro pode ser condenado a mais de 43 anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Jair Bolsonaro assina termo de posse, em janeiro de 2019
Jair Bolsonaro assina termo de posse, em janeiro de 2019
Foto: Roque de Sá/Agência Senado / Estadão

Dos cinco crimes atribuídos pela PGR ao ex-chefe do Executivo federal, dois foram sancionados pelo próprio Jair Bolsonaro enquanto presidente, em setembro de 2021. Tratam-se dos crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e de golpe de Estado.

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Os ilícitos foram incluídos no Código Penal pela lei de crimes contra a democracia. O texto revogou a antiga Lei de Segurança Nacional, herança da ditadura militar (1964-85), e tramitou por 30 anos no Congresso. A primeira proposta para alterar a Lei de Segurança Nacional foi de Hélio Bicudo (PT-SP), então deputado federal, em 1991. O texto aprovado em 2021 seguiu a redação de Margarete Coelho (PP-PI), então deputada federal.

A lei prevê reclusão de quatro a oito anos para quem "tentar, com emprego de violência ou grave ameaça, abolir o Estado Democrático de Direito, impedindo ou restringindo o exercício dos poderes constitucionais".

Já o artigo 359-M, que trata sobre o crime de golpe de Estado, pune com quatro a 12 anos quem "tentar depor, por meio de violência ou grave ameaça, o governo legitimamente constituído".

Em nota, a defesa de Jair Bolsonaro rebateu a denúncia da PGR chamando-a de "inepta", "precária" e "incoerente". Os advogados do ex-presidente também alegam que a denúncia é baseada em um acordo de colaboração "fantasioso" do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens da Presidência.

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O posicionamento de Bolsonaro também afirma que, "a despeito dos quase dois anos de investigações, (...) nenhum elemento que conectasse minimamente o (ex-) presidente à narrativa construída na denúncia foi encontrado".

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