Argentinos saem às ruas para manter memória do último golpe militar

24 mar 2025 - 20h20

Milhares de argentinos se manifestaram nesta segunda-feira em diferentes partes do país para lembrar as consequências do último golpe militar, 49 anos após o início de um dos períodos mais sombrios do país.

O bloqueio da democracia argentina, que durou quase oito anos (1976-1983), é lembrado pela dor que o povo teve de enfrentar devido aos desaparecimentos, à repressão e à tortura durante esse período, denunciados e investigados ao longo do tempo.

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A principal manifestação foi realizada em frente à mítica Casa Rosada, sede do Executivo Nacional, e foi liderada pelas históricas Mães e Avós da Plaza de Mayo, com o apoio de diferentes grupos, sindicatos, organizações de direitos humanos e famílias argentinas.

"É importante que continuemos a vir porque (temos que manter) a memória, para que as pessoas não se esqueçam", disse Sergio Albamonte, um químico de 63 anos que participou da manifestação.

"Embora esse (atual) governo queira fazer com que (as pessoas) se esqueçam, falar novamente sobre a guerra, sobre os lados, o que é uma mentira, é importante que estejamos aqui e que os jovens aprendam tudo isso e não se esqueçam", acrescentou.

Várias organizações estimam que até 30.000 pessoas foram sequestradas, torturadas e assassinadas no país durante a ditadura, a grande maioria das quais eram opositores, sindicalistas ou estudantes.

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Por sua vez, o governo do presidente libertário Javier Milei publicou um vídeo na rede social X intitulado "Dia da Memória, pela Verdade e pela Justiça. Completa", que gerou reações mistas a favor e contra.

O porta-voz da Presidência, Manuel Adorni, anunciou a decisão de desclassificar os arquivos mantidos pela Secretaria de Inteligência do Estado (Side) sobre as atividades militares e de guerrilha entre 1976 e 1983, entre outras medidas.

"Esta administração sustenta que o que aconteceu no passado deve permanecer nos arquivos da história, não na Side", disse o comunicado.

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