Um grupo com cerca de 100 imigrantes, na sua maioria asiáticos, deportados pelo Governo dos Estados Unidos foi encaminhado a um abrigo próximo da floresta de Darién, no Panamá, revelou o site The New York Times.
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“Parece um zoológico, há jaulas cercando”, disse Artemis Ghasemzadeh, um imigrante de 27 anos do Irã, depois de chegar ao acampamento após uma viagem de quatro horas da Cidade do Panamá. “Eles nos deram um pedaço de pão velho. Estamos sentados no chão", desabafou para o jornal.
Advogados ouvidos disseram que é ilegal deter pessoas no Panamá por mais de 24 horas sem uma ordem judicial. Sem a certeza de uma data para um possível repatriamento, essas pessoas seguem sem perspectiva no lugar que atravessa uma endemia de dengue.
O grupo foi enviado ao Panamá, que concordou em ajudar o presidente Donald Trump em seu plano de deportar milhões de imigrantes sem documentos, inclusive de países como China, Irã e Afeganistão, com quem os EUA tem dificuldades diplomáticas.
Uma advogada que procurava representar muitos dos deportados, Jenny Soto Fernández, foi impedida pelo menos quatro vezes de visitá-los no hotel, revela a reportagem.
No grupo existem pessoas que, se retornarem ao seu país de origem, podem ser julgadas e mortas.
A selva de Darién, para onde eles foram enviados, é também conhecida como "tampão", já que costuma limitar a ida da Colômbia para o Panamá.
O local tem 5 mil km² de matas tropicais, montanhas íngremes e rios, de acordo com o Acnur (Alto Comissariado das Nações Unidas Para os Refugiados). O que dificulta qualquer tipo de habitação na região devido às doenças, animais selvagens e águas turbulentas.