Dados do IBGE apontam que 30% dos divórcios no Brasil envolvem casais com mais de 50 anos, evidenciando o crescimento do 'divórcio cinza', impulsionado pela maior longevidade e busca por realização pessoal.
Dados do Registro Civil do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que cerca de 30% dos divórcios registrados no país nos últimos anos envolvem casais com mais de 50 anos. O chamado “divórcio cinza”, termo que define as separações a partir desta faixa etária, vem se tornando uma tendência crescente no país, puxado, principalmente, pelo aumento da expectativa de vida e a busca por realização pessoal, fatores que impulsionam cada vez mais indivíduos a reavaliar suas relações na maturidade.
Com os filhos já criados e a estabilidade econômica consolidada, a decisão de se divorciar na maturidade é vista como uma oportunidade para recomeçar. No entanto, o processo exige atenção especial em questões como partilha de bens e planejamento sucessório, como ressalta a advogada Ariadne Maranhão, especialista em direito de família e sucessões.
“A longevidade e a independência financeira são fatores determinantes para essa tendência de separação após os 50 anos. Mas, junto a esse fenômeno precisamos considerar que muitos casais acumularam patrimônio ao longo dos anos e a divisão desses bens precisa ser feita de forma justa e transparente para preservar os direitos de ambas as partes”.
A especialista destaca que, embora esses divórcios tendam a ser menos conflituosos, o impacto na estrutura familiar é significativo. Filhos adultos, apesar da surpresa inicial, costumam apoiar a decisão dos pais em busca de uma vida mais plena. A redefinição dos papéis familiares e os novos arranjos fazem parte desse processo de transformação.
O aumento do divórcio cinza reflete também uma mudança cultural. O estigma em torno da separação na terceira idade tem diminuído, acompanhando uma sociedade que valoriza cada vez mais o bem-estar e a autonomia individual. Para muitos, a separação marca não apenas o fim de um ciclo, mas o início de uma nova fase, com a possibilidade de explorar novos interesses, viajar ou até mesmo encontrar um novo amor.
A tendência ressalta a importância de um acompanhamento jurídico adequado para garantir que o processo ocorra de forma ética e respeitosa, preservando os direitos e o equilíbrio emocional das partes envolvidas.
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