Um grupo de cientistas da Universidade Técnica de Munique observou que um tratamento em ratos considerado eficaz contra o Alzheimer pode, na realidade, piorar a atividade do cérebro, segundo um estudo publicado nesta segunda-feira (9) na revista Nature.
Estes tratamentos, que reduzem os depósitos de ß-amilóide (Aß) no cérebro, resultaram ineficazes na reparação da deterioração neuronal em ratos transgênicos.
A acumulação de pequenas placas de Aß no cérebro, que constitui uma característica patológica do Alzheimer, altera as funções do circuito neuronal.
Para reverter essas deficiências, os especialistas em neurociência da citada universidade, Arthur Konnerth e Marc Busche, trataram os roedores do experimento com dois tipos de anticorpos diferentes: dirigidos contra os depósitos de Aß e anticorpos de controle.
Os cientistas constataram que, embora o tratamento com anticorpos tenha reduzido a quantidade de placas daninha no cérebro dos animais, ele também aumentou a quantidade de neurônios hiperativos.
Os autores do estudo disseram que os benefícios do método com anticorpos, para prevenir o desgaste das conexões neuronais e a deterioração da memória, não eram suficientes.
Além disso, sugeriram que os mecanismos observados poderiam explicar, em parte, por que este tipo de tratamento em testes clínicos em humanos não conseguiu melhorar o déficit cognitivo.
No entanto, os autores afirmaram que serão necessários mais estudos para determinar se o aumento da atividade neuronal anormal se relaciona com a pouca eficácia do tratamento contra os depósitos de Aß nos pacientes.