Diretor-geral da WWF faz balanço dos 50 anos de atuação da ONG
Diretor-geral da WWF faz balanço dos 50 anos de atuação da ONG
4 nov2011 - 10h36
(atualizado às 12h32)
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Espécies que viraram ícones da preservação ambiental como a baleia, o tigre, o elefante e o urso panda foram salvas da ameaça de extinção graças ao incansável trabalho durante 50 anos da organização ambiental WWF. Conhecida por várias gerações pelo seu símbolo, o urso panda, a ONG comemora meio século de existência durante o qual foi uma das vozes líderes em defesa da preservação do meio ambiente.
"Várias gerações no mundo todo cresceram com a WWF, milhares de pessoas aderiram à nossa causa, conscientizadas da importância de preservar os recursos naturais", disse em entrevista à agência Efe o diretor-geral da WWF Internacional, Jim Leape, na sede central da organização em Gland, na Suíça.
Questionado sobre qual seria a maior conquista da WWF nestes 50 anos, Leape escolhe a introdução do conceito de "desenvolvimento sustentável", em 1972, junto com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). A existência desse conceito seria impensável sem a experiência de uma década de conscientização social que a WWF já acumulava.
Isto pode parecer uma conquista menor se comparada com a sobrevivência do urso panda ou com a campanha de 2010 para salvar o tigre asiático, que contou pela primeira vez com o compromisso de governos de todos os países que abrigam esta espécie, como China, Índia e Indonésia. No entanto, para Leape, a introdução do conceito de desenvolvimento sustentável na agenda pública representa um "ponto de inflexão" na maneira de abordar a conservação do meio ambiente, porque muita gente entendeu que o ritmo de crescimento voraz que marcou o século passado era "pão para hoje, mas fome para amanhã".
"Acho que podemos sentir orgulho de termos contribuído para criar uma consciência coletiva de que a proteção do meio ambiente requer um debate público sobre o desenvolvimento sustentável", afirmou Leape, que está há mais de 15 anos na WWF, seis deles no comando da entidade. Apesar de todo o avanço no árduo caminho para salvar o planeta, a WWF sustenta que não chegou nem à metade do percurso, pois para suprir as atuais necessidades energéticas e de consumo do mundo seria necessário mais meio planeta.
"Usamos ao ano 50% a mais dos recursos que o planeta pode fornecer de maneira segura para garantir sua regeneração", denunciou o americano, de 55 anos. Ou seja, ainda estamos muito longe de alcançar a meta do "desenvolvimento sustentável". Um dos efeitos mais nocivos do processo excessivo e voraz de crescimento do último século foi uma perda sem precedentes do número de espécies e de biodiversidade, que caiu em 30% desde 1970.
Mas nem tudo são más notícias no tema da conservação. Nestes últimos meses foi descoberta uma nova espécie de primatas no Brasil e, segundo um estudo recente da WWF, 90% do total de espécies que vivem no planeta - cerca de 8,7 milhões - ainda são desconhecidas. "É um dado assombroso e encorajador, mas a contrapartida é que o número de espécies que já desapareceram pela ação do homem e que nem sequer chegamos a conhecer é provavelmente maior", lamentou.
O passo fundamental para conseguir um mundo melhor, que atinja esse estágio ideal de desenvolvimento sustentável, que preservaria a riqueza e biodiversidade do planeta e garantiria sua regeneração natural seria, segundo Leape, a conversão para um mundo alimentado exclusivamente por energias limpas e renováveis. "Não só é possível, mas é algo absolutamente urgente e imperativo", explicou Leape, que chama de "dementes e cegos" os que ainda negam a mudança climática.
No entanto, o diretor da WWF - organização que emprega mais de 5 mil pessoas no mundo todo - é realista, e admite que os interesses das grandes companhias energéticas, especialmente as petrolíferas, são um grande empecilho para a "reconversão verde" do planeta. Após analisar tudo o que foi consquistado até o momento e à luz dos desafios que o planeta ainda enfrenta, Leape afirmou que nos próximos 50 anos a WWF vai ter que trabalhar mais duro do que nos seus primeiros 50 anos de existência como "catalisador da mudança".
"É uma ironia cruel que na comemoração do nosso aniversário, quando vemos tudo o que conseguimos juntos, termos que pensar ainda que precisemos fazer muito mais", afirmou. As emissões de carbono, a escassez de água, a poluição dos oceanos, o aquecimento global, a superexploração da pesca e a perda de biodiversidade são os problemas ambientais mais urgentes.
Para o principal dirigente da WWF, estes são os indicadores do "desprezo com o qual o homem, em sua vida urbana e moderna, continua tratando a natureza".
O Greenpeace comemora nesta quinta-feira 40 anos de atuação. A instituição teve uma trajetória turbulenta, mas manteve seu sentido de independência, valendo-se apenas de doações pessoais no lugar de aportes governamentais e do financiamento de empresas. Os milhares de protestos realizados pelo mundo, que muitas vezes terminam em prisão, são a marca do movimento
Foto: Arte Terra/ AFP/ Getty Images / Getty Images
O Greenpeace comemora nesta quinta-feira 40 anos de atuação. A instituição teve uma trajetória turbulenta, mas manteve seu sentido de independência, valendo-se apenas de doações pessoais no lugar de aportes governamentais e do financiamento de empresas. Os milhares de protestos realizados pelo mundo, que muitas vezes terminam em prisão, são a marca do movimento
Foto: Arte Terra/ AFP/ Getty Images / Getty Images
Foto de arquivo, datada de 1º de agosto de 1985, mostra o casco bombardeado do carro-chefe do Greenpeace Rainbow Warrior, após sabotagem pelos serviços secretos franceses para impedir a ONG de protestar contra os testes nucleares no atol de Mururoa
Foto: AFP
O Rainbow Warrior I afundou após duas explosões em Auckland, Nova Zelândia. Um membro da equipe morreu. Investigações incriminaram dois agentes secretos franceses. O país europeu pagou uma multa ao governo neozelandês, usados na compra e reforma do Rainbow Warrior II. O barco afundado foi movido para longe da costa e virou um habitat marinho
Foto: Getty Images
O Rainbow Warrior II foi comprado em 1987 e passou por uma reforma até seu lançamento, em 1989
Foto: Getty Images
Em abril de 1985, ativistas escalam a fachada da loja Harrods, em Londres, para protestar contra o uso de peles de animais na moda
Foto: Getty Images
O canadense David McTaggart, em imagem de 1985, foi um dos grandes nomes do movimento. Em 1972 ele participou de uma expedição que impediu a realização de testes nucleares pela França em Muroroa (Pacífico) e ajudou a organizar os escritórios regionais da ONG, o que levou à criação do Greenpeace Internacional. McTaggart morreu em um acidente de carro em 2001
Foto: Getty Images
Imagem de 1977 mostra o barco Rainbow Warrior após um protesto contra a caça de baleias
Foto: Getty Images
Manifestantes são presos após danificarem cabos de uma empresa de energia. A ONG protestava contra o uso de recursos fósseis pela Fletcher Energy na Nova Zelândia
Foto: Getty Images
Policial corta correntes que manifestante usou para se prender a barco de pesca japonês, na Nova Zelândia. Os ativistas foram presos por tentar impedir a pesca de uma espécie de atum ameaçada de extinção
Foto: Getty Images
Manifestantes seguram cartazes durante protesto contra o então presidente americano George W. Bush, em frente à Casa Branca, em 2001. Os cartazes dizem (em tradução livre) "poluição começa aqui"
Foto: Getty Images
Manifestantes despejam soja não modificada geneticamente em um aviário em Christchurch, na Nova Zelândia. Os ativistas protestam contra o uso de transgênicos para alimentar as aves
Foto: Getty Images
Policiais prendem ativista preso em âncora de navio em Auckland, na Nova Zelândia. Os manifestantes afirmam que havia transgênicos na embarcação
Foto: Getty Images
Vídeo mostra ativistas despejando carvão na recepção de uma empresa de energia em Irvine, nos Estados Unidos, em 2002. O Greenpeace protestava contra os planos da empresa de produzir energia a partir de carvão na Tailândia. O ativista que fez o vídeo foi libertado, mas os outros foram presos
Foto: Getty Images
Ativistas usam embalagens de leite com a frase "Próximo passo: leite GE (sigla em inglês para engenharia genética)?". O protesto ocorreu em frente à Autoridade de Gerenciamento de Risco Ambiental, na Nova Zelândia, em 2002
Foto: Getty Images
Policiais tentam remover cartaz em incinerador do aeroporto de Auckland. Os ativistas protestavam contra a incineração de lixo, que pode poluir o ambiente com dioxina, uma substância tóxica ao ser humano
Foto: Getty Images
Balão do Greenpeace lidera protesto contra guerra em Berlim, em 2003
Foto: Getty Images
Manifestante se acorrenta a cerca em protesto contra o uso de transgênicos em restaurantes, na Nova Zelândia, em 2004
Foto: Getty Images
Turista senta em barco de observação de baleias em frente a cartaz do Greenpeace contra a caça do animal, em Sydney
Foto: Getty Images
Manifestante se fantasia de Morte - um dos quatro cavaleiros do apocalipse - em Copenhagem, na Dinamarca, durante a Conferência das Nações Unidas para as Mudanças Climáticas, em 2009
Foto: Getty Images
Ativistas são presos em Pittsburgh, nos Estados Unidos, após prenderem um cartaz na ponte West End, em 2009. A cidade sediava encontro do G20 que discutia crescimento econômico
Foto: Getty Images
Membro do Greenpeace caminha ao longo de praia contaminada pelo vazamento da petrolífera BP em 2010, nos Estados Unidos
Foto: Getty Images
Cartaz da ONG contra a energia nuclear é exibido durante jogo de futebol entre a Internazionale de Milão e o Palermo, em Roma
Foto: Getty Images
O navio Arctic Sunrise atravessa o gelo na passagem Fram Strait, no Ártico, em 2011. A embarcação é usada para estudar o nível de gelo nos polos
Foto: Reuters
Manifestantes escalam o monte Rushmore, nos Estados Unidos, em 2009. No cartaz, com a face do presidente Barack Obama, está escrito "América honra líderes, não políticos. Pare o aquecimento global"
Foto: Reuters
Membros do Greenpeace com sinais antinucleares participam de comício em frente à embaixada japonesa, em novembro de 1992. O protesto é contra o progresso através do Oceano Atlântico do cargueiro Akatsuki Maru, que carregava 1,5 t de plutônio
Foto: AFP
Um grupo de ativistas do Greenpeace fecham as portas de acesso do consulado francês da Cidade do México. O protesto é contra a abordagem francesa ao navio Rainbow Warrior, que navegava nas águas do atol de Mururoa
Foto: AFP
Ativistas do Greenpeace protestam com uma paródia da famosa escultura do artista francês Auguste Rodin, em frente ao Palácio de Belas Artes. A escultura denominada ¿O Pensador Chirac¿ foi apresentado em protesto contra o governo da França, que anunciou a retomada dos testes nucleares no atol de Mururoa
Foto: AFP
Greenpeace em frente do consulado francês em Manhattan, Estados Unidos. Manifestantes vestindo ternos brancos e máscaras de gás deitam na calçada, chamando para o fim aos testes nucleares franceses no Pacífico sul
Foto: AFP
Ativistas do Greenpeace protestam antes do início da reunião dos Ministros de Meio Ambiente da União Europeia. Com esta ação, a organização ambientalista pretendia atrair a atenção dos ministros europeus sobre as questões ambientais e climáticas, principalmente
Foto: AFP
Ativistas colocam um banner sobre uma série de bobinas que lançam esgoto a partir do reprocessamento de resíduos nucleares da usina de La Hague, na França
Foto: AFP
Ativistas do Greenpeace pintam um slogan sobre o navio de carga (Istanbul), enquanto o navio do Greenpeace Sirius bloqueia uma doca para impedir a entrega da carga de soja que continha grãos geneticamente alterados
Foto: AFP
Imagem divulgada pelo grupo mostra tartaruga morta em rede de arrasto
Foto: Sumer Verma/Greenpeace / Divulgação
Ativistas do Greenpeace em Paris, protestando a favor do direito de recusar alimentos geneticamente modificados
Foto: AFP
Um grupo repleto de manifestantes vestidos como Papai Noel protesta no dia 18 de dezembro de 1997 contra o uso de PVC mole em brinquedos, alegando que o material pode conter aditivos perigosos
Foto: AFP
Grupo do Greenpeace em trajes de pinguim seguram bandeiras e slogans em frente à residência oficial do primeiro-ministro em Tóquio. O movimento tinha relação com uma conferência internacional sobre o aquecimento global, que foi realizada em Kyoto, no Japão
Foto: AFP
Um grupo de ambientalista flutua em um balão sobre o monumento mais famoso da Índia, o Taj Mahal, exigindo o desarmamento nuclear global. O protesto se destinava a ¿despertar o mundo de seu sono" e ocorreu no dia em que o G8, que inclui as cinco potências nucleares, se reuniu em Londres para discutir os testes nucleares realizados pela Índia e pelo Paquistão
Foto: AFP
Um ativista do Greenpeace coloca uma máscara em uma estátua na Cidade da Guatemala . A organização foi protestar contra a falta de ação do governo para proteger as pessoas contra o alto índice de poluição registrado na capital da Guatemala
Foto: AFP
Ian Higgins, diretor executivo do Greenpeace na Austrália, oferece um pequeno almoço cozinhado em um ¿fogão¿ solar móvel para primeiro-ministro australiano John Howard do lado de fora de sua residência oficial em Sidney. O Greenpeace quer que o governo apoie a instalação de energia solar em 100 mil edifícios nos próximos anos
Foto: AFP
Para lutar pela reciclagem, ativistas se vestem de latas de lixo em Hong Kong, na China. Um estudo do Greenpeace constatou que apenas as 148 de 18.200 latas de lixo da cidade, ou 0,8%, têm compartimentos resíduos separação conduzindo uma chamada sobre o governo para renovar seus procedimentos de gestão de resíduos para reduzir, recuperar e reciclar
Foto: AFP
Contra a energia nuclear, manifestantes protestam na Pirâmide do Louvre, ponto turístico de Paris, na França
Foto: AFP
Ativistas do Greenpeace formam a cauda de uma baleia durante um protesto em 2001 na Cidade do México contra a proposta japonesa de caçar baleias