ONU admite que meta do Acordo de Paris não será cumprida e propõe novo plano climático
Corte radical nas emissões dos gases do efeitos estufa continua sendo a principal ação necessária para conter os maiores impactos
O PNUMA admitiu que a meta de limitar o aquecimento global a 1,5°C não será cumprida no curto prazo e propôs um plano para gerenciar esse excesso temporário até revertê-lo no fim do século. A ONU alerta que é crucial conter o pico abaixo de 2°C, priorizando o corte profundo de emissões de gases de efeito estufa e investimentos pesados em adaptação. Tecnologias de remoção de carbono devem atuar apenas como complemento, sem substituir a urgente descarbonização para evitar danos irreversíveis.
Em um diagnóstico sobre a trajetória da crise climática, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) admite que a meta mais ambiciosa do Acordo de Paris — limitar o aumento da temperatura média global a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais — não será cumprida no curto prazo.
Diante da inevitabilidade de exceder esse teto, a organização lança um novo plano focado no gerenciamento do chamado overshoot (extrapolação temporária da temperatura), detalhando caminhos para lidar temporariamente com um aquecimento acima de 1,5ºC e reverter o aumento até o fim do século XXI. As conclusões estão no relatório "Limiting Overshoot", divulgado nesta quarta-feira, 2.
O documento reforça que ultrapassar a marca de 1,5°C trará sérios impactos para ecossistemas e comunidades vulneráveis, mas enfatiza que conter o pico do aquecimento abaixo de 2°C é urgente para que o planeta consiga retornar a níveis mais estáveis.
O novo plano deixa claro que a prioridade absoluta continua sendo o corte profundo de dióxido de carbono (CO2), metano e outros gases de efeito estufa. Caso o aquecimento ultrapasse a faixa dos 1,8°C, a capacidade de retornar a um aumento de 1,5°C ainda neste século se tornará exponencialmente mais complexa e incerta.
Mencionada como uma peça-chave para reduzir as emissões, a remoção de dióxido de carbono — seja por métodos convencionais (reflorestamento) ou novas tecnologias (captura direta no ar e bioenergia com captura de carbono) — deve servir como complemento, jamais como substituta, da descarbonização direta.
O relatório alerta que o próprio aquecimento do planeta degrada a capacidade dos ecossistemas terrestres e marinhos de reterem carbono, criando um ciclo de retroalimentação negativa. O PNUMA destaca que mesmo os cenários mais otimistas exigirão investimentos pesados em adaptação. Planos de adaptação frágeis ou desalinhados correm o risco de gerar adaptações ruins, agravando desigualdades sociais e econômicas.
A mensagem central da ONU é pragmática: o estouro da meta não significa que devamos abandonar a agenda climática. Pelo contrário, exige governança rigorosa para evitar danos irreversíveis — como o derretimento do gelo polar e a elevação do nível do mar — e garantir uma transição justa rumo à neutralidade de emissões.
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