Nova técnica faz mosquito da dengue envenenar suas larvas
Controlar o mosquito que é o principal responsável pela contaminação de pessoas com o vírus da dengue não é uma tarefa fácil. O inseto em questão, o Aedes aegypti, evoluiu em paralelo com os seres humanos, vivendo em torno deles e se reproduzindo até mesmo nas menores poças de água - por exemplo, água de chuva acumulada em uma lata jogada no lixo, ou até mesmo a água aparada por um simples pires posicionado por sob um vaso de flores.
Com tamanha disponibilidade de locais de procriação, o uso de pesticida para conter o inseto se torna uma atividade extremamente trabalhosa que precisa ser conduzida de casa em casa. Mas Gregor Devine, do Rothamsted Research, um instituto de pesquisa agrícola do Reino Unido, teve uma ideia diferente: por que não usar os próprios mosquitos para realizar esse trabalho?
Aproveitando estudos de laboratório que demonstram que mosquitos adultos são capazes de apanhar um inseticida e transferi-lo, ele e seus colegas conduziram experiências de campo em Iquitos, Peru, com o uso de pyriproxyfen, um composto que mata larvas mas não faz mal a mosquitos adultos (e tampouco a seres humanos, nos volumes utilizados).
Depois de uma refeição de sangue humano, uma fêmea de A. aegypti sai em busca de um lugar escuro e úmido para repousar enquanto seus ovos se desenvolvem, e mais tarde voa em busca de água na qual possa depositá-los. Devine afirma que o trabalho de sua equipe, descrito na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, tira vantagem dessa rotina.
Ele e seus colegas criaram "estações de disseminação" que consistem de pedaços úmidos de tecido sob os quais foi espalhado pyriproxyfen em pó. Os tecidos ficam depositados sobre túmulos de um cemitério, e quando uma fêmea repousa sobre um deles as pernas do inseto carregam uma pequena dose do pesticida, que se espalha na água em que ela pousa para colocar os ovos.
Os pesquisadores constataram que a instalação de estações em apenas 3% dos locais disponíveis do cemitério resultou em cobertura de quase todos os habitats de procriação vizinhança imediata, e em mortalidade de 98% para as larvas do A. aegypti.
Tradução: Paulo Migliacci ME