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Pesquisa

Uso de anabolizantes pode aumentar agressividade

10 mar 2009 - 13h18
(atualizado às 13h33)
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O uso frequente de anabolizantes diminui a produção de receptores de serotonina em regiões do cérebro relacionadas ao controle da agressividade. Essa é a conclusão de uma pesquisa feita no Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da USP.

Segundo o estudo, o uso prolongado de 'bombas' impede a serotonina, uma substância responsável por controlar emoções fortes, passar suas informações de um neurônio para outro. Isto faz que usuários tenham grande chance de se tornarem mais impulsivos, agressivos e ansiosos.

Esse é o primeiro estudo a mostrar que o uso de anabolizantes altera a maneira que a informação genética é trascrita em diversas áreas do cérebro.

"O anabolizante nandrolona (conhecida no Brasil por Deca-durabolin) em dose muito altas interferiu no sistema da serotonina. Por isso, a agressividade pode ter um componente molecular", explica Silvana Chiavegatto, orientadora da pesquisa.

Para a serotonina atuar no cérebro são necessárias proteínas receptoras, fabricadas a partir do ácido RNA mensageiro. O autor do estudo, Guilherme Ambar, percebeu que a quantidade de RNAs mensageiros era entre 37% a 66% menor em camundongos que receberam anabolizantes.

Nos experimentos, Âmbar criou dois grupos de camundongos em condições idênticas. A partir do terceiro mês de vida, um dos grupos recebeu o anabolizante nandrolona por 28 dias. As doses foram semelhantes às usadas em academias - 10 a 100 vezes maiores do que as utilizadas pelos médicos em tratamentos. Depois desse período, Ambar analisou os neurônios de três regiões do cérebro: hipocampo, hipotálamo, córtex pré-frontal e amígdala.

A partir do 16° dia recebendo injeções diárias de nandrolona, os animais foram submetidos a uma série de testes de comportamento. Camundongos que receberam o anabolizante tiveram mais sinais de ansiedade em situações desconhecidas, foram mais impulsivos e mostraram maior agressividade.

Para medir a agressividade, os pesquisadores colocaram mais um camundongo na gaiola das cobaias e observaram as reações. Cerca de 75% dos camundongos que receberam anabolizantes atacaram o intruso nos primeiros 15 minutos, enquanto somente 30% do outro grupo atacaram. Os animais que tomaram nandrolona também agrediram de forma mais impulsiva: eles demoraram, em média, 400 segundos para atacar o intruso; a média do outro grupo foi de cerca de 700 segundos.

Os animais que receberam anabolizantes foram colocados, em outro teste, em um labirinto com áreas cobertas e descobertas e se mostraram mais ansiosos, fugindo rapidamente para as áreas protegidas.

"Os animais se comportaram como as pessoas que abusam de anabolizantes. Camundongos têm no cérebro um sistema para controlar emoções parecido com o nosso. Por isso, há fortes indícios de que os anabolizantes podem mudar a expressão de genes também no cérebro humano", explica a professora Silvana.

Segundo informações do Centro Brasileiro de Drogas Psicotrópicas (CEBRID), o Deca-durabolin é um dos anabolizantes mais utilizados no País. Um levantamento do Centro realizado em 108 cidades em 2005 mostra que 0,9% da população já utilizou anabolizantes alguma vez. Os maiores consumidores são homens entre 17 e 34 anos e o uso é maior na região Sudeste. O uso de anabolizantes aumentou 201% (triplicou) entre 2001 e 2005.

Jornal do Brasil Jornal do Brasil
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