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Espécie humana teria ganho postura ereta não no chão, mas nas árvores

Apesar do ambiente com menos árvores, semelhantes ao dos ancestrais humanos, chimpanzés Issa ainda preferiram andar em cima delas

15 dez 2022 - 14h25
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Os chimpanzés de Issa passavam tanto tempo nas árvores quanto outros chimpanzés de floresta densa
Os chimpanzés de Issa passavam tanto tempo nas árvores quanto outros chimpanzés de floresta densa
Foto: Pixabay

Um novo estudo da University College London em parceria com a Universidade de Kent (ambas no Reino Unido) e a Duke University (EUA), publicado hoje na revista Science Advances, mostrou que o comportamento humano de andar sobre duas pernas pode ter evoluído nas árvores, e não no chão como se imaginava. 

No trabalho, o comportamento de chimpanzés selvagens de Issa, região da Tanzânia na África Oriental, foi explorado. O habitat desses animais se caracteriza por um “mosaico de savana”, ou seja, mistura de terra seca com poucas árvores e pontos de floresta mais densa. Assim, é muito semelhante ao dos nossos primeiros ancestrais humanos.

Observando esse espaço, os cientistas tentaram descobrir se esse tipo de paisagem poderia ter incentivado o bipedalismo (nome para a prática de andar ereto sobre duas pernas) em espécies humanas. 

A conclusão foi que os chimpanzés de Issa passavam tanto tempo nas árvores quanto outros chimpanzés de floresta densa. Ou seja: apesar do ambiente mais aberto, eles não eram mais terrestres que os outros, como se pensava anteriormente.

Embora os pesquisadores esperassem que eles andassem mais eretos na vegetação mais aberta da savana, mais de 85% das ocorrências de bipedalismo registradas por eles aconteceram nas copas das árvores

Para os autores, a descoberta vai na contramão de teorias amplamente aceitas que sugerem que foi o ambiente da savana, aberto e seco, que teria incentivado nossos parentes humanos pré-históricos a andarem eretos
Para os autores, a descoberta vai na contramão de teorias amplamente aceitas que sugerem que foi o ambiente da savana, aberto e seco, que teria incentivado nossos parentes humanos pré-históricos a andarem eretos
Foto: Pixabay

Caminhando lá do alto

Para os autores, a descoberta vai na contramão de teorias que sugerem que o ambiente da savana, aberto e seco, teria incentivado nossos parentes humanos pré-históricos a andarem eretos. O estudo sustenta, na verdade, que eles podem ter aprendido a andar sob dois pés justamente para se moverem ao redor das árvores. 

Segundo o coautor do estudo, Alex Piel, nós naturalmente assumimos que, como Issa tem menos árvores do que as florestas tropicais típicas, onde a maioria dos chimpanzés vive, veríamos indivíduos com mais frequência no chão do que nas árvores. 

“Além disso, como muitos dos fatores tradicionais do bipedalismo (como carregar objetos ou ver sobre vegetações altas, por exemplo) estão associados a estar no chão, pensamos que naturalmente veríamos mais bipedalismo aqui também”, afirma ele. Porém, não foi o que encontraram. 

Dessa forma, o trabalho sugere que o recuo das florestas, no final da era Mioceno-Plioceno, há cerca de 5 milhões de anos, não teria sido um fator acelerador para que caminhássemos sobre dois pés. Na verdade, a permanência das árvores teria sido essencial para a nossa evolução, de acordo com Piel.

Para chegar nesse resultado, os autores registraram 13.700 observações instantâneas do comportamento de 13 adultos chimpanzés, sendo seis fêmeas e sete machos. Além disso, também fizeram 2.850 observações de eventos de locomoção individuais, como escaladas, caminhadas etc. por 15 meses. 

Assim, o comportamento dos animais nas árvores e na vegetação foi comparado para investigar padrões de associação. Também foi observado se o bipedalismo era associado a estar no chão ou nas árvores. 

Fonte: Redação Byte
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