Explosão e erros: veja os foguetes que falharam miseravelmente em 2022
Astra, New Shepard, protótipos da China e da Índia e Vega C; conheça os foguetes que não cumpriram seus objetivos neste ano
Marcando recorde em lançamentos de foguetes, o ano de 2022 teve muitos avanços no céu. No entanto, muitas tentativas de exploração do espaço também deram errado. Alguns explodiram, outros nem chegaram a sair da Terra, e outros até saíram, mas não realizaram as missões previstas.
Não foram poucas as frustrações deste ano com foguetes: desde o modelo Astra da Nasa passando por uma explosão até um da New Shepard, da empresa turística de Jeff Bezos, pegando fogo, além de falhas em protótipos da China e da Índia. Veja mais detalhes abaixo.
Explosão do foguete Astra
Fundada em 2016, a empresa aeroespacial americana Astra, parceira da Nasa, está tentando se colocar no mercado e surfava numa onda positiva após o lançamento do seu “Rocket 3”, em novembro de 2021. Porém, neste ano a sorte não foi a mesma, e no dia 10 de fevereiro tudo deu errado.
O foguete LV0008, de duas grandes peças, decolou da Estação da Força Espacial de Cabo Canaveral, na Flórida, e teve até um bom desempenho inicial.
Mas após curtos três minutos, um problema apareceu: a carcaça que cobre a estrutura do foguete parecia não se separar do resto do veículo, o que fez com que o motor da parte superior dele explodisse. O acontecimento resultou na perda da missão.
O Astra ainda teve uma segunda falha em 12 de junho, porque o motor da carcaça superior desligou mais cedo, fazendo com que o foguete não conseguisse entregar suas cargas em órbita.
New Shepard, de Jeff Bezos
O milionário Jeff Bezos, que também é dono da Amazon, vem mandando pessoas para o espaço como um tipo de turismo pela empresa Blue Origin. Mas o seu foguete New Shepard, em uma missão não tripulada (sem pessoas), não teve sorte em setembro.
Antes de alcançar 9 mil metros de altitude, o foguete teve um problema no propulsor e acabou totalmente em chamas. A boa notícia foi que, mesmo dando tudo errado, as medidas de emergência funcionaram e ejetaram a cápsula ao identificar o problema.
China com falhas consecutivas
Primeira empresa privada chinesa a lançar um foguete em órbita com o Hyperbola 1, em 2019, a iSpace registrou a terceira falha consecutiva para o mesmo foguete.
A quarta tentativa de lançamento do Hyperbola 1 aconteceu no Centro de Lançamento de Satélites de Jiuquan, no Deserto de Gobi, no dia 13 de maio. No começo, tudo parecia bem, mas depois de momentos de silêncio, veio a notícia: perda do foguete e de suas cargas.
Isso gerou um problema com o sistema de controle de altitude, que ficou sem direção. Foi preciso ativar o comando de autodestruição do véiculo.
Em novembro, o foguete Long March 6A, da China, também teve problemas. Apesar do sucesso na decolagem e na missão de levar suprimentos para a estação Tiangong, o foguete sofreu um desastre na órbita da Terra. A mais de 500 km de altitude, se desintegrou em vários pedaços, formando uma nuvem de lixo espacial que ameaçou atingir a Estação Espacial Internacional.
Na previsão inicial, a nave teria se desintegrado em 50 pedaços. Mas em dezembro já se contavam 350 fragmentos.
No mesmo país, outro modelo também deu errado. O Zhuque-2, da empresa Landspace, caiu no oceano minutos após a decolagem. Apesar da falha, o fato de o foguete ter sido construído já representou um avanço por ter sido o primeiro com combustível à base de metano.
Índia também esteve na jogada
O Small Satellite Launch Vehicle (SSLV), da Índia, foi lançado do Centro Espacial Satish Dhawan no dia 6 de agosto. Ele vinha indo bem, mas graças a uma falha no sensor, não conseguiu colocar sua carga de dois satélites no local planejado. Eles foram colocados em uma órbita elíptica no lugar de uma circular, segundo o presidente da Indian Space Research Organization (ISRO), S. Somanath.
Vega C
O Vega C, que é o principal foguete da Agência Espacial Europeia (ESA) em parceria com a Arianespace, foi o último a falhar em 2022, no dia 20 de dezembro. Essa foi a terceira situação problemática com os foguetes Vegas, dentre as oito últimas missões.
Lançado no Centro Espacial de Korou, na Guiana Francesa, com o objetivo de levar outros dois satélites para o espaço – os Plêiades, da Airbus – , sua missão teve que ser cancelada.
Três minutos depois da decolagem, uma anomalia e um resultado ruim: o Vega C e seus dois satélites no fundo do oceano Atlântico, na costa da América do Sul. Diante disso, a equipe da missão achou melhor realizar a autodestruição controlada, evitando que cidades pudessem ser atingidas pelos destroços.