Perdeu olfato por causa da covid? Esse novo remédio pode ser a esperança
Pílula antiviral chamada ensitrelvir recebeu aprovação emergencial no Japão no ano passado e permanece disponível no país
Uma nova pílula antiviral chamada ensitrelvir reduz a duração da perda de olfato e do paladar, dois dos sintomas mais incomuns e duradouros da covid-19. A informação foi publicada nesta terça-feira na revista científica Nature.
O remédio recebeu aprovação emergencial no Japão no ano passado e permanece disponível para pessoas com sintomas leves a moderados. Seu desenvolvedor, Shionogi, é sediado em Osaka e continua a conduzir testes clínicos do medicamento para obter uma aprovação definitiva.
O Xocova — nome comercial do ensitrelvir — foi o primeiro agente antiviral a mostrar eficácia sintomática clínica para cinco sintomas típicos relacionados à Omicrôn, além de eficácia antiviral em pacientes com infecção leve a moderada pelo SARS-CoV-2, independentemente dos fatores de risco ou do status de vacinação do paciente.
Em um dos experimentos com a substância, pessoas com sintomas leves ou moderados de covid-19 receberam 125 ou 250 miligramas de ensitrelvir ou um placebo. No início do estudo, 20% dos participantes relataram algum nível de perda de olfato ou paladar. Após o terceiro dia de tratamento, a proporção de voluntários que tomou o ensitrelvir e sentiram esses sintomas começou a cair em relação aos que tomaram o placebo.
No sétimo dia dos testes, a porcentagem de participantes com perda nos sentidos foi 39% menor no grupo que tomou pílulas de 250 miligramas do que no grupo medicado com o placebo.
Os resultados foram apresentados em 12 de outubro no IDWeek, um encontro de especialistas em doenças infecciosas e epidemiologistas em Boston (EUA).
No início da pandemia, em 2020, cerca de 40% a 50% das pessoas com covid-19 sentiram perda de olfato ou paladar, de acordo com estudos da época. O medicamento antiviral molnupiravir ajuda a recuperar esses sentidos, mas é normalmente indicado aos pacientes com risco aumentado de progressão da doença ou casos graves de covid, além de não recomendado para gestantes e lactantes.