Tecnologia permite "clone digital" para falar com parentes mortos
Empresas como HereAfter AI, StoryFile e You, Only Virtual já oferecem recriação de pessoas que morreram; entenda
A empresa HereAfter AI, com sede na Califórnia, criou uma tecnologia para que as pessoas conversem com parentes ou amigos que morreram via aplicativo de celular, que por sua vez funciona via inteligência artificial. A versão ilimitada de primeira linha do HereAfter permite gravar quantas conversas quiser, e custa US$ 8,99 (R$ 47,37) por mês.
De acordo com o portal MIT Technology, o objetivo da empresa é fazer com que os vivos possam conversar com os mortos por meio do recurso. Quatro horas de conversas de um entrevistador com os pais — ainda vivos — da repórter da publicação Charlotte Jee foram o suficiente para que começassem a ser recriados digitalmente.
O problema inicial para isso é ético: é até onde isso pode ir sem o consentimento da pessoa que está sendo recriada? A tecnologia pode ser reconfortante para amenizar a perda de pessoas, mas é possível que esse encontro prolongue a dor ou até mesmo afrouxe o nosso controle da realidade, segundo relatos ouvidos por Jee.
Além da HereAfter, a StoryFile também pretende trazer os mortos para fazer parte da conversa dos vivos. A empresa é capaz de proporcionar chamadas de vídeo mostrando a pessoa que já morreu conversando com você. E isso tudo capturando a pessoa em vídeo antes da morte dela, também. Ela oferece um pagamento único de US$ 499 (R$ 2631,90) para acessar seu pacote premium e ilimitado de serviços.
E em breve, em 2023, a startup You, Only Virtual, do fundador Justin Harrison, também irá lançar um serviço capaz de construir um bot a partir de mensagens de texto, emails e conversas por voz de alguém. Ele provavelmente custará entre US$ 9,99 e US$ 19,99 (R$ 52 e R$ 105) por mês.
O que avançou nas simulações
Esse tipo de avanço dialoga com o que já temos de moderno em assistentes de voz como Siri e Alexa, que se tornaram cada vez mais comuns nas casas das pessoas. Hoje em dia, é possível ajustar softwares como o GPT-3 do OpenAI ou o LaMDA, do Google, para fazê-los soarem mais parecido com uma pessoa em específico que queremos simular, alimentando esses sistemas com coisas que esse alguém disse.
O jornalista Jason Fagone, por exemplo, já escreveu para o San Francisco Chronicle sobre um homem que enviou textos antigos e mensagens no Facebook de sua noiva falecida para criar uma versão de chatbot dela, usando um software conhecido como Project December, construído no GPT-3.
Rohit Prasad, vice-presidente sênior e cientista-chefe da Alexa, já afirmou: "Embora a IA não possa eliminar essa dor de perda, ela pode definitivamente fazer as memórias durarem."