BYD, Chery ou GWM? Afinal, quem é mais forte no mercado chinês?
Seis montadoras chinesas apostam no mercado brasileiro, mas como estão a BYD, Changan, Chery, JAC, GWM e Seres no próprio mercado chinês?
O Brasil volta a ser invadido por carros chineses. Os veículos da gigante montadora chinesa GWM começam a chamar atenção do público brasileiro por causa da liderança do Haval entre os híbridos, da chegada do ORA elétrico e da futura produção do SUV Tank e da picape Poer. Mas, na China, a GWM perdeu relevância nos últimos anos.
Considerando os dados de venda interna e produção interna das marcas chinesas que estão no mercado brasileiro, a GWM é a 4ª de 6 empresas, somando todas as marcas estão sob seu chapéu e das concorrentes BYD, Changan, Chery, JAC e Seres.
Segundo a China Association of Automobile Manufacturers (CAAM), as marcas da BYD, da Changan e da Chery estão atropelando as marcas da GWM. Vale dizer, entretanto, que as operações da Changan e da Seres no Brasil ainda são muito pequenas. Os números de vendas internas do primeiro semestre, considerando só as montadoras que atuam no Brasil, são os seguintes:
BYD - 1.248.16
Changan - 901.517
Chery - 714.690
GWM - 519.015
JAC - 192.446
Seres - 54.643
Na disputa particular entre BYD e GWM, que tem chamado a atenção no Brasil nos últimos tempos, com anúncios de lançamentos e fábricas, a BYD também ganha fácil na produção: 1.272.980 veículos contra 531.144. Porém, a GWM tem força no exterior e suas exportações estão crescendo, mas os volumes são menores do que os da Chery e a BYD se aproxima.
No primeiro semestre a China exportou 2,14 milhões de veículos. No caso de automóveis de passageiros e comerciais leves, o volume chegou a 1,78 milhão. Desses, 534 mil foram de veículos eletrificados. É nesse terreno que a GWM tenta ganhar terreno, especialmente com os modelos da ORA (elétricos) e da Haval (híbridos).
No primeiro semestre a Chery (associada com a Caoa no Brasil), exportou 394 mil veículos, contra 124 mil da GWM e 81 mil da BYD. No ano passado a GWM exportou 173 mil e a previsão para este ano é de 260 mil.
De acordo com os dados de vendas da CAAM (que podemos considerar a Anfavea chinesa), a GWM perdeu volume nos últimos anos porque demorou muito para apostar nos carros elétricos, que passou a dominar amplamente o mercado chinês.
Para dar uma ideia, a marca ORA – única da GWM que vende elétricos puros – registrou apenas 47.298 carros no primeiro semestre (-20% em relação ao semestre do ano passado). No mesmo período, só no segmento de sedãs/hatches, onde a ORA atua, a BYD já vendeu 607.512 carros (+78%).
Considerando as marcas e não os grupos, a Haval caiu fora do top 10 chinês. A BYD se tornou a marca número 1 da China com mais de 1 milhão de vendas e a Changan ocupa o 5º lugar com quase 470 mil, conforme mostra o quadro abaixo.
No segmento de carros 100% elétricos, a BYD vendeu 524 mil EVs puros, representando uma participação de mercado significativa de 25%. A Changan ocupa o 5º lugar. Veja o ranking no quadro abaixo.
Quanto aos modelos mais populares no mercado chinês, os três primeiros veículos foram o Tesla Model Y, com 203.932 carros vendidos; o BYD Qin Plus, com 200.274 unidades vendidas; e o BYD Song Plus, com 176.526 veículos vendidos. O Haval H6 chegou a liderar o ranking em 2016, mas não está no top 10. Confira no quadro abaixo.
Para o Brasil isso não significa muita coisa, pois o mercado de carros elétricos ainda é pequeno. Por isso, a GWM Brasil está investindo tudo na importação do SUV Haval para ser líder do segmento híbrido, que está em crescimento, e na produção nacional de um SUV 4x4 e de uma picape com carroceria sobre chassi.
São nesses segmentos que a GWM é mais forte na China. Em algum momento no futuro o jogo vai virar a favor dos carros puramente elétricos. É possível que até lá a GWM tenha mais volume com os carros da ORA. Por enquanto, o jogo dos elétricos está a favor da BYD e da Chery, que também não aposta muito forte nesse segmento no Brasil.
Como o Brasil ainda está bastante atrasado no mercado de carros elétricos, a GWM Brasil vai usar sua força no segmento de SUVs na China para se impor com veículos híbridos. Segundo a CAAM, a Haval sozinha registrou 292.644 vendas no primeiro semestre (+1,3%).