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A curiosa relação entre Supla e Cazuza, que rendeu até música em parceria

Eterno Papito descreve saudoso cantor como "muito educado" e "sem papas na língua"; em comum, tinham consciência social em meio a origem abastada

11 mar 2025 - 13h42
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Capas dos álbuns Supla, de 1989, e Exagerado, de 1985
Capas dos álbuns Supla, de 1989, e Exagerado, de 1985
Foto: Capas dos álbuns Supla, de 1989, e Exagerado, de 1985 / Rolling Stone Brasil

Supla e Cazuza tinham mais em comum do que se pode imaginar em um primeiro olhar. Ambos vieram de família rica, mas, nas palavras do eterno Papito, tinham "noção do que acontecia ao redor".

Os dois chegaram a lançar uma música em parceria que explora justamente essa temática. Antes disso, claro, estabeleceram uma amizade na década de 1980.

Em vídeo publicado nos Stories do Instagram, transcrito pela Rolling Stone Brasil, Supla foi convidado por um fã a compartilhar um pouco de sua relação com Cazuza. O cantor punk definiu o colega falecido em 1990 como alguém "muito educado" e "divertido".

"Sempre cruzava o Cazuza no [programa do] Chacrinha, ou no Baixo Leblon depois que gravávamos o Chacrinha. Sempre foi muito educado comigo, divertido. Depois, tive uma amizade maior com ele porque a mãe da minha namorada era amiga da mãe do Cazuza. Ele ia tirar foto lá para a revista Bizz. O namorado da mãe da minha namorada era fotógrafo, fizemos a famosa foto das botas, em que ele usa a minha bota."

A namorada em questão se chama Fabiana Kherlakian; já sua mãe é Yara Neiva. Por sua vez, o fotógrafo citado é Marcos Bonisson.

Supla, Cazuza e "Nem Tudo é Verdade"

Ainda durante o vídeo, Supla cita a música "Nem Tudo é Verdade", composta em parceria com Cazuza. A faixa entrou em seu primeiro álbum solo, homônimo, lançado em 1989.

No livro Supla: crônicas e fotos do Charada Brasileiro (2015) (via Whiplash), ele dá mais detalhes sobre a canção e seu vínculo com o ex-vocalista do Barão Vermelho, a quem define como um sujeito "rock and roll" e "sem papas na língua".

"Gostei imediatamente dele [de Cazuza]. Ele era rock and roll. Não tinha papas na língua, falava o que vinha na cabeça. Ele não tinha vergonha de ser o que ele era. E eu também sempre busquei isso, desde o começo da minha carreira, como na letra de 'Humanos'. Querem me obrigar a ser do jeito que eles são, cheios de certezas e vivendo de ilusão. O Cazuza expressava muito isso! Algum tempo depois, fizemos uma música juntos, 'Nem Tudo é Verdade', que está no meu primeiro álbum solo e ganhou até vídeo no Fantástico. 'Vejo o Brasil do avião, é tudo verde, é tudo em vão…'"

Ao relembrar o desenvolvimento criativo de "Nem Tudo é Verdade", o vocalista de nome real Eduardo Smith de Vasconcellos Suplicy pontua:

"O processo de composição foi à distância. Conversamos por telefone, trocamos ideias e ele me mandou algumas partes da letra. O conteúdo da letra misturava o lance da gente vir de família rica com o fato de ter noção do que acontecia ao nosso redor. Bem diferente do 'Ah, eu tô bem, danem-se os outros'... A letra era uma visualização do que acontecia no Brasil."

Ouça "Nem Tudo é Verdade" no player abaixo (a partir de 27min07seg). Na sequência, confira a letra.

"A vida da moto, postes e mortes

Ao sol, no mar, na casa que foi lar

Daqui vejo tudo, tudo está perto, perto de se acabar

Futuro? Petróleo? O mundo não vai bem

O lixo do luxo usa a bandeira, só pensa em si

E em mais ninguém

Estrelas, modelos, não me deixam em paz

O medo existe só que o desejo corre muito, muito mais

É real, não leve a mal, a vida pode ser má

Sou feliz, mas as favelas não nasceram

Como um yuppie quiz

Vejo o Brasil do avião, é tudo verde, é tudo em vão

Baby acredite do coração, eu já te disse

Nem tudo é verdade

No carro roqueiros olham para o retrovisor

A lei vermelha incomoda

Folgando porque é superior

Inimigos e amigos estão em discussão

São nossas vidas, nossos sonhos

Não podem ser ilusão

Vejo o Brasil do avião, é tudo verde, é tudo em vão

Baby acredite do coração, eu já te disse

Nem tudo é verdade"

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