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Vozes famosas se unem em tributo a cantora lírica

23 jan 2009 - 09h39
(atualizado às 09h40)
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Alguém perguntou à mezzo-soprano Marilyn Horne, um dia, o que ela faria se fosse forçada a escolher entre a ópera e o canto lírico não dramático, e ela respondeu que com certeza preferia a segunda alternativa. Nos recitais, ela sempre teria a oportunidade de incluir árias no programa, disse, mas em uma ópera ela não conseguiria ser feliz sem "as minhas canções".

Marilyn Horne, NYT, interna
Marilyn Horne, NYT, interna
Foto: The New York Times

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A história foi contada pela mezzo-soprano Frederica von Stade, na tarde de domingo no Carnegie Hall, como parte do Celebrating Marilyn Horne, um concerto de gala produzido por uma fundação criada por Horne em 1994 com o objetivo de preservar a arte do recital lírico por meio de apresentações de jovens artistas em comunidades de todo o país. Horne vem há muito praticando aquilo que prega, e durante sua ilustre carreira fez mais de 1,3 mil recitais líricos.

O programa festivo de mais de três horas de duração, apresentado por Von Stade e pelo baixo Samuel Ramey, incluía cinco jovens cantores em ascensão, todos os quais vencedores de prêmios da Fundação Marilyn Horne, e um elenco de astros da música lírica que pareciam muito felizes em cantar cada qual apenas um número, a fim de participar da festa: o contratenor David Daniels, a soprano Karita Mattila, os barítonos Thomas Hampson e Dmitri Hvorostovsky, os baixo-barítonos Thomas Quasthoff e James Morris, e Ramey.

Um jovem tenor sobre o qual Horne está muito entusiasmada, Piotr Beczala, foi incluído no programa de última hora. Mas a maior parte das canções foi cantada, e com justiça, por mezzo-sopranos, entre as quais Dolora Zajick, Susan Graham, Joyce DiDonato e Von Stade.

Ainda que o concerto tenha acontecido para marcar o 15° aniversário da fundação, o principal propósito era celebrar os 75 anos de Horne, completados em 16 de janeiro. Houve tributos em vídeo de artistas que não puderam comparecer, entre os quais Harry Belafonte, Carol Burnett e Joan Sutherland.

Também foram exibidos vídeos com apresentações de Horne, entrevistas com membros de sua família e, em um segmento intitulado "elmos e couraças", uma série de fotos em que ela aparecia nos trajes dos guerreiros masculinos que Horne interpretou em óperas heróicas de Rossini e Handel, trabalhos negligenciados que seu canto levou à atenção de novas audiências.

Por volta da metade do espetáculo, quando A Song of Praise, uma peça animada para cinco cantores e piano a quatro mãos, composta por William Bolcom com letra hagiográfica de Sheldon Harnick, fez sua estréia, a apresentação ganhou ares de festa, e a presença de um crítico não parecia justificada.

A composição, um pastiche de marchas e valsas, entremeadas por trechos de Rossini, era uma diversão inofensiva, uma espécie de "esta é sua vida musical" em sete minutos de duração. Mas desde os primeiros versos ficava claro que as intenções não eram satíricas.

"Que a fanfarra ecoe!

Que as bandeiras se desfraldem!

Por aquela que é conhecida

Como a maior cantora do mundo: Marilyn Horne".

O fato é que existem mesmo ótimos motivos para não economizar entusiasmo ao celebrar o aniversário de Horne. Dois anos atrás, seus muitos amigos e incontáveis fãs tinham razão para temer que ela não chegaria aos 75 anos, quando a cantora recebeu um diagnóstico de câncer pancreático.

Graças à detecção oportuna e a um tratamento agressivo ela conseguiu se curar, informou Horne. No domingo, quando os artistas participantes mandavam beijos na direção da homenageada, sentada em um camarote central, eles pareciam realmente aliviados e jubilosos.

Entre os jovens auxiliados pela fundação estavam artistas que estão cantando na Metropolitan Opera nesta temporada, entre os quais a soprano Nicole Cabell, que cantou uma canção lírica e envolvente de Bizet; Meredith Arwady, que emprestou seu rico contralto a Where Corals Lie, de Elgar; e a mezzo-soprano Isabel Leonard, cujo estilo sensual e coloratura ágil pareciam ideais para Canzonetta Spagnuola, de Rossini.

O barítono Lester Lynch, em uma canção de Schumann, e o tenor Bruce Sledge, em uma canção de Bellini, foram igualmente impressionantes, todos com o talentoso acompanhamento de Carrie-Ann Matheson.

Os pianistas Martin Katz, Warren Jones e Brian Zeger foram os acompanhantes na segunda parte do programa, cujos destaques incluíram o delicado equilíbrio entre carisma vocal e simplicidade em uma canção folclórica de Dvorak; Hampson em interpretação contida e bela de Wo die schoenen Trompeten blasen, de Mahler; e Hvorostovsky arrebatando a platéia com O Carlo, ascolta, da ópera Don Carlo, de Verdi. DiDonato trouxe a casa abaixo com a peça final, Tanti Affetti, de Rossini, no passado um dos destaques do repertório de Horne.

Por fim, Horne subiu ao palco. Ela contou que não estava informada sobre o programa, organizada por seu colega Katz e seu empresário Matthew Epstein. A ovação se estendeu por um longo tempo, enquanto Horne abraçava maternalmente a cada um dos 22 artistas participantes.

(Tradução: Paulo Migliacci)

The New York Times
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