DJ Marshmello no Rock in Rio: o que o músico traz por baixo da máscara misteriosa?
Vamos combinar que o DJ Marshmello é um dos principais nomes da música eletrônica, né? Muito além do sucesso, sua imagem é marcada por trazer enormes olhos em forma de X, um sorriso um tanto quanto sinistro e claro, aquele arzinho de meme que a internet, especialmente brasileira, ama.
Aliás, o músico está prestes a desembarcar por aqui, especialmente para levantar o astral do público no Rock in Rio. O artista se apresenta no dia 3 de setembro, data que ainda contempla Post Malone e Alok - para a alegria dos fãs.
A atração, considerada a mais enigmática do evento, usa o rosto coberto por um balde em formato de marshmallow desde que surgiu nos festivais lá em 2015. Segundo publicou o G1, sites especializados do gênero ligam sua identidade à do DJ americano Chris Comstock, mais conhecido como Dotcom. Mas vale dizer que tudo nunca passou de um boato, viu? Nada foi confirmado até hoje!
O artista, que ganhou grande repercussão com o remix de "Where are ü now", feat de Jack Ü e Justin Bieber, não costuma ceder muitas entrevistas e pouco se sabe sobre sua origem e vida pessoal. No entanto, em uma biografia oficial, ele pontuou o motivo para esconder a face. "Eu quero fazer boa música. E para isso não é necessário você saber quem eu sou", foi econômico com as palavras.
O que está por trás do enigma de DJ Marshmello?
Ainda segundo a publicação, ele surgiu na linhagem de outros DJs mascarados, incluindo o duo francês Daft Punk. Todos seguem a mesma estética de mistério em suas jogadas de marketing. Além dele, é possível relembrar de Sia, Kiss, Slipknot e Gorillaz.
Em entrevista ao G1, Thiago Soares, professor e pesquisador de música e cultura pop da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), conta que é impossível definir um elemento único que justifique o comportamento desses artistas.
"No caso do Kiss, por exemplo, a maquiagem forte esconde até a idade deles. Eles envelhecem, mas não sofrem a repercussão disso. A máscara também redime um pouco esse lugar", pontuou. "Sobre a Sia, acredito que haja de fato uma estratégia poética. Também há uma crítica ao formato da música pop, ao artista como uma figura emblemática e central", avaliou.
E o DJ Marshmello?
Bem, segundo ele "uma interpretação pode ser a crítica à supervalorização dos DJs, a essa coisa do DJ popstar", analisa o pesquisador. "Me parece que ele também usa uma estética ligada à cultura digital, do emoji. A lógica do mascarado, do anônimo, também está muito presente na internet, com elementos como a máscara de 'V de vingança', o fake, o post anônimo", acrescenta.
Soares ainda aproveita para citar que o culto às máscaras é bem mais antigo do que qualquer astro do pop. "Não é uma coisa contemporânea. Faz parte da tradição do entretenimento a dimensão circense, cênica, que flerta com o teatro", explica. "Os atores usavam as máscaras para encenar emoções. Essa ideia de esconder o rosto surgiu a partir do crescimento da visibilidade."