‘Cinema também é político’: contexto político pode ajudar ‘Ainda Estou Aqui’ a vencer Oscar
Com três indicações ao Oscar 2025, incluindo a cobiçada categoria de Melhor Filme, Ainda Estou Aqui pode se beneficiar do cenário político
O filme brasileiro "Ainda Estou Aqui", dirigido por Walter Salles e estrelado por Fernanda Torres, não é apenas uma das produções mais celebradas do ano, mas também carrega um apelo político que pode ser decisivo na premiação da Academia. Em entrevista ao Terra Agora, a crítica de cinema Bárbara Demerov destacou a relevância temática do longa e como ele dialoga com questões urgentes tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos.
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“É um fato afirmar que "Ainda Estou Aqui" tem um apelo político muito interessante nos tempos que a gente está vivendo, não só aqui no Brasil como também nos Estados Unidos”, comentou Demerov. O filme retrata a trajetória de Eunice Paiva, uma dona de casa que se transforma em ativista dos Direitos Humanos após o assassinato do marido, Rubens Paiva, durante a ditadura militar no Brasil.
A crítica ressaltou que o contexto político norte-americano, mesmo com a polariza
ção exacerbada durante o governo Trump, não deve impactar negativamente as chances da produção brasileira. “A Academia, os votantes da Academia, são mais de 9 mil, pessoas da indústria que provavelmente não pensam como o Trump”, analisou Demerov.
Para Bárbara Demerov, o apelo de "Ainda Estou Aqui" vai além da história de Eunice Paiva, atingindo reflexões universais sobre memória, resistência e justiça social. “O cinema, ele também é político”, afirmou. Segundo ela, os votantes da Academia podem usar a premiação como uma declaração simbólica de valorização da arte, da memória e da história.
A crítica acredita que, caso a Academia esteja disposta a fazer uma espécie de "manifestação" sobre a importância de se preservar e revisitar a história em tempos de crises políticas e sociais, o filme brasileiro terá ainda mais chances de vencer nas categorias em que foi indicado.
Se vencer na categoria de Melhor Filme, "Ainda Estou Aqui" marcará um feito inédito para o Brasil. Além disso, a indicação de Fernanda Torres como Melhor Atriz reforça a relevância da produção, conectando-a à história de sua mãe, Fernanda Montenegro, indicada ao Oscar em 1999 por "Central do Brasil".
Com as indicações ao lado de grandes produções como "Duna: Parte 2" e "Wicked", o filme brasileiro chega à premiação com expectativas elevadas. A cerimônia do Oscar 2025 acontece no dia 2 de março, em Los Angeles, e pode ser um marco para o cinema nacional e para a maneira como o cinema internacional enxerga o Brasil.