Deborah Secco fala sobre as várias 'Brunas' de 'Bruna Surfistinha'
A primeira cena do filme Bruna Surfistinha saiu da sala de estar da atriz Deborah Secco. Diante de uma webcam, a personagem ainda adolescente veste uma camisola nada sexy e tenta sensualizar com uma ainda tímida consciência de seu corpo. A camisola, além de servir à personagem, serviu à atriz Deborah Secco na hora de convencer e, por que não, seduzir o diretor Marcus Baldini, de que aquele papel era seu e de mais ninguém. Anos antes dessa imagem chegar ao filme que estreia nesta sexta-feira (25), a atriz estava em sua casa recebendo não apenas o diretor como o produtor do título. Em algum momento da conversa, ela se levanta e vai até o seu guarda-roupa buscar e vestir a tal camisola larga e quase infantil. De volta à sala, ela joga os cabelos pra frente e se senta desajeitada diante dos dois.
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Aquele era o momento em que Deborah Secco tentava provar que podia não apenas interpretar a Bruna Surfistinha garota de programa, como poderia ser a adolescente nada popular chamada Raquel Pacheco, a menina real por trás da identidade que terminou sendo conhecida pelo Brasil inteiro. E a despeito de um inicial receio do diretor em colocar, como disse a própria Deborah, "uma atriz midiática em uma personagem midiática", a confiança foi mútua a partir daquele instante. A lembrança foi resgatada na tarde desta terça-feira (22), na coletiva de imprensa com a direção, produção e parte do elenco do filme que promete ser a grande bilheteria do cinema nacional neste primeiro semestre.
Na conversa com os jornalistas, Deborah Secco foi alvo de 90% das perguntas. Falou sobre alguma possível semelhança entre ela e a personagem do filme - "assim como a Raquel, eu também não fui a garota mais popular do colégio, era aquela menina estranha que queria ser atriz" - sobre seu conhecimento prévio da personagem - "quando o roteiro chegou pra mim, tinha uma vaga lembrança de quem era a Bruna Surfistinha e lembro de ter visto a Raquel em alguma entrevista de TV" - e principalmente sobre o processo de construção e fragmentação de personagem.
"Existem quatro Brunas no filme: havia a Raquel naquele ambiente de sua família, a Raquel virando Bruna, a Bruna virando a Bruna Surfistinha e, finalmente, a Bruna Surfistinha. E elas são emocionalmente muito diferentes, há na verdade um abismo entre todas. Filmar em desordem me exigiu muita concentração porque, num mesmo dia, eu tinha várias dessas pessoas para interpretar."
Protagonista de um filme que se vende tanto pela popularidade da personagem, quanto da atriz que a interpreta, Deborah Secco afirmou que comprou a ideia do estreante diretor Marcus Baldini em razão do roteiro que ele apresentou. E mais do que se preocupar com as cenas de sexo e nudez - que não são poucas - ela temia pela mensagem final do enredo: "Minha maior preocupação era de que o filme fosse leve demais a ponto de ser uma apologia à prostituição. Era importante pra mim que em algum momento o espectador se sentisse incomodado com aquilo, porque caso contrário o filme não teria funcionado."
Também presentes à coletiva, os atores Cássio Gabus Mendes, Cristina Lago, Fabiula Nascimento e Guta Ruiz explicaram que o compromisso com o filme aconteceu, quase sempre, pelo tratamento do roteiro. "Me seduzi completamente pelo roteiro e quando fui jantar com o Marcus, ele me passou confiança e segurança", explicou Gabus Mendes que, no filme, interpreta o primeiro programa (e depois recorrente cliente) que termina se apaixonando pela Bruna.
Fabiula, hoje conhecida na TV, mas cujo talento foi revelado no cinema com Estômago (2007), lembrou que trabalhar neste filme foi também uma chance de ela reencontrar uma personagem que fez parte de sua adolescência: "Vi de volta em Deborah aquela menina de Confissões de Adolescente, no programa que, naquela época, ajudava a resolver meus problemas".