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'O Último Ônibus' é um filme inglês ingênuo que emociona, na linha 'bobinho, mas tão bonito...'

Estrelado por Timothy Spall, longa-metragem de Gillies MacKinnon que chega aos cinemas nesta quinta-feira, 1, reflete sobre luto, memória e solidão. Leia crítica

1 jun 2023 - 20h10
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Tom (Timothy Spall, de 'Turner') é um homem idoso, aparentemente solitário, que não parece ter mais nenhum objetivo de vida a não ser pegar o próximo ônibus. E o próximo, e o próximo, e o próximo. Personagem do filme O Último Ônibus, que chega aos cinemas nesta quinta-feira, 1° de junho, ele precisa desesperadamente chegar em algum lugar, saindo de sua casa na Escócia e indo até a ponta da Inglaterra. Mas o que motiva esse homem?

Cena do filme 'O último ônibus'
Cena do filme 'O último ônibus'
Foto: Hurrycane Films/Divulgação / Estadão

É isso que o diretor britânico Gillies MacKinnon examina ao longo de 90 minutos. Pouco sabemos sobre Tom, a não ser desse objetivo claro e que não tem mais ninguém em sua vida. A mulher aparece em alguns flashbacks, assim como um bebê - será o filho do casal? O que aconteceu com a criança? São muitas perguntas que povoam a cabeça do público, enquanto o protagonista vai de ponto em ponto, de ônibus a ônibus.

Em termos gerais, O Último Ônibus é um filme inegavelmente ingênuo. Primeiramente, por conta da forma que trata Tom. Ele é um homem quase fabular, que dificilmente podemos encontrar no transporte público por aí, que parece servir a algum propósito divino. Sua existência lhe escapa - ele está aqui para servir. É uma visão romantizada do mundo que Gillies e o roteirista Joe Ainsworth (da série Chame a Parteira) colocam em prática.

Mais do que Tom, essa aura ingênua está no ambiente. Tudo é muito preto no branco. Se a pessoa é má na história, ela é completamente má. Se é boa, é de uma pureza estonteante. Dá pra sentir isso na cena que se passa dentro de um ônibus, em que Tom defende uma mulher muçulmana de um homem racista. Ela parece criada por alguém na internet para aparecer. Só faltou o público aplaudindo no final para ser completa.

'Filme bobinho, mas tão bonito...'

Mesmo nesse mar de ingenuidade que é O Último Ônibus, o filme encanta. Em uma sessão de pré-estreia do filme no último domingo, 28 de maio, no Belas Artes, quase todos saíram com os olhos vermelhos, chorando copiosamente. Ouvi alguém dizer que era um "filme bobinho, mas tão bonito". As bobagens e as ficções que surgem na história, e que poderiam tirar as pessoas do filme, acabam vencidas pela emoção de falar sobre perdas.

Sem spoilers, mas Tom é um homem que está passando por um intenso processo de luto. E, por ser tão fabular, talvez chegue no âmago das pessoas que estão passando por um processo similar. Podem ver pessoas queridas como Tom. É um pouco o que Peixe Grande, excelente filme de Tim Burton, faz: se vale de uma história repleta de fábulas e mágicas para mexer com o emocional das pessoas, fazendo conexão com aquilo que é mais puro.

Não espere algo grandioso de O Último Ônibus - ainda que a atuação de Spall seja, de fato, algo a se destacar também. A chave aqui é se deixar pela ingenuidade da trama e, talvez, encontrar um ponto de conexão com Tom. Se isso acontecer, tudo aquilo que não faz sentido na história deixa de existir em um estalar de dedos e sobra, enfim, apenas o afeto.

Cena do filme 'O último ônibus'
Cena do filme 'O último ônibus'
Foto: Divulgação / Hurrycane Films / Estadão
Estadão
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