Studio Ghibli ganhará festival nos cinemas após polêmica com IA
Filmes do adorado estúdio japonês retornam aos cinemas após trend nas redes sociais
A distribuidora de filmes asiáticos Sato Company anunciou que irá produzir a Ghibli Fest, um festival que levará de volta aos cinemas os principais sucessos do Studio Ghibli. O evento chega após a trend de imagens feitas com inteligência artificial inundar as redes sociais.
"[As imagens] são lindas, nostálgicas e encantam. Mas nada se compara à emoção de viver a magia do verdadeiro Studio Ghibli na telona", afirma a distribuidora em publicação no Instagram.
Por enquanto, os filmes anunciados no evento incluem A Viagem de Chihiro, Meu Amigo Totoro, O Castelo Animado, O Serviço de Entregas da Kiki e Ponyo - Uma Amizade que Veio do Mar. A distribuidora afirma que mais novidades serão informadas em breve. Datas, locais e valores dos ingressos ainda não foram divulgados.
O evento pega carona na tendência que tomou conta das redes sociais. Nos últimos dias uma atualização do ChatGPT-4o tornou público um novo gerador de imagens, descrito pela OpenAI como o mais avançado até o momento.
Segundo a empresa, a nova versão traz uma abordagem multimodal, permitindo a geração de imagens mais precisas e fotorrealistas. Contudo, o que mais chamou a atenção foi a capacidade da IA de recriar com impressionante fidelidade o traço delicado e detalhado das animações do Studio Ghibli.
A novidade, é claro, se espalhou rapidamente, e muitos começaram a usar a ferramenta para replicar fotos virais ou até pessoais no traço de animação característico do estúdio de anime. A repercussão foi tão grande que até o CEO da OpenAI, Sam Altman, entrou na brincadeira.
Ele fez uma publicação no X (antigo Twitter) comentando sobre a tendência e revelando que também foi transformado em um personagem no estilo Ghibli. Em tom bem-humorado, Altman brincou sobre a ironia de passar anos investindo no desenvolvimento da inteligência artificial, apenas para ser transformado em uma ilustração estilizada. Ele ainda alterou sua foto de perfil para uma imagem gerada no estilo do estúdio japonês.
No entanto, a tendência também despertou debates éticos a respeito da arte e do uso da inteligência artificial para replicar um trabalho autoral —uma discussão, aliás, que está entre as mais atuais da indústria do audiovisual. Em 2016, o fundador do estúdio, Hayao Miyazaki, já havia criticado o uso de IA, e se disse "completamente enojado". Ele declarou que jamais incorporaria tal tecnologia ao seu trabalho, considerando-a um "insulto à vida".
