Script = https://s1.trrsf.com/update-1765905308/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Michael Fassbender revela detalhes de 'Prometheus'

10 mai 2012 - 18h35
(atualizado às 19h24)
Compartilhar
Michael Fassbender vive o androide David, em 'Prometheus'
Michael Fassbender vive o androide David, em 'Prometheus'
Foto: Divulgação
Joe Utichi

Ele é um dos atores mais requisitados da atualidade. Michael Fassbender, que estrelou cinco filmes só em 2011 - entre eles o grandioso Bastardos Inglórios e o polêmico Shame - tem mais três estreias agendadas até o ano que vem. Seu mais novo personagem é, como ele mesmo define, um "mordomo espacial" que se sente inseguro ao lado de humanos devido a sua origem androide. O filme é Prometheus, superprodução dirigida pelo aclamado Ridley Scott (de Gladiador e O Gângster).

Do set do longa-metragem, o ator comenta sobre como foi encarnar um androide, o trabalho com Ridley Scott e a responsabilidade de participar do futuro épico, que estreia no Brasil no dia 15 de junho.

Terra: O que pode nos contar sobre a história de Prometheus?

Michael Fassbender: É basicamente uma viagem. É uma missão científica, se assim preferir. Estamos tentando entender se houve uma intervenção na história do planeta Terra feita por seres que não são deste mundo. E há essa nave, chamada Prometheus, que vai responder a essa pergunta tão antiga de "por que estamos aqui?", "por que fomos feitos?" e "qual é nosso propósito?".

Terra: E o que você acha sobre esses temas?

Fassbender: Essas discussões com certeza passam pela cabeça de todos. Talvez seja possível perceber a filosofia por trás da história. Isso não afeta a interpretação de modo muito significativo, mas nos mantemos cientes disso porque há diversas menções. É algo muito importante para meu personagem, o David, porque ele foi construído por humanos e pensa: "bem, alguém construiu vocês também, então também são programados". E os humanos respondem: "não somos programados. Temos livre arbítrio". E ele retruca: "ah, é mesmo?".

Terra: Então, David é um androide?

Fassbender: Sim, ele é tipo um mordomo de bordo. Um mordomo espacial. Então, presumivelmente, ele ficaria um pouco mais confortável com a ideia dos criadores, pois ele está consciente da existência deles desde seu primeiro dia. Acredito que o fato que colabora para isso é que ninguém dá muita bola para ele na nave. Ele é um cara isolado. Ele tenta se aproximar às vezes, mas há sempre um desconforto, como temos nos outros filmes de alien também, em relação aos robôs, que talvez não se deva confiar neles. Na cabeça dele, eles também foram construídos de certa forma. É seu próprio tipo de insegurança, sua própria defesa contra isso, que traz de volta o fato e faz com que ele sinta esses sentimentos humanos. Se algo é programado, um tempo depois, o programa se altera e diversas coisas tributárias começam a se formar sozinhas, e essas mudanças levam a outros traços de personalidade, o que é bem interessante.

Terra: Interpretar um robô altera sua forma de atuar?

Fassbender: Não altera a forma de encarar o papel, mas é necessário produzir uma conduta física para tentar entender como o robô pensaria. É um tipo lógico de criatura, então tudo é processado o tempo todo e tudo fica guardado para sempre. Como o andar, eu meio que inspirei meu andar em Greg Louganis. Ele era um atleta de saltos ornamentais, acho que do começo da década de 1980. Lembro-me de assistir a ele saltando quando eu era garoto. Sempre lembro que ele andava desse jeito muito peculiar até a borda do trampolim mais alto. Pequenas coisas como essa ajudam a compor o personagem. Esse cara é como um mestre de yoga. É como se ele estivesse em posição neutra o tempo todo. Não é como "um humano ficaria de pé com certa atitude". A postura dele é neutra. Mas sem transformá-lo em algo duro demais, porque eu queria interpretá-lo com certa ambiguidade sobre quão humano esse cara é e quão mecânico ou robótico ele seria.

Terra: Os androides de Ridley sempre são um tanto extremados. Como ele se encaixa no grupo?

Fassbender: Sempre há política dentro de um grupo, e acho que é por isso que temos esse grupo eclético. Isso realmente é uma decisão do Ridley, e Damon já determinou isso no roteiro. Depende do tempo, da fluidez, da inteligência do roteiro. Cada pessoa tem sua própria agenda naquela nave. Cada pessoa está lá porque tem um objetivo diverso do de todas as outras. Algumas pessoas estão lá pelo dinheiro. Outras, para obter respostas. Outras ainda têm a esperança de conseguir acesso a algum tipo de segredo. Outros estão lá num tipo de jornada de vingança. Há todos esses relacionamentos coletivos, individuais e motivações, e há muita intriga rolando antes que a caca atinja o ventilador.

Terra: Você sente o peso da responsabilidade de assumir um papel num filme de ficção científica de Ridley Scott, já que ele foi o criador de duas obras que definiram o gênero?

Fassbender: É mais ou menos a mesma coisa que lidar com X-Men: Primeira Classe, e acontece o mesmo em qualquer trabalho que eu decida assumir. Sente-se a responsabilidade porque as pessoas o estão contratando, especialmente pessoas do calibre de Ridley Scott. Não se quer desapontá-lo. Ele confiou em você ao escolhê-lo para o elenco. Então, faço muito trabalho preparatório, apresento o máximo de ideias que posso e levo tudo para a discussão. Aí é uma questão de confiança. O ator tem de confiar nele e se divertir e aprender coisas. O que quero dizer é que se trouxermos esse tipo de pressão para o set conosco, estaremos com problemas. Há sempre um certo medo, é claro. Acho que isso é uma coisa saudável. Sempre tive esse tipo de receio. Mantém o ator atento e não permite que sejamos complacentes, ao menos no meu caso é assim. Se eu trouxer esse tipo de pressão para o set, isso vai prejudicar minha interpretação. Preciso estar relaxado e confortável para tentar experimentar as ideias que tive.

Terra: Ridley o surpreendeu? Você tinha uma expectativa sobre como ele seria?

Fassbender: Não, não dá para ter. O que quero dizer que qualquer expectativa minha seria tão boa quando a sua ao chegar lá. A primeira coisa que você pensa é: "ó céus, não posso estragar tudo". É óbvio que sei que ele é uma lenda e trabalhou com alguns dos melhores atores, e então pensei: "bem, espero estar à altura. Estou pronto". E então a gente chega ao set e percebe que ele está muito tranquilo. Ele adora fazer seu trabalho. A energia com a qual ele vem para o set diariamente, o entusiasmo, o amor por seu trabalho - isso tudo é uma surpresa realmente agradável. Posso dizer que entrei num ritmo com ele muito rapidamente e que trabalhamos com rapidez e facilidade.

Terra: Os cenários são incríveis. Isso facilita o trabalho?

Fassbender: Acho que nunca verei algo tão impressionante quanto aqueles cenários. Lembro-me de caminhar na nave num dos primeiros dias e pensar "céus, é isso aí. Estou aqui". Sabe o que quero dizer? Foi algo do tipo, não precisava interpretar. E estou apertando todos esses botões e é como se, o departamento de arte pensou nisso. A ponte de comando é quase o bater do coração da nave, mostrando todos os sinais vitais. Pensaram em tudo. Com certeza, ter todas essas coisas ao redor ajuda, sem nenhuma dúvida. É como vestir o figurino. Se é um trabalho de época, estar cercado pelos objetos que teriam sido usados naquele tempo. Tudo isso ajuda a dar uma camada extra ao personagem.

Fonte: Terra
Compartilhar
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra