Autora do hit 'Just dance', Lady GaGa faz pop para as pistas
Quando se é (candidata a) diva, usar o microfone para cantar não é o suficiente. Enforcar-se com o cabo dá uma bela foto e deixá-lo meio de ladinho rende uma ótima pose. A nova-iorquina Stefani Joanne Germanotta, 23 anos, sabe disso. Mas Lady GaGa quer mais. Em seu primeiro disco, a cantora e compositora soube escolher um nome artístico impactante - inspirado em Radio Ga Ga, hit do grupo inglês Queen - e ainda mostrou com quantos produtores se faz um sucesso instantâneo.
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The Fame chega ao Brasil com cinco meses de atraso e os inúmeros sintetizadores de Just Dance já estão nas rádios brasileiras. O carro-chefe é dirigido pela cantora em parceria com o rapper e hitmaker Akon, na única música em que ele assina.
A loura tem o auxílio luxuoso de Martin Kierszenbaum, americano filho de argentinos e chefe do departamento artístico da Interscope Records. Entre suas crias recentes está o T.A.T.U., dupla de garotas russas que emplacou canções de levadas semelhantes às de Lady.
Se o lado europop vem com Kierszenbaum, também presente em Eh, Eh (Nothing Else I Can Say) e The Fame, a parte mais R&B do álbum é creditada ao americano Rob Fusari, já visto nos mesmos estúdios de Destiny's Child e Will Smith.
De arranjo hipnótico e melodia mais do que memorável, Paparazzi é a melhor dessa leva. "Eu sou sua maior fã / Vou te seguir até que você me ame / Papa-Paparazzi / Baby, não há outra superstar / Você sabe que eu serei sua / Papa-Paparazzi", canta no refrão responsável por dar uma pausa na pegada quase sempre dançante.
Na mesma toada, só que ainda menos indicada para boates, Brown eyes é outro fruto da dobradinha Lady e Fusari. O R&B genérico ganha em cores com a popstar.
A trajetória como compositora (das Pussycat Dolls, principalmente) antes de despontar no início do ano passado com Just Dance comprova que não se está diante de uma artista pré-fabricada. As lições no curso de música na Universidade de Artes de Nova York também contam pontos.
Os agradecimentos no encarte resumem: "gostaria de agradecer a Andy Warhol, David Bowie, Prince, Madonna e Chanel. Gostaria de agradecer à moda". Lady GaGa dá a entender que não é mais uma cantora pronta para ser esquecida na próxima virada de estação. Sem apelar para polêmicas fáceis, mal chegou e já tem seu espaço: a parte mais alta das paradas.