Stratovarius: "frio ajuda na alta produtividade do metal finlandês"
- David Shalom
- Direto de São Paulo
Para a grande maioria das pessoas, o nome Stratovarius pode parecer estranho. Mas em seu meio, o heavy metal melódico, e, principalmente, em seu país, a Finlândia, a banda é uma das maiores forças da música. Prova disso é que Elysium, o último disco do quinteto, lançado no início de 2011, atingiu o primeiro lugar nas paradas de sua terra natal.MÚSICA
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Fundado em 1984 - e estabilizado onze anos depois, com a entrada do vocalista Timo Kotipelto -, o Stratovarius revolucionou a cena musical no gélido país nórdico, hoje referência mundial em heavy metal e local onde o estilo ganhou status de música pop, com grandes representantes como o Nightwish.
Em 2004, no entanto, o grupo, dono de um prêmio Grammy finlandês e três discos de ouro, começou a ruir. Seu então guitarrista e principal compositor, Timo Tolkki, teve um surto psicótico que o acabou levando à internação em uma clínica de saúde mental. Na época, ele chegou a se banhar em sangue "em nome de Jesus" e a anunciar a demissão do vocalista do quinteto, colocando em seu lugar uma mulher - uma tal de Miss K -, que nunca chegou a gravar nenhum material.
Um ano depois, a banda voltou à ativa com sua formação clássica, algo que não durou muito após novo surto de Tolkki, cuja principal consequência desta vez foi a demissão do baixista Jari Kainulainen - ironicamente, hoje tocando com ele em seu projeto Simfonia - e no posterior anúncio do fim das atividades do grupo.
Contudo, os integrantes remanescentes bateram o pé, brigaram com o então líder do grupo e "ressuscitaram" o Stratovarius, que neste ano lançou seu 14º disco de estúdio e iniciou uma turnê mundial com os principais representantes do estilo, os alemães do Helloween - giro que passa pelo Brasil neste mês de maio.
Em entrevista exclusiva ao Terra, o frontman, Timo Kotipelto, 42, falou sobre as dificuldades nos últimos anos para a banda, a relação com seu ex-colega de palco e hoje desafeto Tolkki, e a saúde do baterista Jörg Michael, recém-recuperado de um câncer na tireóide. Por telefone, direto do hotel onde ficou hospedado em Bogotá (Colômbia), ele também contou como faz para cuidar de sua voz e o que pensa a respeito da crise atual do mercado fonográfico.
Confira o bate-papo na íntegra a seguir:
Como está sendo a turnê com o Helloween?
Fantástica. Eu pensava que ia ser uma boa turnê, mas ela tem sido muito, muito boa, com públicos grandes e ótimos shows. Tudo está muito legal, tivemos ingressos esgotados em Bogotá e no México. Estamos sendo recebidos por muitas pessoas, por fãs loucos e barulhentos. Não posso reclamar.
O Stratovarius está fazendo a turnê com status de banda convidada. Qual é a duração do show de vocês?
Nós tocamos durante uma hora, o que é bom. Somos convidados especiais, ou seja, é como se o show tivesse dois headliners.
Você teve alguns problemas com a voz recentemente e chegou a quase cancelar alguns shows desta turnê atual. O que houve afinal?
Nós estávamos tocando com o Helloween no final do ano passado e eu acho que comi alguma coisa ruim, ou algo assim, nos últimos shows. Quando voltei para casa, uns três dias depois, tive alguns problemas estomacais por envenenamento de comida, que depois se tornaram intestinais, e acho que a bactéria acabou se espalhando pelo meu corpo e afetando as cordas vocais. Minha voz sumiu completamente! Aí eu fui ao hospital e eles me deram os resultados dos testes que tinham feito, me dizendo que eu estava com um tipo de bacteria e teria de tomar uns remédios. Levou quase dois meses para minha voz voltar realmente e foi muito difícil estar no palco e cantar. Tivemos de cancelar dois shows na França (Paris e Lyon), mas eu tinha que tentar cantar, pois não queríamos cancelar toda a turnê. Fizemos os shows, mas foi muito dificil. Eu tentei o meu melhor, mas eu não podia cantar de fato.
Seu estilo de voz pede muito esforço. Quais cuidados você toma com ela?
Eu acho importante dormir o suficiente e, claro, aquecê-la. Alguns cantores não fazem isso, mas eu faço um aquecimento de pelo menos uma hora antes de entrar no palco. Eu preciso disso, preciso me concentrar antes de um show, não gosto de entrar com pressa na apresentação. Gosto de estar no local pelo menos uma hora e meia antes do horário previsto para a apresentação.
Eu me lembro de outros cancelamentos há alguns anos por causa de problemas com a voz...
Eu não cancelei tantos, mas talvez alguns. Uma vez, tivemos que cancelar uns shows porque eu estava no hospital com um problema na epiglote. Mas normalmente eu não os cancelo. Uma vez, no entanto, tivemos de adiar a turnê sul-americana, mas o motivo foi outro: eu queimei minha mão no palco. Meu médico me disse que era um grande risco viajar pois a pele ainda não estava curada. Aquilo não foi nada legal, mas agora está tudo bem.
No ano passado, o baterista Jörg Michael foi diagnosticado com um câncer na tireóide. Como ele está atualmente?
Ele está tocando conosco, e, acredite ou não, está tocando melhor do que nunca. É incrivel como Jörg se recuperou rapidamente. Naturalmente, foi um choque quando ele nos disse que tinha um câncer e teria de ser operado, pois ninguém sabia o que ia acontecer. Na época, ele nos disse: "não cancelem a turnê, arrumem um substituto para a primeira parte dela, pois não poderei estar lá com vocês. Mas eu voltarei". Claro que nós todos queríamos a sua volta, mas o problema era sério. Ele, então, foi operado e a maior parte do câncer foi retirado. Depois foi a uma clínica, onde precisou passar pelo processo de radioterapia. Claro que ele também perdeu muito sangue e não tocou por umas três semanas. Pouco antes do Natal, porém, ele voltou a ensaiar. A banda está de volta e isso é muito bom. Contudo, este período foi muito difícil, porque assim que ele voltou, eu perdi a minha voz. Foi como uma maldição na banda (risos). Agora, para a turnê sul-americana, com minha voz 100%, tudo está indo muito bem.
Sobre este assunto, uma curiosidade: muitos dos integrantes do Stratovarius eram fumantes. Esse câncer de Jörg incentivou algum deles a parar?
Não (risos). Eu não fumo. Jens fuma, Lauri e Matias também. Acho até que Jörg fuma às vezes, mas não mais diariamente.
O heavy metal é de uma popularidade surreal na Finlândia. Elysium, o disco mais recente do Stratovarius, ficou em primeiro lugar na lista dos mais vendidos do país e há muitas bandas do estilo por lá. Ao que se deve tamanho sucesso de um estilo com apelo muito menor em outros lugares?
É uma pergunta interessante. Talvez isso faça parte da mentalidade finlandesa e da natureza, porque nós temos longos invernos e você não quer tocar uma música feliz no auge do inverno, pois é uma época muito pesada (as temperaturas na estação comumente atingem -20ºC no país, além do fato de a luz solar não durar mais de quatro horas por dia no período). Acho que, talvez, seja por essa razão que gostamos dessas melodias tristes em tom menor, às vezes até depressivas. Mas eu não acho que o estilo entristeça de alguma forma, na verdade ele te faz sair dos sentimentos ruins, depressões, e tal. Acredito que ele influencia na forma como lidamos com a vida. Acho que é por isso que é assim, pela atmosfera que nos rodeia. E no verão também é um pouco estranho, pois o sol sequer se põe durante muitas semanas. É estranho. Então, eu acho que, talvez, nós, finlandeses, sejamos um pouco estranhos também.
E há uma enorme quantidade de bandas de heavy metal além do Stratovarius...
Sim, há tantas. Especialmente depois de nossa primeira turnê, provavelmente em 1994. Nós fomos a primeira banda finlandesa a fazer uma turnê pela Europa, ou uma das primeiras. Mas depois disso surgiram tantas bandas ótimas na Finlândia. Então, definitivamente, proporcionalmente à sua população, é o país onde o heavy metal é mais popular no mundo.
E como é a relação entre as bandas locais? Afinal, há uma grande variedade de grupos tocando outros sub-estilos dentro do heavy metal que muitas vezes se tornam rivais.
Não, nos damos muito bem. A Finlândia não é um país tão grande, somos cinco milhões de pessoas morando por lá. Claro que eu não sei direito quais são as bandas com turnês locais, apenas pelo país, mas tocamos em grandes festivais na Europa e sempre estão lá grupos finlandeses como o Sonata Artica, o Children of Bodom, o Nightwish, e isso é muito legal.
O guitarrista Timo Tolkki - que deixou o Stratovarius em 2008 - era o principal compositor da banda, mas, ao ouvir Elysium, soa como se ele nunca houvesse realmente deixado de escrever para vocês. Como o Stratovarius conseguiu manter exatamente o mesmo estilo? Há alguma fórmula para isso?
Não, não calculamos muito como fazemos músicas, porque, se você pensa demais no que as pessoas vão gostar, não funciona. Então, o que fizemos foi arrumar um novo guitarrista (Matias Kuppiainen) e começar a escrever novo material para ver como soava. Se tivesse soado totalmente diferente do Stratovarius, nós teríamos mudado nosso nome, mas nós ouvimos as músicas, tivemos bons momentos tomando cervejas e pensamos, 'hmm, soa como Stratovarius'. Mas é claro! Eu estou na banda há 16 anos, Jens (Johansson, tecladista) está há 15. Então, Timo Tolkki não é tudo, apesar de ele ter feito muita coisa no passado, de ter sido provavelmente o membro mais importante do grupo, nós três (Kotipelto, Johansson e Jötg Michael) também somos uma parte muito importante na história do Stratovarius. Nós poderiamos até trocar o nome, mas isso não faria sentido, pois os jovens jornalistas e os fãs ficariam, 'sabe, esse Metalium - ou qualquer que fosse o novo nome -, é a banda dos ex-Stratovarius'. Teria sido algo muito estúpido, porque sempre seríamos os ex-blá blá blá. Então, nós decidimos: já que vamos tocar o mesmo tipo de música e os hits antigos, manteremos o nome.
Nós todos ouvimos muitas coisas sobre a ocasião em que a saúde mental de Tolkki entrou em colapso. Contudo, eu gostaria de ouvir de você qual foi a sensação na época. Como você reagiu com a situação? Deve ter sido algo bem chocante.
Qual delas? (risos)
Aquela em que ele anunciou a separação da banda, colocou uma vocalista em seu lugar...
Cara, eu não quero voltar nisso. Esse cara definitivamente teve problemas e ele ainda age de forma muito estranha. Eu o respeito muito como músico, mas não como pessoa. Ele fez tantas coisas das quais eu nem quero falar a respeito. Eu não quero falar nada de mal sobre ele. Tolkki é um bom compositor e um bom guitarrista.
Na verdade, minha intenção não é falar sobre a doença. Mas como você, Kotipelto, encarou o fato de Tolkki separar a banda? Você chegou a pensar que estava tudo acabado?
Sim, mas ele fez isso tantas vezes. Alguns anos após eu ter entrado na banda, ele, de repente, despediu os integrantes fundadores do Stratovarius, o baterista (Tuomo Lassila) e o tecladista (Antti Ikonen), sabe? E depois ele se livrou de nosso antigo baixista, Jari Kainulainen. Então, ele estava fora de si. Para mim, sendo honesto, foi realmente muito difícil trabalhar com esse cara, apesar de termos passado por bons momentos. Tivemos momentos muito ruins com ele e não dá para esquecer disso, mesmo que tenhamos lançado alguns álbuns muito bons.
Então os surtos de Tolkki eram comuns? Eu imaginei que fossem apenas naquela ocasião...
Não, não foi só aquilo.
Você ainda fala com ele?
Não. Eu quero ficar o mais distante possível.
Você ficou tão chateado com ele a esse ponto, de nem conversar mais?
Não é só isso. Foram tantas coisas. Vamos colocar desta forma: para mim, é melhor não trabalhar com ele.
Você chegou a ouvir o novo projeto dele, o Simfonia, com André Matos nos vocais?
Eu acho que ouvi uma música, mas não lembro qual foi.
Como você vê o mercado de heavy metal no mundo atualmente? No Brasil, as coisas vêm piorando nos últimos anos, especialmente com as bandas nacionais de estilo mais melódico.
Bem, o negócio da música em geral está sofrendo uma queda, pois as pessoas não compram mais nenhum álbum, só querem ter tudo de graça. Como consequência, os selos de gravadoras não têm mais nenhum dinheiro para investir nas bandas, o que torna muito difícil a assinatura de novos contratos. Além disso, como as gravadoras não têm recebido nenhum dinheiro, elas não estão mais investindo em anúncios e, consequentemente, as revistas estão caindo, os sites online estão caindo, pois não recebem o dinheiro dos anúncios. Então, isso está afetando a todos relacionados ao mercado musical. A respeito do power metal, sabe, as tendências vão e voltam. O power metal nunca foi, como eu posso dizer, uma grande tendência, mas foi bastante popular, ao menos para nós, há dez anos. Agora, talvez esteja devagar, mas parece estar voltando, ao menos na Finlândia. Eu realmente não posso reclamar, mas é muito difícil para as novas bandas fazer uma turnê ou assinar um contrato com uma gravadora. Eu me sinto sortudo por podermos fazer essa turnê com o Helloween - claro que somos meio antigos, lendas, ou seja lá como quiser nos chamar - e o fato de estarmos fazendo isso há tantos anos mostra que ainda temos fãs. Torço para que tenhamos alguns novos fãs, ao menos nestes shows. Estamos tocando nas últimas duas semanas na América Latina e tem sido demais, muitas caras novas, caras antigas e todo mundo curtindo junto. Não é tão ruim, mas também não tão lindo para as novas bandas de rock neste momento.
Qual é a sua opinião sobre os downloads de músicas grátis?
Bem, eu entendo que as pessoas não tenham dinheiro, mas, mais uma vez, eu não sei o que dizer...se eu pudesse baixar um carro de graça, eu provavelmente faria o mesmo. Mas aí eu penso nas pessoas que produziram o carro. Porra, elas diriam, 'ei, você está roubando meu carro', e eu poderia lhes dizer, 'bem, você roubou minha música, ha, ha, ha' (risos). É dificil dizer, porque ontem nós demos uma entrevista a uma rádio local que nos perguntou o que ia acontecer com o mercado musical e o entrevistador estava dizendo que achava que ainda existiriam CDs, pois há fãs que ainda os compram. Mas, mais uma vez, é possível que as músicas estejam somente na internet e o problema do download de graça é que o orçamento das gravadoras está tão pequeno hoje que os fãs cada vez menos conseguirão música de boa qualidade. Meu medo é que a variedade de música de boa qualidade fique cada vez menor.
Você vê um futuro sombrio para as novas bandas por causa dessa falta de investimento das gravadoras?
Sim. É um grande problema para todos. É claro que o Metallica, o Iron Maiden ou o AC/DC, e, naturalmente, grandes pop stars como os Rolling Stones, têm uma enorme base de fãs, então não é tão ruim para eles, apesar de afetá-los também. Mas para as novas bandas é muito difícil. É claro que você pode tentar fazer suas músicas em seu estúdio caseiro e, às vezes, pode até se dar bem se tiver um bom equipamento. Se não precisar de uma grande e bombástica bateria, sabe, você pode usar uns samples. Ainda assim, é muito difícil. E o fato de as bandas não venderem mais tantos álbuns, as leva a fazer cada vez mais turnês, então temos cada vez mais bandas viajando para tocar neste momento, e, consequentemente, as pessoas não têm tanto dinheiro para comprar todos os ingressos para os shows. Então, é difícil, sabe? Eu fico muito feliz por poder fazer esta turnê agora.
Você sente essa mudança mercadológica no bolso? Após tantos anos, ainda consegue viver somente de música hoje em dia?
Sim, eu consigo. Eu não sou rico, mas, sabe, eu investi um pouco de dinheiro no passado, então estou até que bem. Claro que faço outras coisas (na música) além do Stratovarius (Kotipelto tem um projeto solo com três discos lançados, além de fazer parte das bandas paralelas Warmen e Cain´s Offering).
Você veio, inclusive sozinho, muitas vezes ao Brasil. De que forma enxerga o País e seus fãs?
Bem, eu nunca contei, mas estive no Brasil, provavelmente, umas sete vezes. Não tenho certeza, mas acredito que logo na primeira vez nós já eramos uma das primeiras bandas de metal finlandês, talvez até europeia, a realmente fazer uma turnê sul-americana. E tem sido, especialmente no início, uma aventura muito legal: novos países, tudo novo, novas experiências. Agora, é claro, as coisas melhoraram muito, temos mais fãs e tudo ficou mais organizado. E é tudo tão bom, a comida, o clima, é como, "hmm, seria ótimo se mudar para lá". Definitivamente, é sempre um prazer voltar ao Brasil. É um dos países mais importantes para nós.
Você sente hoje um tratamento, uma recepção diferente, daquela que teve quando veio para cá pela primeira vez, época em que o Stratovarius era praticamente desconhecido no Brasil?
Sim, mas talvez não por causa disso. Em nossa primeira turnê, nós não sabíamos muita coisa sobre excursões, mas, definitivamente, o promotor local sabia menos ainda. Então, algumas vezes...eu ainda me lembro, estávamos em Recife, acredito, e deveríamos ir ao local do show às 14h. Então, nos disseram que teríamos de esperar um pouco mais para isso. Deu 18h e nada aconteceu. Acho que, no fim das contas, chegamos ao local perto das 23h, apenas para descobrir que nada funcionaria direito, sabe (risos)? O kit de bateria estava incompleto, o microfone teve uma série de problemas e tudo o mais...mas nós fizemos o show. Então, sim, mudou nessas questões de profissionalismo e tal. É claro que se você vem da Europa, onde está acostumado com a pontualidade, fica como, "hmm, começamos às 15h. Ok...mañana, mañana, mañana". Mas não há problemas, eu gosto de estar aí. Tenho boas lembranças, então fico relaxado, sabe?
Serviço:
Helloween & Stratovarius
Local: Credicard Hall - Av. das Nações Unidas, 17.981 - Santo Amaro - SP
Apresentação: sexta-feira, 06 de maio de 2011
Horário show: 22h
Duração do show: aproximadamente 1h30
Ingressos: de R$ 50 a R$ 300
Classificação etária: Não será permitida a entrada de menores de 12 anos; 12 anos e 13 anos: permitida a entrada (acompanhados dos pais ou responsáveis legais); 14 anos desacompanhados
Capacidade: 6948 pessoas
Abertura da casa: 1h30 antes do espetáculo
Estacionamento: R$ 30,00
Acesso para deficientes
Ar condicionado