Santa Ceia nas Olimpíadas, Jesus trans ou gay: Relembre outras vezes em que artistas incomodaram
Banksy, Paul McCarthy, Marina Abramovic e Porta dos Fundos são alguns dos artistas que geraram incômodo em alguns grupos da sociedade com as suas obras
Das pinturas classicistas a óleo àquelas feitas digitalmente com auxílio de inteligência artificial. Do teatro grego aos monólogos contemporâneos. A arte se renova sempre acompanhando o tempo presente. Mas há um aspecto que não muda: o poder contestador que ela implica.
A representação de um banquete dionísico com drag queens e corpos diversos na abertura da Olimpíada de Paris na última sexta, 26 - que foi interpretada por muitos como uma sátira à última ceia de Jesus, eternizada por Leonardo da Vinci - incitou debates e, sobretudo, incômodo, inclusive aqui no Brasil.
Ao longo dos anos, outras obras também repercutiram por provocarem o establishment social, seja religioso, moral ou político. Relembre outros casos que geraram debate e reações da sociedade.
Stop and Search - Banksy, 2007
Escrita pela dramaturga escocesa trans Jo Clifford, a peça recria a história de Jesus Cristo como uma transexual, em um discurso bíblico que remete à aceitação. A adaptação brasileira protagonizada pela atriz brasileira Renata Carvalho em 2020 foi proibida de ser encenada por um juiz da cidade de Jundiaí, no interior de São Paulo, com base num processo movido por uma moradora da cidade. A decisão, posteriormente revertida, alegava que a peça era "atentatória à dignidade da fé cristã" por "trazer Jesus Cristo reencarnado como uma mulher transexual".
A repercussão da peça e da decisão judicial fez com que Renata fosse alvo de ataques nas redes sociais. Na época, a diretora do espetáculo, Natalia Mallo, afirmou ter sido vítima de "censura". "Apesar de saber que a peça pode causar opiniões contrárias, a gente nunca achou que seria alvo de censura", disse ao Estadão. Criticando a decisão do juiz, ela lembrou que o Estado é laico. "Ficamos tristes de ver a lei aplicada daquela forma, baseada em opinião pessoal".
A Primeira Tentação de Cristo - Porta dos Fundos, 2019
Nessa que é uma das mais famosas performances da artista sérvia, Abramovic colocou 72 itens sobre uma mesa - entre eles, um machado, uma pistola e uma bala de revólver - e ficou por seis horas na Galleria Studio Morra, de Nápoles, à disposição do público para que fizesse o que quisesse com ela, sem resistência. Em determinado momento, um espectador colocou a arma na mão da artista e a apontou para seu pescoço. A imagem registrada por um fotógrafo ficou eternizada no imaginário sobre a artista.