Ewbank sobre trabalhar com Gagliasso: "quero fazer novela sempre com ele"
Giovanna Ewbank não tem papas na língua. E é categórica ao dizer que, a princípio, não ficou muito satisfeita com o visual de Cristina, seu papel em Joia Rara. Para interpretar a vedete do cabaré Pacheco Leão, ela precisou adotar um tom louro platinado nos cabelos e viu complicação no processo. Mas gosta do resultado na personagem - e do fato de, na trama, estar trabalhando ao lado do marido, Bruno Gagliasso, o que a levou a ter a ideia de querer "fazer novelas sempre com ele".
"Retoco a raiz de 20 em 20 dias e fico, no mínimo, quatro horas no salão para fazer isso. Me dá agonia ficar tanto tempo parada, sinto que estou perdendo tempo útil da minha vida", protesta. No entanto, há compensações. "Esquecendo todo o trabalho que dá, ajudou muito na composição. Esse cabelo foi essencial para a personagem. Não podia ser outra cor", diz, tentando ver o copo sempre "meio cheio".
Além dos cabelos, o figurino é outra arma fundamental na hora de "entrar" na personagem. "Quando coloco a roupa da Cristina, já fico com uma postura diferente. É uma transferência de épocas que só agrega ao meu trabalho", afirma.
Para interpretar a ingênua e quase infantil corista, a atriz fez uma extensa pesquisa sobre a época e também assistiu a todos os filmes estrelados por Marilyn Monroe. As semelhanças de sua personagem com a sex symbol das décadas de 1950 e 1960 serviram para buscar referências nas interpretações da atriz norte-americana, que contrastavam sensualidade e ingenuidade.
"Cristina tem essa coisa de menina-mulher. Ela é quase uma 'loura burra'", entrega. Giovanna também precisou fazer aulas de dança para encontrar o molejo e a cadência existentes em uma jovem vedete. "Eu era muito dura, não dançava direito. As aulas foram essenciais para mim, porque todas as outras atrizes já tinham experiência com dança", avalia, comparando-se às companheiras de cena Letícia Spiller, Mariana Ximenes, Fabiula Nascimento e outras que fazem parte do cabaré comandado por Arlindo, personagem de Marcos Caruso.
Acostumada a testes, já que nunca foi convidada para atuar em uma novela, Giovanna garante que, tão logo recebeu a sinopse da trama de Thelma Guedes e Duca Rachid, ficou empolgada. O fato de seu marido, o ator Bruno Gagliasso, interpretar Franz, protagonista da novela das 18h, também contribuiu para aumentar a vontade de integrar o elenco.
"É muito bom acreditar e torcer pela mesma coisa que seu companheiro. Quero fazer novela sempre com ele", diz ela, que precisou passar por um teste diferente do habitual. "Cheguei com o texto decorado. E, na hora, a Amora (Mautner) trocou tudo", relembra, aos risos, enfatizando o lado marcante da improvisação promovido pela diretora.
Com um microfone e em um camarim, Giovanna teve de contracenar com duas outras atrizes que concorriam à vaga. Tudo na base do improviso. "Ela trocou as falas. Pediu para que fizéssemos outras coisas. E, no final, isso é algo muito bom. Você não fica engessado. As novelas da Amora são vividas e não têm pessoas apenas dizendo o que decoraram."
Sem um personagem fixo em um folhetim desde que interpretou a ingênua Suely em Escrito nas Estrelas, de 2010, Giovanna explica que faltaram bons convites. "Além disso, fiz alguns testes que acabaram não acontecendo", recorda ela.
Esse tempo foi essencial para a atriz se dedicar a aprender mais da profissão. "Meu primeiro trabalho na TV foi em Malhação (2007). Ali, ser atriz era só uma possibilidade. Fui aprendendo tudo na marra", avalia.
Durante os últimos três anos, ela fez participações em produções como O Dentista Mascarado e mergulhou de cabeça no teatro profissional pela primeira vez. "Aprendi muito sobre mim e sobre a minha carreira. Só fazendo teatro que tive certeza de que queria ser atriz para o resto da minha vida."
Entraves da beleza
A carreira de Ewbank não fugiu do padrão seguido por outras belas mulheres. A atriz paulista começou como modelo, muito por influência de sua mãe, Débora Ewbank, renomada produtora de moda e design têxtil. Ainda adolescente, começou a fazer teatro.
"Era muito tímida. Fazia como terapia, para me soltar mais", justifica. A experiência nos cursos a levou à oportunidade de fazer Malhação, seu primeiro trabalho na TV. Se sua beleza, evidenciada pelos grandes olhos azuis, foi um fator que a ajudou a alavancar sua trajetória com a publicidade e as passarelas, por outro lado, segundo ela, a atrapalhou um pouco em sua carreira de atriz.
"Por causa da minha aparência, sempre senti, nos trabalhos que fazia, que tinha de provar mais em cena. Mais do que os outros atores. Eu tinha de mostrar que merecia estar ali", ela recorda.
No entanto, Ewbank acredita que essa pressão foi diminuindo aos poucos. Com quatro novelas no currículo, a atriz sente que agora é menos cobrada. Além disso, acredita que já conseguiu certo reconhecimento. "Hoje desencanei. Se esse pensamento de que só estou onde estou por causa da minha aparência ainda existe, isso não me afeta mais", garante.
Instantâneas
- Quando ainda trabalhava como modelo, Giovanna Ewbank começou a fazer faculdade de moda. No entanto, os trabalhos como atriz a impediram de concluir o curso
- Com cerca de 15 tatuagens espalhadas pelo corpo, ela leva, em média, 40 minutos para escondê-las antes de começar a gravar o folhetim das seis
- Assim que terminar as gravações de Joia Rara, a atriz garante que quer encontrar um bom papel no teatro.
- Giovanna estará no longa Jogos Clandestinos, de Caio Cobra, como uma stripper. O filme começa a ser rodado ainda neste ano