Kung fu não livrou 'Negócio da China' de fórmula desgastada
Na trajetória claudicante de Negócio da China, o autor Miguel Falabella exerceu os papéis de culpado e de vítima. Para tentar recuperar a audiência do horário das seis e fazer o folhetim ultrapassar a marca dos 20 e poucos pontos, ele investiu em atrair os jovens.
E aumentou a dosagem do romance até ser surpreendido pelo protagonista Fábio Assunção, que teve de deixar a história. Apostou então nos beijos e amassos de Lívia e João, de Grazi Massafera e Ricardo Pereira. Deu destaque aos personagens cômicos, coisa que sabe fazer bem.
E por meio dos personagens Flor de Liz e Liu, interpretados por Bruna Marquezine e Jui Huang, apelou até para o sobrenatural. Mas a miscelânea virou um sopão insosso. E tantos tiros, para todos os lados, mostram que não sabe o que fazer para seduzir o público.
A Globo não está acostumada a grandes ousadias na teledramaturgia. E não se trata de fazer uma novela repleta de mutantes ou com a realidade nua e crua das favelas, as preferências da Record.
Mas há um bom tempo a Globo tem apresentado tramas muito parecidas. Negócio da China é só mais uma. Apesar de se utilizar de vários ingredientes, Miguel Falabella não apresentou nada de novo. Talvez por falta de espaço para inovar.
Triângulos e desencontros amorosos pouco atraentes, vilões em pele de cordeiro, personagens engraçados caricatos e diálogos previsíveis resumem centenas de novelas. Inclusive essa, que chega ao fim.
Mesmo sendo um autor experiente que já fez relativo sucesso no horário das sete com as divertidas Salsa e Merengue e A Lua Me Disse, Miguel foi transferido para um horário problemático e não conseguiu se livrar de amarras.
Em uma época em que faltam novos escritores de novelas, Falabella era uma peça-chave para a emissora. Tornou-se mesmo é um refém.
Em meio a tanto marasmo, Negócio da China chega ao fim sendo lembrada apenas por boas interpretações isoladas. O que é muito pouco. Bruna Marquezine cresce e aparece e atrizes apagadas há um bom tempo voltaram com todo o fôlego.
Vera Zimmerman esteve brilhante como a fútil e irônica Joelma e Luciana Braga também chamou a atenção como a frustrada Denise. Quem se destacou ainda mais foi Fernanda de Freitas.
Como a doce Antonella, cresceu a cada cena e mostrou que mocinhas com personalidade podem agradar. O núcleo do El Chaparrito rendeu os melhores momentos do folhetim, comprovando que o humor ainda é a melhor válvula de escape em uma novela.
E os problemas que Miguel Falabella imaginou que poderia ter com a inexperiente Grazi Massafera não ocorreram. A moça cumpriu bem a sua função e foi o menor entre todos os males.