Ziraldo, criador de 'O Menino Maluquinho', morre aos 91 anos; relembre a trajetória do cartunista
Velório começa às 10 horas deste domingo, 7, no Rio. O escritor morreu de causas naturais, segundo informou a família
O cartunista, desenhista e escritor brasileiro Ziraldo morreu na tarde deste sábado, dia 6, aos 91 anos, de causas naturais, segundo a família. Ele estava com a saúde debilitada havia algum tempo, desde que sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) em 2018.
Nome essencial da literatura para crianças, mas não só, ele marcou e ajudou a formar gerações de leitores com livros como O Menino Maluquinho e Flicts e a série Os Meninos dos Planetas, todos no catálogo da Melhoramentos.
Ziraldo morreu em sua residência, na Lagoa, no Rio. O velório ocorre neste domingo, 7, a partir das 10 horas, no Museu de Arte Moderna do Rio (MAM) - e não na sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), como foi anteriormente divulgado. O sepultamento será no Cemitério São João Batista, às 16h30, também no Rio.
O Menino Maluquinho é considerado um dos maiores fenômenos editorais brasileiros de todos os tempos. Estimativas dizem que foram mais de 110 milhões de livros do personagem vendidos desde 1980, quando ele apareceu.
Ziraldo teve seus livros traduzidos para dezenas de idiomas. Nos anos 1990, seus personagens também viajaram o mundo ao se transformarem em selos comemorativos de Natal dos Correios. Por pelo menos duas vezes, foi homenageado por escolas de samba no Carnaval do Rio.
Ele teve diversas passagens na televisão, apresentando e participando de programas e produções. O fim de sua vida foi marcado também por polêmicas na Justiça. Em 2011, a Justiça Federal do Paraná condenou o cartunista a dois anos de prisão pelo registro indevido da marca do Festival Internacional do Humor de Foz do Iguaçu, realizado em 2003. Ziraldo foi enquadrado no crime de estelionato. A pena foi substituída por multa e prestação de serviços.
Em outra confusão envolvendo o mesmo festival, ele foi condenado a dividir a devolução de R$ 290 mil num caso de improbidade administrativa referente à edição de 2005. Ele foi absolvido pela segunda instância em 2015 e 2017.
Em 2012, em entrevista ao Estadão, ele propunha uma maneira de ajudar o Brasil: "Eu tenho a solução para a questão da educação no Brasil. É simples: a criança tem de chegar na universidade lendo e escrevendo como quem respira. É só isso que a criança tem de aprender na infância: ler, escrever e contar. A única maneira é ela tendo uma professora só. Não pode a criança ter uma professora nova a cada ano. A criança fica traumatizada de ficar longe da mãe, a professora é aceita como uma segunda mãe, ela se encanta com a professora, volta pra casa, depois, no ano que vem, cadê? Não tem jeito! Nós temos que fazer essa escola." Controvérsias à parte, Ziraldo consolidou seu nome na cultura do País, e sua perda deixa órfã mais de uma geração de brasileiros.
Os maiores sucessos de Ziraldo
- O Menino Maluquinho (1980) - Mais de 4,1 milhões de exemplares
- Uma Professora muito Maluquinha (1995) - Mais de 500 mil exemplares
- Flicts (1984, pela Melhoramentos) - Mais de 500 mil exemplares
- O Bichinho da Maçã (1982) - Mais de 300 mil exemplares
- O Planeta Lilás (1984) - Mais de 200 mil exemplares
- Menina Nina (2002) - Mais de 140 mil exemplares
- O Menino Quadradinho (1989) - Mais de 120 mil exemplares