Dólar tem leve queda e fecha aos R$ 5,91, com mercado ainda de olho nas políticas tarifárias de Trump
Esta foi a sexta sessão consecutiva de perdas para o dólar ante o real
O dólar terminou a segunda-feira quase estável no Brasil em meio ao recuo firme dos rendimentos dos Treasuries, após a startup chinesa DeepSeek abalar o setor de inteligência artificial em todo o mundo.
A moeda norte-americana à vista fechou em leve baixa de 0,09%, aos 5,9128 reais -- a menor cotação desde 26 de novembro do ano passado, quando encerrou em 5,8096 reais.
Esta foi a sexta sessão consecutiva de perdas para o dólar ante o real, apesar de a moeda norte-americana ter ensaiado pela manhã uma recuperação.
Em janeiro o dólar acumula baixa de 4,31%.
Às 17h05 na B3 o dólar para fevereiro -- atualmente o mais líquido -- cedia 0,25%, aos 5,9025 reais.
Após acumular baixa de 2,42% na semana passada, o dólar ensaiou uma recuperação na manhã desta segunda-feira ante o real, acompanhando o avanço da moeda norte-americana ante outras divisas de emergentes no exterior.
Por trás do movimento estava o receio de que o presidente Donald Trump possa adotar tarifas de importação mais elevadas na relação com estes países. No domingo, EUA e Colômbia evitaram por pouco uma guerra comercial, depois que a Casa Branca disse que o país sul-americano concordou em aceitar aeronaves militares com imigrantes deportados.
Trump havia ameaçado impor tarifas e sanções à Colômbia para puni-la por se recusar a aceitar voos militares que transportavam imigrantes deportados.
Às 9h15, pouco depois da abertura, o dólar à vista marcou a cotação máxima de 5,9569 reais (+0,65%). O movimento, no entanto, não se sustentou.
Principal gatilho para as negociações globais no dia, a notícia de que a startup chinesa DeepSeek lançou na semana passada um assistente de IA gratuito e de custo bem menor, na comparação com outras empresas estabelecidas no mercado, provocou uma aversão a ativos de maior risco.
Papeis de empresas ligadas à IA despencaram em todo o mundo, pesando sobre índices acionários como o Nasdaq, que recuava mais de 3% em Nova York. Investidores foram em busca da proteção dos Treasuries, o que fez os rendimentos dos títulos norte-americanos cederem. O dólar também cedia ante o iene e o franco suíço -- consideradas moedas de proteção.
No Brasil, este cenário retirou força do dólar ante o real.
"Pela manhã faria sentido algum tipo de realização, com movimento de compra de dólares. Mas isso não foi suficiente para firmar o câmbio para cima", comentou durante a tarde o diretor da assessoria de câmbio FB Capital, Fernando Bergallo.
Segundo ele, o exterior pesou sobre as cotações do dólar no Brasil em um contexto de "excesso de depreciação do real no final do ano passado".
"Como tivemos a moeda que mais se desvalorizou... também é a que primeiro se recupera agora", acrescentou Bergallo, em referência ao fortalecimento recente do real.
Às 15h06 o dólar à vista marcou a mínima de 5,9001 reais (-0,30%), para depois encerrar mais perto da estabilidade.
Às 17h22, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- caía 0,28%, a 107,370.