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Economistas, políticos e empresários lamentam morte de Pastore: 'Perda enorme para o País'

Personalidades destacam trajetória, rigor científico e importância de Affonso Celso Pastore para o pensamento econômico brasileiro

21 fev 2024 - 11h29
(atualizado às 20h22)
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A morte de Affonso Celso Pastore, de 84 anos, na manhã desta segunda-feira, 21, comoveu economistas do País. Em depoimentos, eles falam de sua paixão pela economia e pelo trabalho dos banco centrais. "Sempre esteve à frente do seu tempo, desde os primeiros anos na USP", diz Ilan Goldfajn, do BID. Confira os depoimentos:

Pedro Malan, ministro da Fazenda entre 1995 e 2002

Morre o economista Affonso Celso Pastore, aos 84 anos

  • 'Pastore foi alguém que tinha a economia no DNA', diz Zeina Latif
  • Roberto Campos Neto, presidente do BC

    Samuel Pessoa, economista
    Samuel Pessoa, economista
    Foto: HÉLVIO ROMERO/ESTADÃO / Estadão

    "É uma enorme perda. Era uma pessoa muito querida e muito comentada no âmbito dos banqueiros centrais. O Pastore sempre foi uma pessoa que defendeu o Banco Central. Uma vez o encontrei em um avião e ele disse que, sempre que houvesse algum evento no BC, poderíamos convidá-lo. Ele dizia que era apaixonado pelo BC e que sempre iria defender as causas da instituição. Sentirei muita falta do Pastore e mando condolências a todos os familiares e amigos"

    Samuel Pessôa, economista e pesquisador da FGV

    Josué Gomes da Silva, presidente da Fiesp.
    Josué Gomes da Silva, presidente da Fiesp.
    Foto: Felipe Rau/Estadão / Estadão

    "A regra de Taylor, criada pelo economista John Taylor e que estabeleceu a relação entre inflação e taxa de juros, por pouco não foi a 'regra de Pastore'. Ele publicou um trabalho, anos antes de Taylor, no qual descrevia a estabilização de preços numa economia via taxa de juros - numa época em que a governança para moedas baseadas no padrão fiduciário, em oposição ao padrão ouro, era desconhecida. Se a equação que ele derivou tivesse dado um passo a mais, ele chegaria à regra de Taylor. Isso mostra como ele, aqui, na periferia do conhecimento, dialogava de igual para igual na literatura, sempre na fronteira, com a pesquisa mais avançada que existia. Pastore foi, ao lado de Carlos Langoni (ex-presidente do Banco Central, morto em 2021), o pesquisador que tem a melhor e a mais consistente produção de economia aplicada brasileira em sua geração. Além do estudo sobre política monetária, Pastore também deu outra grande contribuição à teoria econômica, debruçando-se sobre dados ligados à agricultura. Pastore era um pesquisador empírico, sem muita paciência para teoria. Também uma pessoa pragmática, que entendeu que, mesmo numa ditadura, poderia ajudar o Brasil trabalhando no governo. Ele era um democrata que percebeu que, dadas as circunstâncias, o melhor que ele poderia fazer era servir o País porque, de forma discreta, ele era muito nacionalista."

    Josué Gomes da Silva, presidente da Fiesp

    "O Brasil perde um importante pensador e economista. Além de ser um estudioso das nossas questões econômicas, também teve relevante trajetória pública, atuando em momentos-chave, como na negociação da dívida externa brasileira quando era presidente do Banco Central."

    Henrique Meirelles, ex-ministro da Fazenda e presidente do BC.
    Henrique Meirelles, ex-ministro da Fazenda e presidente do BC.
    Foto: Dida Sampaio/Estadão / Estadão

    Henrique Meirelles, ex-ministro da Fazenda

    "O falecimento de Affonso Celso Pastore é uma perda enorme para o pensamento econômico brasileiro. Pastore prestou serviços de alto valor para o Brasil, fosse como presidente do Banco Central, fosse como estudioso apaixonado pela nossa economia. Convivemos em diversos círculos ao longo de anos, sempre com trocas de ideias muito interessantes e férteis. Pastore era um economista de alto gabarito. Sinto a perda de um grande amigo. Meus sentimentos à família", declarou em publicação no X (antigo Twitter).

    Pérsio Arida, ex-presidente do BNDES e do Banco Central
    Pérsio Arida, ex-presidente do BNDES e do Banco Central
    Foto: NILTON FUKUDA/ESTADÃO / Estadão

    Pérsio Arida, ex-presidente do BNDES e do Banco Central

    O economista Felipe Salto
    O economista Felipe Salto
    Foto: Dida Sampaio/Estadão / Estadão

    Foi um professor muito influente da USP, avançou muito os estudos de uso de métodos quantitativos na universidade. Teve, depois, um longo período de colaboração com o governo formal quando era presidente do Banco Central. E mesmos antes, informal. O Delfim o respeitava muito.

    Era uma figura muito firme nas suas ideias, muito centrado na preocupação de (adotar) políticas públicas com base em evidência e feitas com rigor. Eram palavras que ele, inclusive, usava muito. Foi um intelectual público.

    Felipe Salto, ex-secretário da Fazenda e Planejamento SP

    Paulo Hartung, economista e ex-governador do Espírito Santo.
    Paulo Hartung, economista e ex-governador do Espírito Santo.
    Foto: Gabriel Lordello/Estadão / Estadão

    "Affonso Celso Pastore foi um dos maiores economistas do País e continuará a ser uma referência para todos nós, no setor público e privado, que estamos preocupados em decifrar os caminhos do desenvolvimento econômico. A sua dedicação à economia é inspiradora e a sua generosidade para com as novas gerações, sobre a qual dou testemunho, foi gigantesca. Quando assumi a IFI (Instituição Fiscal Independente), com menos de 30 anos, ele topou fazer parte do conselho inicial formado por mim. Anos à frente, continuou sempre participando das iniciativas para as quais o convidei, sempre emprestando sua credibilidade e motivando a todos por onde passava. Foi assim na aula que ele nos deu na Secretaria da Fazenda, em São Paulo, quando o convidei para participar do grupo de conjuntura que montei quando fui secretário, em 2022. Deixa muitas saudades e um dever para todos nós: honrar o seu legado."

    Sergio Moro (União Brasil-PR), senador da República

    "O Brasil perde um de seus maiores economistas, Affonso Celso Pastore, que se destacava pelo rigor e integridade de suas análises econômicas. Tive a oportunidade e a honra de receber os seus conselhos. Sua obra e legado continuarão. Meus sentimentos à Cristina e à família", declarou o senador Sergio Moro, em publicação na rede social X (antigo Twitter).

    Paulo Hartung, ex-governador do Espírito Santo

    "É com profundo pesar que recebo a notícia do falecimento do professor Affonso Celso Pastore. Um dos mais influentes e respeitados economistas do país, que deixa uma enorme contribuição para o debate econômico do Brasil. Meus sentimentos aos familiares e amigos", declarou Paulo Hartung, em publicação no X (antigo Twitter).

    Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo

    "O secretário Samuel Kinoshita e o corpo de servidores da Sefaz-SP estendem suas condolências à família desse incansável estudioso das políticas econômicas que tanto se dedicou pelo País", declarou a pasta em nota.

    Estadão
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