Em Davos, executivos europeus aderem à campanha de Trump por desregulamentação
Líderes empresariais em Davos aderiram aos apelos do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que a União Europeia acelere esforços para reduzir regulamentação e aumentar competitividade para evitar que o bloco fique ainda mais atrás de outros mercados desenvolvidos.
Trump disse na quinta-feira à elite empresarial global na reunião anual do Fórum Econômico Mundial em Davos, Suíça, que a União Europeia tratou mal os EUA e dificultou a entrada de produtos na Europa.
O bilionário que agora é presidente dos EUA alertou que empresas devem fabricar produtos em território norte-americano sob pena de terem de arcar com tarifas de importação, e disse que, sob seu governo, os EUA serão o melhor lugar para a construção de fábricas.
Executivos observaram que as promessas de Trump de reverter a regulamentação corporativa nos EUA acrescentaram uma nova urgência às discussões de longa data da UE sobre como aumentar a competitividade do bloco.
"Eles estão reduzindo rapidamente as regulamentações nos EUA, o que torna mais importante fazer o mesmo na Europa", disse Nicolai Tangen, presidente-executivo do Norges Bank Investment Management, um dos maiores investidores do mundo.
A redução da regulamentação corporativa foi uma das principais promessas de campanha de Trump, que já reverteu as regras sobre perfuração de petróleo e gás em seus primeiros dias no cargo.
Outros executivos disseram que, embora a retórica política da UE sobre a desregulamentação tenha sido encorajadora, eles querem ver uma ação rápida.
"Acho que há uma disposição e uma capacidade de avançar com rapidez (mas) gostaríamos de ver isso em ação - ainda não vimos muito isso", disse Erik Ekudden, diretor de tecnologia da Ericsson, ao Reuters Global Markets Forum.
"Precisamos agir rapidamente... A Europa (não) carece de ideias, é uma questão de implementação", disse Belen Garijo, presidente-executivo do German MSD Group, acrescentando, no entanto, que o catalisador para aumentar a competitividade do bloco não deve ser forçado pela política dos EUA.
PROGRESSO LENTO
Líderes como o ex-presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, e a chefe da Comissão da UE, Ursula von der Leyen, destacaram a necessidade do bloco aumentar a inovação e reduzir a burocracia para se manter competitivo.
No entanto, o progresso concreto continua lento, com os Estados-membros da UE incapazes de chegar a um acordo sobre questões em setores de energia até a reforma dos mercados de capitais.
O rápido crescimento da tecnologia de inteligência artificial aumentou ainda mais a necessidade de que o crescimento não seja prejudicado pela regulamentação, disse Thomas Saueressig, membro do conselho executivo da desenvolvedora de software alemã SAP.
"A principal questão é como será a regulamentação da IA em escala global? O contexto para a Europa é claro: para se manter competitiva, é preciso haver uma mudança", disse Saueressig.
O atraso da Europa em tecnologias como IA pode representar uma perda de trilhões de euros no produto interno bruto da região se não for resolvido, disse Garijo, da MSD.
"As pessoas estão cansadas de ouvir a mesma história de sempre... o que acontecerá nos próximos 100 dias, nos próximos dois anos?", disse Joe Kaeser, presidente da Siemens Energy.
"Se essas perguntas não forem respondidas... ninguém de fora da Europa investirá (na Europa)", disse Kaeser.