IBGE: Pochmann diz não ver problema em crise com servidores e vai ao Planalto pedir 'mais recursos'
Para presidente do instituto, é 'natural pessoas terem visões diferentes' sobre sua gestão; ele afirmou que seu papel é 'buscar recursos que permitam que o IBGE continue fazendo as pesquisas'
BRASÍLIA - Em meio à crise interna que se arrasta há meses, o presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Marcio Pochmann, afirmou ser "natural pessoas terem visões diferentes" sobre sua gestão à frente do órgão e disse não ver "problema nenhum" com as críticas. O presidente do instituto, que esteve no Palácio do Planalto na segunda-feira, 27, disse ter ido atrás do governo para obter recursos: "Essa é a minha preocupação".
Ele negou que tenha se encontrado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo ele, a reunião de trabalho foi com o chefe de gabinete pessoal do Presidente da República, Marco Aurélio Santana Ribeiro.
Questionado se foi chamado nas últimas semanas pelo chefe do Executivo para tratar das críticas que vem recebendo e de uma possível saída do governo, ele respondeu: "A coleta (de dados pelo IBGE) está sendo feita normalmente, as pesquisas estão sendo feitas. É natural (que haja divergências), as pessoas têm visões diferentes. A gente, democraticamente, aceita. Não vejo problema nenhum."
O presidente do órgão negou que sua ida ao Palácio do Planalto faça parte de um "assunto ministerial". "Eu vim aqui para ver recursos. Essa é a minha preocupação", afirmou.
Segundo ele, as críticas que vem recebendo fazem parte de um "debate em torno do financiamento do IBGE". "O IBGE é subfinanciado, não é?", questionou.
Pochmann afirmou que seu papel é "buscar recursos que permitam que o IBGE continue fazendo as pesquisas". "Eu tentei outras formas também de ampliar o recurso. Por exemplo, mudar a legislação do fundo de participação dos Estados e municípios, que o IBGE estabelece estimativas de população. Temos que arrumar recursos, essa é a nossa preocupação", completou.
Ele disse que teve uma resposta positiva do Palácio do Planalto sobre seu pedido de recursos. Ponderou, porém, que o governo ainda espera a aprovação do Orçamento de 2025 no Congresso Nacional. "A partir da aprovação, acho que a gente tem materialidade", comentou.
Crise com servidores
Nos últimos meses, o sindicato dos servidores do IBGE tem conduzido diferentes mobilizações de trabalhadores, incluindo paralisações temporárias, contra o que chamam de "autoritarismo" da gestão Pochmann.
Os servidores reivindicam diálogo e esclarecimentos da atual direção sobre medidas como a criação da fundação de direito privado IBGE+, alteração no estatuto do instituto, mudança de locais de trabalho de funcionários e extinção do trabalho totalmente remoto. Já em janeiro, o IBGE enfrenta um momento de entrega de cargos de direção.
A avaliação de parte do governo é a de que está insustentável a permanência de Pochmann à frente do órgão, segundo apurou o Estadão/Broadcast. O presidente da instituição, porém, foi uma indicação chancelada pelo PT e por Lula, o que torna sua demissão mais difícil. Desde sua indicação ao cargo, ele foi amplamente criticado por economistas e políticos — Pochmann é visto como integrante da ala radical do PT —, mas foi defendido pelo chefe do Executivo.
"Não é aceitável as pessoas tentarem criar uma imagem negativa de uma pessoa da qualificação do Marcio Pochmann. É um dos grandes intelectuais deste País, um rapaz extremamente preparado", disse Lula em agosto de 2023. "Escolhi (o Pochmann) porque confio na capacidade intelectual dele", declarou, na ocasião.
Pochmann é um economista heterodoxo e integrante do PT, além de ter proximidade com Lula. Já foi candidato a deputado federal e a prefeito de Campinas — ele é professor da Unicamp, onde fez seu doutorado. Também presidiu o Ipea entre o fim do segundo governo Lula e o início da gestão de Dilma Rousseff. Polêmico, o economista já fez críticas ao Pix e defendeu alíquota de até 60% para o Imposto de Renda.
Sua indicação ao cargo foi feita em julho de 2023 e, na época, foi mal recebida pelo Ministério do Planejamento. Internamente, a avaliação é a de que a escolha foi política, à revelia da ministra Simone Tebet, e que destoa bastante do perfil dos técnicos da pasta, que seguem uma linha mais ortodoxa.
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