México vai assinar acordo de troca comercial com União Europeia, diz Claudia Sheinbaum
Segundo presidente mexicana, país buscará diversificar suas relações comerciais com outros países além dos Estados Unidos e ainda negocia questões envolvendo setor automotivo e de aço e alumínio
O México buscará diversificar suas relações comerciais com outros países além dos Estados Unidos, afirmou nesta quinta-feira, 3, a presidente mexicana Claudia Sheinbaum durante entrevista à imprensa. O discurso vem no dia seguinte ao anúncio das tarifas recíprocas do presidente americano, Donald Trump. "O México vai assinar e vai manter um acordo de trocas comerciais com a União Europeia", declarou Sheinbaum, sem dar mais detalhes.
O país comemorou ter ficado de fora das tarifas gerais aplicadas pelos Estados Unidos a todo o mundo e o fato de que o acordo de livre comércio da América do Norte, o T-MEC, permanecerá em vigor. A partir de agora, o México se concentrará em melhorar as condições dos dois setores que mantêm suas taxas de 25%: automotivo e aço e alumínio.
Segundo a presidente, a estratégia do México foi bem-sucedida e "ainda podemos obter melhores condições, um status preferencial" no setor automotivo, devido à integração entre as empresas mexicanas e norte-americanas.
No entanto, ela reconheceu que "questões pendentes muito importantes" permanecem, como a aceleração do desenvolvimento do México. "Não há tarifas adicionais, nem mesmo para o Canadá, e isso é bom para o país. Isso tem a ver com o bom relacionamento que construímos entre o governo mexicano e o governo dos Estados Unidos, que é baseado no respeito", disse.
Na quarta-feira, 2, o governo Trump manteve as tarifas sobre o México como estavam, vinculadas aos resultados em questões de segurança e à luta contra o tráfico de fentanil, sem taxas para o que está dentro do T-MEC — onde a grande maioria dos produtos está incluída, de abacates a roupas ou eletrônicos — e 25% para os setores automotivo e siderúrgico e para produtos fora do tratado.
Sheinbaum lembrou que as empresas que não aderiram ao T-MEC, como as grandes montadoras alemãs presentes no país, podem fazê-lo agora e disse que o secretário da economia, Marcelo Ebrard, já está em contato com elas. No entanto, a incerteza já fez com que algumas grandes empresas do setor se movimentassem.
A Stellantis, fabricante multinacional de utilitários esportivos com sede em Amsterdã, anunciou na quinta-feira pausas temporárias na produção de sua fábrica em Toluca, no centro do México, a partir da próxima segunda-feira e até abril, e também em sua fábrica no Canadá. Como resultado, a empresa fará demissões temporárias de 900 trabalhadores em suas fábricas dos EUA em Michigan e Indiana.
No México, a Stellantis tem mais de 15 mil funcionários. O secretário de Economia, Marcelo Ebrard, planeja viajar a Washington na próxima semana para continuar as negociações na área automotiva e de aço e alumínio, um diálogo que ele estima que durará cerca de 40 dias mais e no qual a fabricação de autopeças é uma das peças-chave da negociação.
A indústria automotiva representa 30% das exportações do México para os Estados Unidos e algumas peças de automóveis podem cruzar a fronteira várias vezes, pois são montadas em ambos os países, daí o impacto de quaisquer tarifas nesse setor. Sheinbaum lembrou que, segundo o decreto de Trump, as condições comerciais com o México poderiam até melhorar se os resultados fossem aumentados nas questões prioritárias de Trump: segurança e controle migratório.
"Se continuarmos colaborando, trabalhando e houver uma melhor coordenação para reduzir a entrada de fentanil, essa tarifa de 25% será reduzida para 12?, acrescentou. Ebrard destacou o fato de que o T-MEC está sendo mantido. "Essa é uma grande conquista. Não vamos considerá-lo garantido porque, em uma nova ordem comercial baseada em tarifas, é muito difícil que um acordo de livre comércio sobreviva". E lembrou que as vantagens de investir no México são a integração e as redes logísticas com os Estados Unidos. "Portanto, será mais barato produzir no México do que em qualquer outro lugar do mundo."
A decisão de Trump foi um alívio para o México. "Os Estados Unidos estão se aproximando do mundo inteiro e, em termos relativos, estão se aproximando menos do México, e isso é uma oportunidade", disse Oscar Ocampo, acadêmico do Instituto Mexicano de Competitividade.
Em sua opinião, Sheinbaum pode tirar proveito das negociações oferecendo melhorias na segurança e na troca de informações, o que também beneficiará o México, e na questão da migração, em que Washington já elogiou sua cooperação, por exemplo, ao receber repatriados não mexicanos e enviá-los de volta a seus países.
Além disso, o México é o principal comprador de seus produtos, respondendo por 16% das exportações dos EUA. No entanto, Ocampo acredita que a ameaça de tarifas continuará e que tanto os mercados quanto os países terão de se acostumar com essa incerteza ao tomar decisões./Com Broadcast e AP