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Nissan contrata 400 para acelerar produção do novo Kicks e mira dobrar participação de mercado

Montadora realiza nesta terça, 15, cerimônia com a presença do presidente Lula para celebrar o início da fase de testes da produção, que a partir de maio deve entrar em escala comercial

15 abr 2025 - 18h14
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RESENDE (RJ) - A Nissan anunciou nesta terça-feira, 15, a contratação de 400 trabalhadores, sendo 297 apenas para as linhas de produção, na fábrica de Resende, no sul do Rio de Janeiro. A montadora realiza nesta tarde cerimônia com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para celebrar o início da produção — por ora em fase de testes e provavelmente a partir do próximo mês em escala comercial — da nova geração do Kicks.

O utilitário esportivo compacto faz parte do ciclo de investimentos iniciado em 2023 que prevê R$ 2,8 bilhões no Brasil. Os recursos também contemplam a produção de outro SUV, que, dentro do plano da montadora japonesa de fazer da fábrica de Resende uma plataforma de exportação, será embarcado a mais de 20 mercados da América Latina, incluindo Argentina e México.

O reforço na equipe visa acelerar o ritmo de produção do complexo industrial, que em dois turnos fabrica 380 carros por dia. Inaugurada há exatamente 11 anos — outro marco comemorado nesta terça-feira pela Nissan —, a fábrica de Resende também passou por uma modernização para a produção dos novos modelos e de um motor turbo, ampliando o seu nível de automação para 85%.

Na área de montagem de carrocerias, foram instalados 98 robôs importados do Japão. A fábrica também ganhou 29 novos equipamentos, totalizando agora 202 unidades, que transportam peças e plataformas entre as linhas. Atualmente, a Nissan emprega cerca de 2,2 mil trabalhadores em Resende.

Fábrica da Nissan em Resende foi inaugurada há exatamente 11 anos
Fábrica da Nissan em Resende foi inaugurada há exatamente 11 anos
Foto: Marcos de Paula/Estadão / Estadão

A nova geração do Kicks chega "nos próximos meses" nas mais de 200 concessionárias da marca no País. Seu preço ainda não foi divulgado. Após crescer 35% em 2023 e 21% no ano passado, chegando a 3,5% do mercado de carros de passeio e utilitários leves, a meta da Nissan é dobrar essa participação para 7%.

Presidente da Nissan na América Latina, região responsável por 15% das vendas da montadora no mundo, Guy Rodríguez disse em entrevista a jornalistas que as tarifas anunciadas pelo presidente americano, Donald Trump, não mudam a estratégia da montadora no Brasil. Isso porque os Estados Unidos não estavam entre os destinos dos novos modelos.

Os embarques do Kicks terão como foco o Mercosul, sobretudo Brasil e Argentina, ao passo que o futuro SUV será exportado aos demais mercados da América Latina.

Com o fechamento da fábrica da Argentina, onde era produzida a Nissan Frontier, os mercados que importam a picape passarão a ser atendidos pelo México. "O plano neste momento é esse", disse Rodríguez ao falar sobre possíveis desvios de rota impostos pela política comercial americana.

Apesar da demora do governo na regulamentação do programa de incentivos tributários às montadoras, o executivo destacou o papel do Mover na atração de investimentos voltados à transição tecnológica dos carros produzidos no Brasil.

"O Mover ajuda e incentiva a trazer tecnologia. Cada vez mais os nossos clientes demandam segurança e eletrônica nos automóveis. Nossos veículos têm mais chips de que um computador. Esses programas nos ajudam a ter programa de longo prazo e trazer mais tecnologias", comentou.

Redirecionamento pós-tarifas

O presidente da empresa minimizou o risco de as barreiras nos Estados Unidos provocarem um desvio das exportações de carros produzidos no México ao Brasil. Ele ressaltou que, como os produtos consumidos são diferentes, um mercado não substitui automaticamente o outro.

Ao também atenuar os possíveis impactos das tarifas anunciadas por Trump, o executivo disse que a Nissan é a montadora com maior produção no México voltada ao mercado local.

"A Nissan é a marca que mais fabrica no México para o México. Então, a pressão para nós é bem menor, porque nós vendemos no nosso mercado", comentou Rodríguez em conversa com jornalistas antes da cerimônia.

Conforme o presidente da montadora na América Latina, 92% do que a Nissan vende na região é produzido pelas operações na região. "É uma vantagem que temos como marca. Nós conhecemos o mercado, conhecemos o cliente, fabricamos dentro do mercado para o mercado."

Questionado se o Brasil pode ser um destino das exportações que a Nissan faz a partir do México aos Estados Unidos, atingidas agora pelas tarifas, Rodriguez observou que a montadora segue um esquema de complementariedade de portfólio nas trocas de modelos entre suas operações.

Hoje, a Nissan traz do México para o Brasil os modelos Versa e Sentra. Futuramente, um utilitário esportivo que será produzido em Resende vai atender, entre outros países, o mercado mexicano.

O Brasil, entende Rodríguez, não necessariamente vai absorver exportações perdidas pelas montadoras do México. Ele ponderou que o mercado americano é bem diferente do brasileiro. "Será que o que estava sendo exportado para os Estados Unidos é bom para o mercado brasileiro? São muito diferentes. Então, não sei quanto disso pode vir para cá. Entendo a preocupação sobre a capacidade (de produção). Mas, se você fabrica uma picape de 4 toneladas para os Estados Unidos, você manda para o Brasil? É um mercado diferente", comentou o executivo da Nissan.

*O repórter viajou a convite da Nissan

Estadão
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