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PF mira 7 escritórios de advocacia em operação contra mercado ilegal de benefícios a venezuelanos

Esquema na fronteira com a Venezuela, em Roraima, frauda documentos para aposentar estrangeiros no INSS apesar de eles não viverem no Brasil

24 abr 2025 - 11h25
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BRASÍLIA - A Polícia Federal cumpriu 14 mandados de busca e apreensão, nesta quinta-feira, 24, contra oito investigados suspeitos de envolvimento em esquema de fraude em benefícios sociais para venezuelanos. A ação policial mira sete escritórios de advocacia da capital Boa Vista (RR) e de Pacaraima (RR), cidade situada na fronteira com a Venezuela.

O Estadão esteve em Pacaraima e mostrou como a fraude é operacionalizada. É um mercado que funciona para aposentar e dar o Benefício da Prestação Continuada (BPC) a estrangeiros que não vivem no Brasil. Há um esquema de criação e venda de falsos comprovantes de residência no Brasil para que os venezuelanos possam requisitar o benefício.

Cerca de 10 mil venezuelanos cruzam a fronteira todos os meses em Pacaraima, no Norte de Roraima. Eles vêm em busca de trabalho e melhores condições de vida. Quase 7 anos depois do pico da crise humanitária, o fluxo na fronteira é considerado estável, com sinais de que a imigração não cessa
Cerca de 10 mil venezuelanos cruzam a fronteira todos os meses em Pacaraima, no Norte de Roraima. Eles vêm em busca de trabalho e melhores condições de vida. Quase 7 anos depois do pico da crise humanitária, o fluxo na fronteira é considerado estável, com sinais de que a imigração não cessa
Foto: WILTON JUNIOR/Estadão / Estadão

Batizada de Cessatio, a operação desta quinta é um desdobramento da Operação Ataktos, deflagrada em outubro de 2024 contra um grupo supostamente envolvido nas fraudes. Segundo a PF, "foi identificada a atuação de diversos grupos criminosos, organizados e independentes, que obtinham o benefício de forma fraudulenta". São investigados crimes como estelionato majorado e associação criminosa.

A reportagem mostrou que agenciadores cooptavam idosos venezuelanos ainda na Venezuela, cruzaram a fronteira com eles, falsificavam documentos e cadastros para garantir o acesso ao BPC e para aposentá-los no INSS brasileiro. Depois de acessar os benefícios, esses estrangeiros são levados de volta ao país de origem e continuam recebendo o benefício de forma irregular.

Pacaraima é marcada pela recepção de venezuelanos em crise humanitária fugindo do regime de Nicolás Maduro. Em alguns casos, a abordagem aos imigrantes é feita por "assessores previdenciários" nas filas da Operação Acolhida, estrutura do governo brasileiro que recepciona as centenas de imigrantes venezuelanos que chegam todos os dias no território nacional.

Em Pacaraima (RR), na fronteira com a Venezuela, brasileiros criaram um mercado para aposentar estrangeiros no INSS. Em alguns casos, venezuelanos que não vivem no Brasil conseguem os benefícios depois de apresentarem documentos falsos de residência. Na foto, escritório de advocacia que trabalha para aposentar os estrangeiros
Em Pacaraima (RR), na fronteira com a Venezuela, brasileiros criaram um mercado para aposentar estrangeiros no INSS. Em alguns casos, venezuelanos que não vivem no Brasil conseguem os benefícios depois de apresentarem documentos falsos de residência. Na foto, escritório de advocacia que trabalha para aposentar os estrangeiros
Foto: WILTON JUNIOR/Estadão / Estadão

A partir do fim de 2022, houve um salto no pagamento de BPC no município de 20 mil habitantes. Em três anos anos, a despesa mensal com o benefício passou de R$ 328 mil para R$ 1,4 milhão em Pacaraima. Segundo dados de janeiro, 1 mil pessoas recebem o benefício. Em fevereiro, pela primeira vez na série histórica, o número de beneficiários entrou em tendência de queda, com 884 pessoas.

Estadão
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