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Por que China se mantém firme na guerra de tarifas com Trump

Vendas da China aos EUA equivalem a apenas 2% do PIB do país asiático, que negocia com a União Europeia possível remoção de tarifas sobre carros chineses.

11 abr 2025 - 14h58
(atualizado às 16h09)
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Telas do mercado de ações mostram ativos em queda, com a cor vermelha em destaque
Telas do mercado de ações mostram ativos em queda, com a cor vermelha em destaque
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

Qual é o motivo pelo qual Pequim não está cedendo a Donald Trump em relação às tarifas? A resposta é que não precisa.

Os líderes da China diriam que não estão inclinados a ceder a um valentão, mas também têm uma capacidade de fazer isso muito além de qualquer outro país do mundo.

Antes do início da guerra tarifária, a China tinha um volume enorme de vendas para os Estados Unidos, mas, para contextualizar, isso equivale a apenas 2% do seu Produto Interno Bruto (PIB, soma de todos os bens e serviços produzidos pela economia de um país).

Dito isso, o Partido Comunista claramente preferiria não se envolver em uma guerra comercial com os EUA em um momento em que tem lutado para resolver seus próprios e consideráveis problemas econômicos, após anos de crise imobiliária, dívida regional exagerada e desemprego persistente entre os jovens.

No entanto, apesar disso, o governo disse à sua população que está em uma posição forte para resistir aos ataques dos EUA.

O país asiático também sabe que suas próprias tarifas claramente prejudicarão os exportadores americanos.

Trump tem se gabado para seus apoiadores de que seria fácil forçar a China à submissão simplesmente impondo tarifas ao país, mas isso se provou extremamente enganoso.

Pequim não vai se render.

Xi Jinping disse que seu país e a UE devem 'resistir conjuntamente às práticas unilaterais de intimidação' do governo Trump
Xi Jinping disse que seu país e a UE devem 'resistir conjuntamente às práticas unilaterais de intimidação' do governo Trump
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

O líder chinês, Xi Jinping, disse ao primeiro-ministro espanhol, Pedro Sanchez, na sexta-feira (11/4), que seu país e a União Europeia deveriam "resistir conjuntamente às práticas unilaterais de intimidação" do governo Trump.

Sánchez, por sua vez, disse que as tensões comerciais da China com os EUA não devem impedir a cooperação da potência asiática com a Europa.

O encontro ocorreu na capital chinesa horas antes de Pequim aumentar novamente suas tarifas sobre produtos dos EUA - embora tenha dito que não responderá a novos aumentos de tarifas dos EUA.

Na próxima semana, Xi visitará Malásia, Vietnã e Camboja. Todos esses países foram duramente atingidos pelas tarifas de Trump.

Ministros chineses têm se encontrado com suas contrapartes da África do Sul, Arábia Saudita e Índia, discutindo uma maior cooperação comercial.

Além disso, China e União Europeia estariam em negociações sobre a possível remoção das tarifas europeias sobre carros chineses, que seriam substituídas por um preço mínimo, a fim de conter uma nova rodada de dumping (venda de produtos a preços abaixo do custo de produção, com o objetivo de dominar um mercado).

Em resumo, para onde quer que se olhe, é possível ver que a China tem opções.

E analistas afirmam que esses aumentos tarifários mútuos entre as duas superpotências estão se tornando quase insignificantes, visto que já ultrapassaram o ponto de impedir grande parte do comércio entre elas.

Assim, os aumentos tarifários recíprocos em ambas as direções tornaram-se mais simbólicos.

Em postagem no X, Mao Ning citou Mao e acrescentou nas próprias palavras: 'A China nunca blefa — e percebemos quem o faz'
Em postagem no X, Mao Ning citou Mao e acrescentou nas próprias palavras: 'A China nunca blefa — e percebemos quem o faz'
Foto: Reprodução/X / BBC News Brasil

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, publicou, nos últimos dois dias, imagens do ex-presidente chinês Mao Tsé-Tung nas redes sociais, incluindo uma filmagem dos tempos da Guerra da Coreia, quando o líder da Revolução Chinesa disse aos EUA que "não importa quanto tempo esta guerra dure, nunca cederemos".

Acima disso, ela publicou seus próprios comentários, dizendo: "Somos chineses. Não temos medo de provocações. Não vamos recuar."

Quando o governo chinês recorre ao camarada Mao, você sabe que eles estão falando sério.

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