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Quais soluções ambientais brasileiras já existem, e quais podem surgir? Relatório aponta caminhos

Documento lançado pelo Instituto Arapyaú e pela Itaúsa indica ideias já aplicadas em estágio maduro, assim como o papel de governo, setor privado e instituições filantrópicas

17 jun 2025 - 14h10
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Soluções ambientais criadas no Brasil que ajudam a economia a crescer já existem e estão em diferentes fases: há as que já estão maduras e apresentam resultados positivos, há as que estão crescendo e, por fim, existem as promissoras, que apresentam desafios, mas com alto potencial de desenvolvimento. O relatório Soluções em clima e natureza no Brasil, com lançamento nesta terça-feira, 17, pela organização filantrópica Instituto Arapyaú e pelo Instituto Itaúsa, braço social da Itaúsa, lista essas respostas, assim como aponta a importância de governos, do setor privado e de instituições filantrópicas para que elas funcionem.

As iniciativas listadas são de quatro setores: agropecuária, florestas, energia e economia circular. O relatório foi feito a partir de entrevistas com 66 especialistas, além de consultas a pesquisas e estudos anteriores. O levantamento classifica as soluções em três categorias: maduras, em ascensão e promissoras.

A intenção do estudo é de ajudar as soluções a ganhar escala, por meio do maior conhecimento do mercado sobre elas, de como funcionam e dos benefícios que trazem. Assim, será possível que a economia como um todo cresça e gere empregos, ao mesmo tempo que protege o meio ambiente. A cooperação entre iniciativas de diferentes setores, aproveitando as tecnologias desenvolvidas para uma em outros casos, também é um dos objetivos.

"O Brasil tem elementos de clima e natureza como nenhum outro país. Esse não é um documento definitivo, é provocativo, não pretendemos parar com ele. É para ser debatido antes da COP, durante a COP e, principalmente, depois da COP", cita Roberto Waack, presidente do Conselho do Instituto Arapyaú, mencionando o principal evento anual para debater as mudanças climáticas, que neste ano será realizado em Belém, no Pará. Segundo ele, novas versões do relatório podem aparecer no futuro.

Entre as soluções em ascensão para floresas, está a atração de investimentos de corporações globais em créditos de carbono para restaurar áreas degradadas em grande escala na Amazônia e na Mata Atlântica
Entre as soluções em ascensão para floresas, está a atração de investimentos de corporações globais em créditos de carbono para restaurar áreas degradadas em grande escala na Amazônia e na Mata Atlântica
Foto: Daniel Teixeira/Estadão / Estadão

Soluções

Em cada setor analisado foram apontadas as soluções nas três fases de desenvolvimento. Por exemplo: em agricultura e pecuária, as maduras são os bioinsumos, os sistemas de plantio direto e cobertura verde e a agricultura de precisão; as "em ascensão" são os sistemas integrados de lavoura, pecuária e floresta e a pecuária regenerativa; e as promissoras são a recuperação de pastos degradados, a economia circular no agronegócio, os créditos de biodiversidade e a medição e contabilização do sequestro de carbono no solo.

Em florestas, as maduras são o programa governamental Arpa, que destina recursos para unidades de conservação federais e estaduais; e a silvicultura de espécies de plantas exóticas; "em ascensão" são a implementação do código florestal e as fazendas que restauram matas para geração de créditos de carbono; como promissora aparece a silvicultura de espécies de plantas nativas do Brasil.

Na geração de energia, etanol, solar, eólica e biodiesel aparecem como ideias já maduras e integradas à economia brasileira. Biogás, biometano, biomassa, etanol de segunda geração e combustível sustentável de aviação são as que estão em ascensão, e novos biocombustívels (metanol e amônia, por exemplo) e o hidrogênio verde são soluções promissoras.

A economia circular conta com apenas ideias em ascensão e promissoras — segundo os autores, nesse setor não há ideias tão amplamente difundidas que possam ser consideradas maduras. Entre as que estão em ascensão, são citados trabalhos para design inteligente, produção, consumo, reparo, reúso, coleta, compostagem, consumo consciente, regeneração do solo e reciclagem. Já como promissoras aparecem soluções de distribuição, design de produtos biológicos e processamento.

Os principais entraves apontados são dois: o acesso a capital e a falta de conhecimento do mercado sobre as soluções e como elas podem ser lucrativas se forem integradas na economia. O documento pretende atacar esse último problema, e, consequentemente, interferir no segundo.

Papel de cada setor

No relatório, também é apontado o papel de cada setor da economia. Para o setor privado, o ponto principal são os recursos: financiar o desenvolvimento de cada tecnologia, ajudando-a a ganhar escala e se tornar-se lucrativa. Assim, seriam integradas à economia como um todo, mais renda e emprego seriam gerados em combinação com a preservação ambiental, com menores emissões de gases que causam o aquecimento global.

Para os diferentes níveis de governo, cabe gerar um bom ambiente regulatório e ter políticas públicas bem estruturadas, como o programa Arpa citado anteriormente, mas não somente isso. "Também têm papel de articular essa economia positiva para o clima, para a natureza e para as pessoas. Se não cria esse ambiente com todos esses atores, com a sociedade, com o setor privado, com a academia, a gente não consegue se mover", relata Marcelo Furtado, diretor executivo do Instituto Itaúsa.

A partir desse ambiente, os demais setores precisam atuar junto e dialogar. O próprio relatório elaborado pelo Arapyaú e pelo Itaúsa é um exemplo, a partir de incentivos de André Correa do Lago e Ana Toni, respectivamente, presidente e diretora executiva da COP-30.

Para as organizações privadas sem fins lucrativos, o chamado terceiro setor, o trabalho é organização e comunicação na ponta. "A filantropia tem o papel de testar novos modelos, já que é mais disponível para assumir risco, é um capital mais paciente. As organizações filantrópicas vêm produzindo conhecimento, ampliando o debate, e também podem conectar com governos para a formulação de políticas públicas", acredita Renata Piazzon, diretora executiva do Instituto Arapyaú.

Outro trabalho do setor privado é atrair a confiança de investidores e elevar a participação brasileira no desenvolvimento das tecnologias, mostrando que é seguro e rentável investir nas soluções encontradas.

"Queremos encontrar novas soluções climáticas das quais possamos não só ter orgulho, mas que possam também trazer oportunidade, renda e emprego. Devemos tratar a discussão climática como uma conversa sobre a economia brasileira que queremos formar, cheia de investimento. Vai ser bom para o Brasil, para o mundo e para as pessoas", conclui Roberto Waack.

Estadão
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