Veja como fazer o planejamento de férias da equipe
O período de férias faz a alegria de todo o funcionário, mas, para que esse mês de descanso não se transforme num pesadelo para o empregador, é importante fazer um bom planejamento no início de cada ano, afirma Dora Ramos, contadora e fundadora da Fharos Assessoria Contábil, de São Paulo. Conforme o fluxo de entrada e saída de colaboradores, a empresa deve ir ajustando esse cronograma anual.
O planejamento deve ser feito de acordo com o tempo de trabalho de cada funcionário e levar em conta quais os períodos em que a empresa necessita da equipe completa e as despesas que terá ao colocar um colaborador de férias.
Férias a cada doze meses
Todo o funcionário tem direito a férias a cada 12 meses. Mas o empregador pode dar o período de descanso em até 23 meses. Passado esse prazo, ele é obrigado a pagar o valor das férias em dobro.
Para José Geral Recchia, sócio da Caliper, empresa especializada em gestão de pessoas, de Curitiba, o ideal é que os funcionários tirem férias o quanto antes. Assim, o empreendedor, segundo ele, não corre o risco de, eventualmente, se esquecer das férias e ainda terá empregados mais produtivos. "O funcionário precisa descansar. Quanto mais tempo ele trabalhar sem férias, menor será a sua produtividade e motivação para com suas atividades profissionais", esclarece.
A legislação trabalhista prevê trinta dias de férias. Esse período só pode ser tirado de uma vez, mas o funcionário tem direito de vender à empresa dez dias de suas férias.
O calendário da equipe
O calendário de férias deve ser feito de acordo com as necessidades da empresa. Nos meses em que o trabalho é mais intenso, o ideal é que toda a equipe esteja presente. Para Dora, o empresário que discute esse calendário com os funcionários só tem a ganhar.
"Quando o empreendedor decidir fechar o calendário, é importante que ele consulte a equipe. Ás vezes, ele planeja um período de férias para um funcionário que queria outro. Isso vai desmotivar a pessoa. Se tem como ser negociado, o melhor é partir para este lado", aconselha a contadora.
Funcionário temporário ou interno?
O empregado vai sair de férias, mas a empresa não para. Por isso, o empreendedor tem que saber desde cedo como vai suprir a falta dele no quadro. "O mais comum é que outro funcionário acabe atribuindo as funções de quem está de férias", afirma José Geraldo. Segundo ele, é importante que o empreendedor coloque na balança o que vale mais a pena. "Esse colaborador que vai ficar com duas funções, provavelmente, terá a qualidade de trabalho diminuída", alerta. Para o consultor, uma maneira de fazer a prática dar certo é pagar as horas extras feitas por esse funcionário que trabalhou mais para suprir a demanda ou adotar o banco de horas.
Outra solução é a contratação de um funcionário temporário. De acordo com o Ministério do Trabalho, esse tipo de contratação só pode ser feita por meio de uma agência especializada. Esse trabalhador tem os mesmos direitos que os demais.
José Geraldo lembra que, em alguns casos específicos, como nos das pequenas indústrias, há ainda a possibilidade de deixar a máquina parada enquanto o funcionário está de férias. Assim, o empreendedor pode planejar os dias de descanso dos empregados levando em conta as sazonalidades do negócio.
As despesas
O empreendedor deve organizar o cronograma das datas de férias dos funcionários já contando com as despesas e adiantamentos que terá que fazer.
Quando um empregado sai de férias, ele recebe o salário adiantado mais um terço de salário referente ao abono pecuniário. Se a remuneração bruta for, por exemplo, de R$ 1 mil por mês, ele vai receber esse montante mais R$ 300 de abono. Tudo isso tem que estar na planilha do empregador que ainda deve incluir as despesas com os funcionários que vendem os 10 dias de férias. Nesses casos, o empreendedor também deve prever mais um terço do salário. O valor , no entanto, só será pago quando o funcionário retornar das férias.