Sydney - A Itália deu uma lição de judô ao Brasil nos Jogos Olímpicos. Os italianos venceram as quatro lutas disputadas com os brasileiros até esta quinta-feira, em Sydney, incluindo a final masculina dos pesos leves, que deu a medalha de prata a Tiago Camilo e o ouro a Giuseppe Maddaloni. E não foi por acaso. Nos últimos quatro anos, a Itália investiu em seus judocas e se preparou para a Olimpíada de Sydney enviando representantes a todas as competições de alto nível técnico, incluindo os campeonatos europeu e mundial.
Os italianos trouxeram nove atletas (quatro mulheres e cinco homens) a Sydney e conquistaram quatro medalhas e três quintos lugares até quinta-feira, um aproveitamento excelente num torneio de nível técnico elevado. Os medalhistas italianos são Emanuela Pierantozzi (bronze nos meio-pesados), Yelina Scapin (bronze nos médios), Giuseppe Maddaloni (ouro nos leves) e Girolamo Giovanazzo (bronze nos meio-leves).
Em todas as lutas os italianos demonstraram conhecer em detalhes o estilo dos judocas que o Brasil trouxe a Sydney. A prova foi a forma como a meio-pesado Emanuela Pierantozzi neutralizou os principais golpes da brasileira Edinanci Silva nesta quinta-feira e levou o bronze olímpico. "O Brasil é uma grande escola de judô", afirma o técnico da delegação italiana, Sandro Rosati. "Nós sempre perdemos os confrontos com os brasileiros, mas desta vez conseguimos mudar a história".
Além de Tiago Camilo e de Edinanci, os italianos estiveram no caminho da meio-médio Vânia Ishii, que perdeu para a italiana Jennifer Gal na fase de classificação. Vânia foi para a repescagem e terminou em sétimo lugar. Tânia Ferreira, leve, cruzou com Cinzia Cavazzuti na repescagem. Perdeu e também ficou sem medalha.
É justamente mais experiência internacional o que reclama o judoca Mário Sabino, ao encerrar em sétimo lugar a participação em sua primeira Olimpíada. Nesta quinta-feira, ele perdeu para o israelense Ariel Zeevi a chance de disputar o bronze. Foi sua segunda competição como meio-pesado em três anos. Antes da Olimpíada, Sabino participou apenas de uma Universíade, como meio-pesado. "Tecnicamente não devemos nada para os estrangeiros", disse Sabino. "A única coisa que eles têm de diferente em relação a nós, brasileiros, é que participam de mais competições de alto nível e têm apoio".
Derrotada pela italiana Emanuela Pierantozzi, Edinanci Silva saiu sem conversar com os jornalistas. Ela era uma das maiores esperanças de medalha na delegação brasileira, mas repetiu em Sydney o resultado da Olimpíada de Atlanta/96, o sétimo lugar, com uma diferença: na Olimpíada de 96, Edinanci competiu numa categoria de peso superior, a dos pesados. O técnico Geraldo Bernardes atribuiu a derrota da judoca a uma contusão no joelho, sofrida na segunda luta desta quinta-feira.