Belo Horizonte - O meia Jorge Wagner está convencido de que sua “estréia" aconteceu contra o Paraná e não há uma semana diante do Internacional, no Beira-Rio, em Porto Alegre. Sobretudo pelos dois gols chutando forte de perna esquerda, de fora da área, e também pela disposição tática. “Depois de mais de 15 dias de treinamento, já estou mais ambientado com os companheiros e a Comissão Técnica. E, por isso, contra o Paraná estava à vontade em campo e pude render mais", ressalta o jogador, responsável pela virada do Cruzeiro na vitória de 3 a 1 sobre o Paraná, na segunda rodada do Grupo C na Copa Sul-Minas. Jorge Wagner teve uma atuação discreta contra o Internacional.
Além disso, ele considera que o fato de jogar em casa, com o apoio da torcida, também contribuiu para a subida de produção. “É bom jogar com o carinho da torcida. E fiquei muito emocionado com os aplausos dos torcedores após a partida. Agora, é continuar lutando para corresponder às expectativas", salienta o armador que, como bom baiano, não deixa de exaltar o lado místico. “No intervalo troquei de chuteira. Estava com uma de trava de tarracha e a troquei por uma de trava de borracha. A partir disso, joguei mais leve", acrescenta. Jorge Wagner foi contratado ao Bahia por R$ 4 milhões.
No segundo gol contra o Paraná _ o outro foi marcado por Marcelo Ramos _, Jorge Wagner acertou um belo chute de fora da área, sem chances de defesa para o goleiro Marcos.
Ele acredita que, com a boa atuação contra o Paraná, as cobranças poderão ser, a partir de agora, até maiores em relação ao seu futebol. Garante, no entanto, que está preparado para o desafio. “Encaro isso com tranqüilidade e naturalidade. Sei que a torcida cobra, o que aumenta a responsabilidade. Mas isso também serve de motivação", argumenta Jorge Wagner, de 22 anos.
A emoção pela vitória e pelos gols não deixou o jogador dormir direito. “Os lances não saíam da minha cabeça. Por isso, custei a relaxar." Depois da partida, o jogador conta que telefonou para os pais em Salvador. “Falei com todo mundo. Conversei com meu pai, Antônio Jorge, que estava muito feliz pelos gols", comemora o meia.
Apoio - Jorge Wagner está fora da estréia do Cruzeiro no Campeonato Mineiro diane do Mamoré, amanhã, no Mineirão. O técnico Luiz Felipe Scolari optou por deixá-lo entregue aos cuidados dos preparadores físicos para, nesse revezamento, recuperar as forças para a maratona de jogos, a partir de março, com a Copa Libertadores. Mas isso não perturba o jogador. E não é para menos.
Neste final de semana ele terá o carinho da mãe Maria Marlene, da madrinha Jussara, da namorada Valdecir (23 anos) e da prima Thayana, que virão visitá-lo. “Nesse caso nem é preciso dizer muita coisa. Porque qualquer um ficaria feliz com esse incentivo; eu estou muito alegre", pondera.
Sobre o Campeonato Mineiro, ele sabe da importância de o Cruzeiro recuperar a hegemonia no futebol mineiro, atualmente em poder do rival Atlético, bicampeão. “Quando cheguei aqui já fiquei sabendo dessa grande rivalidade. E isso já foi colocado pelo professor (referindo-se ao técnico Luiz Felipe Scolari) para a gente no dia da apresentação", diz.
Coadjuvante - Se Jorge Wagner roubou a cena do espetáculo contra o Paraná, o meia Alê, 19 anos, foi o coadjuvante. Marcou e organizou importantes jogadas de ataque. Sua substituição deixou irritada parte dos torcedores.